Thursday, April 8, 2021

despachada: Enlightened


Devia ser mais entitled do que enlightened.

Porque maior parte foi irritante, com um idealismo nonsense desmedido sem consequências. A personagem de Dern roubou e divulgou conteúdos privados duma empresa. É crime. E, no entanto, nunca se fala no que pode advir das suas acções. Ela nunca se preocupou com isso, nem o que podia acontecer a quem a ajudou. Para mim esta parte foi muito estúpida e assustadora. Foi irresponsável, no mínimo. E irritou-me.

Demorámos a terminar a série. A partir de certa altura custava ver os episódios, mesmo que curtos. Não foi uma experiência nada de especial.

Wednesday, March 31, 2021

filme do mês: Março '21

Perdi do ritmo com que estava e, consequentemente, a média dum filme por dia. Não que fosse objectivo, mas sempre era qualquer coisa de «feito», este ano.

Há algumas justificações para o abrandamento. Acima de tudo há poucos filmes de qualidade por aí. Nos últimos tempos vi-me forçado a rever filmes antigos. Há limites para a quantidade de coisas que dá vontade de rever. E as novidades... Têm saído mais «filmes de Oscar» e menos «filmes divertidos». A vontade de ver coisas densas é cada vez menor. Uma outra justificação é que vi algumas boas séries. A balança pendeu mais para esse lado. E, por fim, o mês foi algo marcado pelo Snyder. Digamos que o Cut deixou algumas feridas abertas.

De qualquer modo, vi coisas engraçadas. Os clássicos Air Up There e V.I. Warshawski foram óptimos de rever. Moxie e Bad Trip foram divertidos. E não custou assim tanto rever o que precedeu ao raio do Cut. Como filme do mês escolho Boss Level, porque foi divertido e teve alguma animação (entenda-se «tiros»).



Venha daí Abril e melhores números (entenda-se «ovos de chocolate da Páscoa em barda»).

despachada: Cougar Town


Depois de despacharmos Scrubs, claro que tínhamos de avançar para a outra série do Bill Lawrence, recentemente disponibilizada no Star/Disney+. Vai ser mais complicado arranjar algo para ver a seguir, na mesma linha. A série seguinte do criador não foi grande sucesso. E a depois dessa e mais recente, essa sim com sucesso, está no AppleTV, serviço ao qual não temos acesso.

Cougar Town é mais tropelias e menos história que Scrubs. Imagino que tudo tenha começado quando Cox apareceu no Scrubs. A amizade e empatia entre Cox e a «actriz» melhor amiga em Cougar Town e mulher do criador na vida real, ter-se-á criado então. (Está entre aspas porque: 1. Não é como se tivesse muitos mais papéis que não nas séries do marido; 2. Convenhamos que faz sempre o mesmo papel.) A partir daí foi arranjar uma malta tonta para fazer tontices à beira praia. Não imagino que tenha sido difícil.

Posto isto, voltei a achar piada às mensagens no genérico inicial. E, embora tenha reparado mais, não fiquei por aí além incomodado com partes aparecerem apenas num ou outro episódio e rapidamente desaparecerem, apesar de serem «importantes». Alguns exemplos: truth guns, a filha do Grayson, o Andy ser ou não mayor. Eles até gozam com isso e, para mim, está tudo bem. Já a minha senhora...

Convenhamos que o processo criativo não terá sido fácil. Cougar Town teve uma existência algo aos tropeções, com constantes ameaças de cancelamento e a necessidade de terem de passar para outro canal, entre uma temporada e outra. Perder o actor que fazia de Bobby, na última temporada, também não terá ajudado.

No final ajudou que o grupo fosse unido e dedicado. Viessem os tropeções de onde viessem. A malta certa estava lá para continuar com os brindes.

Saturday, March 27, 2021

despachada: Superstore


São mais de 40 as séries que acompanho. Algumas sabe dEUS quando terão nova temporada mas, enquanto não forem oficialmente canceladas, estão na minha lista. Tenho tentado reduzir. Sei que vejo demasiada coisa. Alguma não vale a pena. Nos tempos que correm é difícil. Precisamente porque cada vez há menos estrutura. Aumenta o número de séries que passam quase dois anos (ou mais) sem episódios novos. Para colmatar, mais e mais novas séries são lançadas ao mundo, todas a lutarem pela sua quota de mercado. O Netflix então é um exagero. O objectivo é lançar temporada atrás de temporada de novidades. Cada vez menos interessa-lhes ter boas séries no canal. Querem é conteúdo novo. Todas as semanas. Não recrimino, atenção. A nossa capacidade de dedicação reduziu. Estamos ao nível do mosquito. É normal que a estratégia assim tenha evoluído.

Tudo isto para dizer que, mesmo com 40 e tal séries na lista, não tenho nada que possa verdadeiramente recomendar, se alguém perguntar. Durante uns anos tive You're the Worst e Superstore, como as «hidden gems» televisivas. Foram séries que não tiveram metade da atenção que deveriam ter tido. Porque, na minha mui modesta opinião, estão vários pontos acima da média. Superstore era inteligente, adaptou-se de forma genial a tudo o que ia aparecendo no mundo real (foi das poucas que vi abordar a pandemia, como uma coisa de dia a dia), tinha coração e muito, mas muito talento, num elenco que se complementava e preenchia cada espacinho livre, durante os episódios, com humor e alguma loucura. Não foi só um conjunto de episódios individuais, com riso em lata. Teve pormenores que duraram desde a primeira à última temporada.

Para mim Superstore foi especial porque terá sido das últimas - ou mesmo a última -, série que comecei a ver na televisão, semanalmente. Aconteceu por motivos não muito bons. E sim, foi um oásis que permitiu-me sorrir, numa altura em que a vontade de o fazer não foi muita. Depois da visualização semanal (que tortura), revi tudo de enfiada. E apanhei mais uns tantos detalhes geniais. O plano que houve para o tornado, por exemplo. Estava tudo previsto. Comentários que não ligávamos nenhuma, coisas soltas num ou outro episódio, tinham o culminar muito mais tarde. Genial!

A série teve um boost com o movimento Me Too. Porque Ferrera fez parte e, como tal, levou a que mais pessoas prestassem atenção ao que estava a fazer, à sua série. Não sei até que ponto foi bom. O canal ter-se-á habituado a outro tipo de números. Só que, como refiro acima, as pessoas têm a atenção duma criança. Os números eventualmente terão baixado. Não ajudou a que Ferrera saísse da série, para fazer... outras cenas (não faço ideia que anda a fazer). Regra geral quando um personagem principal sai é morte certa da série.

Foi o caso. Superstore teve direito a uma última temporada, para fechar pontas soltas e dar um ar da sua graça num período muito conturbado. Mais uma vez voltou a trazer sorrisos onde pouca vontade de os ter havia. Deixa um grande vazio. A verdade é essa. Para mim e para muita gente. Procurarei sempre recomendar, quando alguém precisar.

Thursday, March 18, 2021

despachada: Scrubs


O Star ficou disponível. Com este novo lado do Disney+ veio o Scrubs. É! Não ia rever. Claro!

A série sobreviveria, quase sem ataques, nesta altura tão PC em que vivemos. A sério, hoje em dia tenho suores frios sempre que começo a ver uma série que não seja de anos recentes, à espera daquele comentário ou cena infeliz que provoca arrepios na espinha e noutros espaços corporais.

Com Scrubs estava relativamente sossegado, confesso. Tinha uma impressão de ser uma coisa simpática para toda a gente, genericamente. O que acabou por surpreender foi:
1. O quanto o JD e a Elliott são horríveis. A sério, o JD disse constantemente coisas ofensivas e parvas, tudo porque é inseguro e egoísta. Regra geral sem grandes consequências.
2. Vê-los a acabar juntos, depois de serem tão estúpidos um com o outro, tantas e tantas vezes, foi demasiado frustrante. Até porque há um momento em que JD acaba a relação precisamente porque sente que não será feliz com Elliot. Tudo muda perto do final da série, porque dá jeito ter um «final feliz». Foi algo gratuito.

Mas mesmo com estes «defeitos», Scrubs vê-se muito bem. Na altura cheguei a ler algures que era a série com menos erros médicos, o que surpreende ainda mais por ser uma comécia. É divertida, bem disposta, inteligente, está cheia de personagens secundários geniais e tem um final de 8.ª temporada incrível. É o final de série perfeito. Fez-me chorar da primeira vez e, mesmo desta feita, fiquei emocionado. Não terei sido o único. Depois veio a ganância do canal, que deu-nos a 9.ª temporada. Yeeey! Tivemos que levar com uma dúzia de episódios desinteressantes e uma fornada de interns que não merecia lavar os scrubs de qualquer uma das turmas anteriores.

A 9.ª é a mancha no pano. Recomendarei a qualquer pessoa, que queira ouvir a minha opinião, para ver apenas as oito temporadas. Nunca vai acontecer. Mas se acontecesse, recomendaria a série com todo o fervor, mesmo assim.

Saturday, March 6, 2021

despachada: Travelers


Fizeram um início de temporada com um episódio a passar-se no 11 de Setembro. Nas Twin Towers. Alguém estava lá dentro, sabia o que ia acontecer. Fez a sua missão e meteu-se na alheta. Houve outro episódio com a premissa de «matar o bebé Hitler». Não literalmente o Hitler. Alguém que ia tornar-se numa má pessoa. E tiveram ainda um episódio sobre uma espécie de COVID e eu só pensava «O gajo não usa a máscara. Então mas esta gente é estúpida ou quê?»

Isto tudo entre 2016 e 2018. Nalguns casos a serem «apenas» arrojados. Noutros a preverem um pouco o futuro. O que tem piada só por si, ou não fosse esta uma série sobre viagens no tempo.

Não prestei atenção aos primeiros episódios. Estava no meu modo automático de meter mais uma série a dar e «ver» enquanto faço outras coisas. Foi um erro. Porque não dá para ver esta série assim. Tem de se prestar atenção. Há muito a acontecer, logo desde o início. É fácil perder o fio à meada. E se é uma boa meada.

A verdade é que esqueci-me porque tinha esta série nas minhas listas. É dum dos criadores de SG-1 et al. E alguns dos nomes e caras comuns a esse grande franchise até aparecem em Travelers. Devia ter visto quando saiu. Essa é a realidade. Vi agora e, mais uma vez, o meu coração está em pedaços porque voltaram a cancelar uma série do sr. Wright.

O Netflix voltou a fazer das suas. Sim, deu mais uma temporada aos criadores, para que pudessem terminar a história. Cancelou mais uma série na sua terceira temporada. Porque são os números que lhes interessa ter. Porque fica demasiado caro produzir mais temporadas depois da terceira.

Se ao menos houvesse alguém no futuro que viajasse para trás no tempo, para poder corrigir estes erros de cancelamentos estúpidos. Hey, se deu para aprender alguma coisa com Travelers é que a humanidade não tem qualquer possibilidade de salvar-se. Não temos futuro, tendo em conta que o continuamos a destruir com a nossa ganância e falta de interesse em algo que não seja gratificação imediata. Se assim é, ao menos que estejamos entretidos enquanto caminhamos para um futuro muito negro.

Estou a brincar. Claro que não aprendi nada disto com Travelers. Estou farto de saber que não há esperança nenhuma para a humanidade.

Friday, March 5, 2021

despachada: WandaVision


DISCLAIMER: Neste texto existirão alguns detalhes que poderão ser considerados spoilers.

É verdade. Aqui em casa vimos assim que saiu o último episódio no Disney+. Foi igual nas últimas semanas. Vejos poucas alternativas melhores a um bom começo de dia.

Não há qualquer informação na Net que não vá existir uma segunda temporada. Assim como não há qualquer informação que haverá continuidade para esta primeira série da Marvel Studios / Disney+. Sim, eu sei que houve outras séries da Marvel, mas nenhuma «debaixo do mesmo chapéu» dos filmes.

Parece-me que a Marvel também não sabe se há ou não temporada 2. É como tem sido até agora. Vai ao sabor do vento, com objectivos específicos para se irem alcançando, mas testando coisas pelo caminho. O princípio de «OK, eventualmente temos de fazer uma batalha com o Thanos, mas pelo meio vamos introduzindo personagens e logo vemos se aparecem no final».

Claro que se houver uma demanda estúpida por mais temporadas de momentos amorosos e românticos (e esquisitos) entre Wanda e Vision, a Marvel Studios acederá. Nesse caso provavelmente chamar-se-á outra coisa pois, convenhamos, a história que contaram agora é bastante fechada. Há ramificações e coisas por tratar, sim, mas há muitos filmes e outras séries previstas onde esses assuntos serão tratados.

Sobre WandaVision, a série que, para mim, é um mini filme, uma storyarc «fechada» (ou uma mini-série, porque não?), é um projecto incrível, cheio de atenção ao detalhe e conhecimento do material de origem. Para mais, o formato série permitiu que se fosse revelando a informação, mas também deixando espaço e tempo para as pessoas especularem sobre o que se passava e o que viria a passar-se. O mundo acabou por levar esta liberdade ao extremo e inventou demasiadas teorias. Também isso deu piada à experiência.

Nos últimos dias, antes do último episódio sair - e graças a tanta teoria e expectativa que se gerou -, o criador fez questão de vir pôr água na fervura, procurando não defraudar essas mesmas expectativas. Porque as pessoas teorizaram que ia aparecer o Mephisto, o Reed Richards, que os mutantes iam «nascer» desta história, que Kang, Doom e outros poderiam aparecer. Tudo cheio de pressa para que tudo aconteça já.

Pessoal, o plano é manter-nos agarrados (entenda-se «que estejam sempre a sacar-nos dinheiro») até morrermos. Vão prolongar a história sempre que possível. Isto é BD. A narrativa nunca acaba.

WandaVision is dead.
Long live
The Falcon and the Winter Soldier.

PS - Naturalmente que, se estiver errado (altamente possível), continuarei a ver e voltarei a falar da série aqui. Com gosto.
PPS - Melhor frase dos últimos tempos, dito por uma personagem/actriz maravilhosa: «They recast Pietro?!»

Monday, March 1, 2021

despachada: Mrs. America


Quarenta e tal anos passaram-se desde o início da narrativa apresentada nesta mini-série. Não foi o início do movimento pela igualdade de direitos entre géneros. Terá sido sim um auge político de «influência feminina» no governo norte-americano. Terá sido um momento em que o movimento teve um avanço maior e houve um salto qualitativo nas vozes, de parte a parte. Mulheres geniais a apoiar o ERA e contra o ERA. Porque podemos discordar da opinião (e discordo, atenção) mas pelo que pude ver nesta ficção, a mulher, a «líder contra» e as que estavam com ela, eram mulheres muito inteligentes. Vê-se na forma como batalharam pelas suas convicções, por muito que não fossem convicções muito correctas.

Passaram-se mais de 40 anos, com muitas mais mulheres inteligentes a lutar. E, pelos vistos, pelas américas ainda há dúvidas que têm todos os direitos e deveres iguais aos dos homens.

Confere. É uma realidade algo desoladora. Vale que a série é bastante agradável de se ver. Há isso.

Sunday, February 28, 2021

filme do mês: Fevereiro '21

Que fazem vocês, pessoas normais, com o vosso tempo?

Confesso que já não sei o que é «normalidade». Lembro-me que era possível fazer outras coisas que não ver filmes e séries. Lembro-me que até havia pouco tempo para estes divertimentos. Mas não sei porquê. Não sei com que preenchia os meus dias, que parecem longos e impossíveis de preencher, mas que depois desaparecem muito rápido, como a comida no meu prato. Estranha coisa esta, que chamam de «dia a dia».

Precisei de dois meses apenas para ver tantos filmes como no «pior» ano do blogue. Precisarei de apenas um pouco de tempo para ver mais do que no pior ano, espero eu. Não tenho qualquer pretensão de quebrar muitos mais recordes este ano, mas não deixa de ser um belo começo.

Sobre o que vi, num mês em que meti-me a ver obras duma parelha emblemática (o que abriu uma porta para filmes antigos e que poderá trazer-me mais desgosto que alegrias), destaco Teen Spirit e Willy's Wonderland (por serem tão maus, que são bons), Uncle Frank e Monsters (por serem bons no que tentam fazer), Locked Down (por ser uma história na realidade em que estamos), Barb and Star... (pelo bom ridículo), Brightburn (pelo assustador que é), Map Of Tiny Perfect Things (pelos detalhes) e See No Evil, Hear No Evil (porque ainda conseguiu fazer-me rir).

O «filme do mês», por ser uma bela história, é Little Fish.

Friday, February 19, 2021

despachada: Godless


I was aiming for the other eye.

Premissa muito interessante. Para o espectador, entenda-se. Não para estas pobre pessoas. Uma povoação perdeu todos os homens num acidente na mina. Quase todos trabalhavam lá. Sobram uns donos de lojas mais velhotes e os xerifes. Para além das crianças e mulheres.

A restante população adapta-se. Um bordel já não faz tanto sentido existir, por exemplo. Ou melhor, algumas adaptam-se. Outras esperam que novos homens cheguem à povoação. Acontece que todas terão de arregaçar as mangas e pegar em armas e defender-se. Um bando de meliantes vem a caminho, prontos a levar tudo à frente, enquanto procuram o desertor que roubou-lhes o último saque.

Mini-série bem feita e com óptimos momentos, muito castiços. Quase faz pena que tenham deixado de fazer westerns.

Não faz nada. Westerns são horríveis e agora sim, definitivamente não há mais histórias para contar daquele tempo.

Friday, February 12, 2021

despachada: I Know This Much is True


Vimos o primeiro episódio. Precisámos dum pouco de tempo para digerir tudo o que se passou. A digestão não foi fácil. Demorou mais do que o expectável. No verdade, meses depois voltei só eu para ver o resto. E se pensava que o início era intenso, mal sabia o que me esperava.

É uma série cuja história e desenvolvimentos «pioram» de episódio para episódio. E falamos duma em que no primeiro episódio um dos personagens corta a própria mão. A partir daí é murro no estômago, atrás de murro no estômago. Não culminou num desenvimento que ambos previmos, felizmente. Por comparação com o resto, quase que se pode dizer que até acabou bem.

Não é o tipo de série ou história que procuro. Cada vez mais sinto-me melhor a ver coisas ou muito leves, ou escabrosamente miseráveis. Mas estas histórias têm a vantagem de nos fazer pensar «hey, ao menos a minha vida não é assim tão má».

Sunday, February 7, 2021

despachada: Looking for Alaska


Quem é que o John Green pensa que é para estar sempre a contar as mesmas histórias de dramas adolescentes, em cenários diferentes?

É um génio, é o que é. Não que sejam obras primas, mas é um nicho tremendo para fazer dinheiro, hoje em dia. Quem não teve a paixoneta inatingível adolescente? Quem não revoltou-se contra figuras parentais porque acreditava ter sempre a razão? Quem não teve fantasias de aventuras mais crescidas (não dessas... mas também, claro)? Quem não teve um desgosto nesta fase demasiado hormonal da vida, mais ou menos traumatizante?

São histórias que comunicam a todos nós.

E por «nós» entenda-se duma sociedada ocidental, classe média, maioritarimente caucasiana. Malta com guita agora. E com medo que a vida esteja a escapar-lhe, no fundo.

Sunday, January 31, 2021

filme do mês: Janeiro'21

Foi um mês em que tentei fazer coisas, mas acabei sempre por «bater na trave» ou no «muro» que apareceu sempre. Como tal, foi mais um mês onde instalou-se a letargia e pouco ou nada fiz. Tirando ver filmes. Refugiei-me neste(s) mundo(s).

Não há assim tanto para ver, mas começam a sair cada vez mais coisas nos serviços de streaming. O futuro para aí avança, com ou sem pandemia. Atenção que não acho que os cinemas vão deixar de existir, embora acredite que começam a diminuir números novamente. Começou-se algo que não acredito que vá parar. O Netflix vai lançar pelo menos um filme novo por semana, este ano. Só aí são 52. E eles continuam a comprar filmes que deveriam ter ido para cinema em 2020. A HBO Max vai passar a lançar todos os filmes grandes ao mesmo tempo que saírem (ou não) nos cinemas. A Warner, detentora da HBO e detida por um conglomerado qualquer, quer deixar de ser um estúdio dos artistas e passar a ser um grande do streaming. E a Disney é a Disney. Vão disparar cada vez mais conteúdos para o Disney+, seja Marvel, Star Wars, Pixar ou o novo Star, que sairá no final de Fevereiro e terá os conteúdos mais adultos Fox, que a empresa comprou. Ou seja, mesmo fechados em casa, cada vez teremos mais coisas para ver.

Voltando à «vaca fria», vi algumas coisas de jeito, mas não tantas como deveria, tendo em conta os números. Comecei a ver alguns «filmes de Óscares», antes de saber que o raio da cerimónia mudou para Abril. Despachei coisas que tinha há demasiado tempo em lista. Vi muita coisa com a minha senhora, pois estamos entre embaços grandes de séries.

Neste mês faço referência a Photograph, Big Time Adolescence, In the Shadow of the Moon, Promising Young Woman e The Vast of Night (por serem bons); Shadow in the Cloud (por ser tão mau, que é bom); Finding 'Ohana, Vaiana, Pixie e Magic Camp (por serem divertidos), mais The Three Musketeers e Sky High (por serem clássicos, para além de divertidos). Destaco Spontaneous como filme do mês, por ter sido uma alegre surpresa.

Sunday, January 17, 2021

despachada: People of Earth


Não terminaram a história, o que é uma chatice. Pensava que já não se fazia disto. Quem é que cancela séries a meio da história? Voltámos aos anos 90?

Foi um projecto estranho. Parece ser mais um daqueles que saiem do SNL, mas desta feita com um tipo menos conhecido. Acredito mesmo que seja um dos escritores. Não desconfio do seu trabalho nessa área. Já a representação não é para ele, o que é particularmente grave quando é o personagem principal e quase todos os outros actores são infinitamente mais talentosos e são relegados para papéis secundários.

A premissa é engraçada. Um grupo de «maluquinhos» que acredita em alienígenas e que foram raptados em momentos da sua vida. Juntam-se num grupo terapêutico para lidar com o trauma. Acontece que o «malucos» afinal têm razão e existem mesmo alienígenas a raptar malta, para um qualquer propósito que acabamos por não descobrir, porque como referi, o raio da série foi cancelada antes de explicarem as coisas.

Tem uns momentos engraçados, mas não passa muito disso. Só irrita não saber para onde iam com a história.

Saturday, January 16, 2021

despachada: Boston Legal


Denny Crane

Essas são as duas palavras de ordem. A repetição dos nomes, em especial da estrela que não era a grande estrela do enredo (esse era Alan Shore), é a piada recorrente que agarrou e manteve maior parte dos fãs. Uma coisa tão simples como dizer um nome sempre que possível, mas o certo é que funciona. A coisa levava sempre a que estivessemos à espera que acontece, tendo aquela dose de endorfina a disparar quando acertávamos num momento de entrada. Denny Crane. E nem era só esse nome, sempre que se repetia o da empresa era um fartote, com cada personagem a dar-lhe o seu próprio toque pessoal. Mais ou menos irritado, mais ou menos sério.

O certo é que Crane, Poole & Schmidt era um sítio instável para se trabalhar. Na vida real, entenda-se. Na série era um sítio onde quase tudo era possível fazer, para os personagens principais. No nosso mundinho havia mudanças constantes de elenco, mesmo durante a própria temporada. Houve uma mudança quase completa da primeira para a segunda temporada, por exemplo. O elenco mudou sempre, de temporada para temporada, servindo um qualquer propósito de bastidores, mas nunca respeitando o conteúdo, em boa verdade. O mais ridículo é na última temporada, onde deixaram de tentar dar lugar a minorias, e todo o elenco são os que mais popularidade tinham (e menos tom de pele, qual coincidência).

Tirando esta parte, os processos legais eram absurdos. Havia casos a acontecer no próprio dia, só para ficar resolvido num episódio. Rigor inexistente em qualquer um deles, tudo em prol do drama. Pior, toda a gente naquele escritório (todos ricos e bem parecidos, atenção) era solteira, tirando os que acabam a andar uns com os outros, algo que durava apenas um par de episódios, só para dar aquele boost de audiências. E se se tornassem um casal, então lá saíam pela porta pequena, para dar lugar a alguém mais interessante (vulgo solteiro e bem parecido).

Denny Crane

Todos os processos eram ganhos não por apresentarem mais argumentos ou provas mas, maior parte das vezes, por fazerem discursos mais apaixonados que os outros. E, demasiadas vezes, falando de coisas maiores e inquestionavelmente erradas, só por terem uma relação, mesmo que marginal, com o crime. Qual era a cena do raio do salmão criado em quintas, afinal?

No fundo, é uma série tão realista como qualquer outra das de David E. Kelly (estou a olhar para ti, 90210). Tem é mais piada que as outras e faz um serviço notável de «quebrar a quarta parede». Dou-lhes todo o mérito nestes dois pontos. Ou seja, se procuram humor - em especial o politicamente incorrecto -, é um bom sítio. Se querem ver casos legais, vão para outras paragens.

Denny Crane

Tuesday, January 12, 2021

despachada: Timeless


Devo estar agradecido. Eu e os fãs da série. Timeless acabou por durar mais tempo do que seria expectável e, felizmente, conseguiu terminar a sua história. Muito mais apressadamente do que o previsto, mas ao menos não ficou pendurada, como muitas séries canceladas antes do seu tempo.

Acredito que Timeless seria caro demais. Falamos duma série sobre viagens no tempo, para vários pontos da história (norte-americana, claro). Implicava muita indumentária, atores secundários e extras, para além de vários cenários diferentes por episódio. Seria um orçamento apenas suportado por audiências ao nível de GoT ou Lost.

A realidade é que Timeless foi uma boa série, infelizmente fadada ao insucesso, devido à questão financeira. Alguém terá mesmo arranjado uma máquina do tempo, no futuro, mudado o «passado» e garantido que ao menos teria condições para terminar o enredo.

Parece-me uma óptima utilização para tamanha tecnologia.

Monday, January 11, 2021

despachada: Little Fires Everywhere


Será possível que acabei esta mini-série a odiar todas os personagens principais. Talvez odiasse também as secundárias. Confere que odeio algumas. Necessitaria talvez de saber mais um pouco sobre as restantes, suponho. Acredito que viesse a odiá-las também.

Faço notar que «odiar» toda a gente não é necessariamente mau. Uma boa série provoca emoções fortes. Sejam boas ou más. Mas isto foi um bocado levado ao extremo.

Começamos a mini-série com um incêndio grande. A premissa é a tradicional «quem é o culpado». Voltamos atrás no tempo para o descobrir, sendo levados na história por duas mães, uma delas supostamente «perfeita» e outra menos convencional. Ao longo dos episódios vamos descobrindo que ambas são horríveis e fazem mal aos respectivos filhos, apesar de acharem que tudo do melhor fazem. No fundo, fazem o melhor que conseguem. O que, neste caso, não é assim tanto. Ambas são egoístas e levam os seus interesses ao extremo. São seres humanos, claro. Mesmo há um ou dois momentos em que não há comiseração suficiente no mundo para aceitar determinadas decisões.

Pelo meio os respectivos filhos procuram o apoio da outra mãe, que consideram ser melhor que a que têm. Mais um erro. Até que no final tudo «explode» nesse magnífico espectáculo que é um grande incêndio.

A série é boa, atenção. As interpretações e interações entre as mães e algumas das outras personagens é notável. É só mais um daquelas casos em que, vendo de fora, achamos sempre que faríamos melhor, que somos melhores que o que vemos no ecrã. O que nem sempre é verdade.

Friday, January 1, 2021

top dos filmes do ano de 2020


Que ano tão... 

Não vou adiantar-me sobre o que vivemos este ano. Quem sou eu para falar de algo tão trágico? Até porque que poderei acrescentar? Dou apenas o exemplo simples, de pequeníssima importância: fui uma vez ao cinema. Uma apenas.

Foi um bocadinho antes de tudo fechar. Foi uma óptima experiência, com um dos filmes que mais gostei de ver este ano. Foi apenas uma vez. Podia ter ido mais uma ou outra. Não havia muitas boas opções, mas havia coisas que queria ver, quando as salas reabriram. Tive medo. A verdade é essa. Não quis arriscar. E sendo verdade que abdicar de ir ao cinema está longe de ser a pior cena deste ano (muito, mas muito longe), não deixa de ser sintomático para um dos maiores problemas que ainda vamos enfrentar: o fecho de muita coisa.

Quando (se?) tudo voltar à normalidade, vamos ter muito menos salas de cinema disponíveis, assim como muito menos imensas outras coisas. Muito sítio, de várias áreas, vai fechar. Lojas, restaurantes, etc. Muita gente ficará sem emprego. Foi, é e continuará a ser, tudo extremamente assustador.

Como sempre, em vários momentos refugiei-me em filmes. Atingi o objectivo mestre que são os 200 filmes por ano. Tive dois meses com média dum filme por dia (curiosamente Maio e Dezembro, o primeiro e último mês da minha «aventura» mais recente no «sítio do costume»). Revi muita coisa (o que foi bom quase sempre) e forcei-me a ver coisas de menor qualidade (o que não foi bom quase sempre), porque este ano houve muito menos filmes para ver. Os estúdios guardaram quase todas as «armas» para quando tudo voltasse à normalidade. Vendo a coisa pela positiva, se tudo correr mesmo bem, teremos um 2021 em grande, com uma data de blockbusters.

Outro positivo disto foi a evolução dos serviços de streaming, que permitiu-nos ver grandes estreias no conforto e segurança (acima de tudo) do nosso sofá. O Netflix está um monstro ainda maior, a comprar tudo o que não tem como sair no cinema, mas precisa de ser lançado, com previsão de saírem filmes novos todas as semanas de 2021. O Disney+ superou todas as expectativas e é a grande aposta da empresa, que perdeu muito com os parques de diversões fechados este tempo todo (não tenho pena da Disney, atenção; continuam a ter mais dinheiro que todos nós juntos; indico apenas a realidade do que aconteceu) e foi uma das minhas alegrias este ano. A Warner chegou tarde à festa, para não variar, e está a tomar passos arriscados, que podem fazer ou desfazer a empresa e o HBO Max, em boa verdade. Para além de muitos outros, que ganharam o seu espaço.

Tudo isto foi uma pequena alegria para mim, no meio de tanta tristeza. Sou um gajo que gosta de ver filmes e séries, mas que também é muito comodista. Se puder ter serviços em que apenas tenho de clicar num botão para ver novidades, então serei alguém bem feliz. Mas, como toda a gente, também tenho saudades de ir a sítios, em especial a salas de cinema. Como todos nós, espero poder voltar a fazê-lo em breve.

Chega então de deambulações inúteis. A lista do ano - sem qualquer ordem específica - segue abaixo. Faço apenas notar que não incluí revisionamentos de comic book movies da Marvel apenas para não esticar ainda mais a lista, apesar de, para mim, serem sempre todos eles «filmes do ano».

The Farewell, Where'd You Go, Bernadette, Gisaengchung, Jojo Rabbit e The Trial of the Chicago 7 (pelos «prémios»)
Little Monsters, The Lovebirds, Palm Springs, The Broken Hearts Gallery, Love and Monsters, Band Aid, The Half of It, Dating Amber e Every Day (pela diversão em dupla)
Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn (único comic book movie da lista e a tal única ida ao cinema)
A League of Their Own, A Day At the Races, Go West, Working Girl, Scrooged, Big Business (revisionamentos felizes de clássicos)
Abominable, Ralph I e II, Croods I e II, Onward, Klaus, Soul (pela «animação»)
Jumanji: The Next Level
Captive State
One Cut of the Dead
A Rainy Day in New York
The Gentlemen
The Personal History of David Copperfield
Ruth
Imagine Me & You (único revisionamento de não «clássico», presente nesta lista pelo especial que é para o EuVejoFilmes)
Noelle, The Christmas Chronicles I e II (exemplificativos do óptimo visionamento adequado à época festiva em questão)

Thursday, December 31, 2020

filme do mês: Dezembro '20

Pimba! 31 filmes em 31 dias. Foi quase até ao último minuto. Claro que a temática que sobressai é o Natal. Duh! Que outra deveria ser? Filmes com o Coelho da Páscoa? Hum... Talvez para o ano. Não me parece má ideia.

Olhando para a lista, no entanto, não há assim tanta coisa que dê para destacar. Sim, gostei de ver os filmes de Natal com o Kurt Russell ou a Anna Kendrick, claro. Adorei rever o Big Business e o Scrooged. É uma lista extensa mas não com muita coisa boa. Até porque vi Tenet e WW84, supostamentes dois dos «filmes do ano», e... Que desilusão.

No entanto, vi dois colossos e não sei bem qual deve ser o filme do mês. Soul é um mega filme Pixar, cheio de mensagem, sentimento e inteligência, mas Klaus... Klaus é um excelente filme de Natal, que deveria ter recebido muito mais louros quando saiu. É um filme também todo ele cheio de sentimento e criatividade, perfeito para a época.

Por ter sido visto na altura perfeita, suponho que tem de ser.

Monday, December 21, 2020

despachada: Corporate


Que bela série!

Não estava nada à espera. Pensava que seria uma coisa meio tola, com com um ou outro bom momento. Não, é algo pessoal. Vê-se dedicação dos criadores para fazerem algo que lhes é querido. Está cheia de bons pormenores e tem «continuidade» até ao final. Não é uma coisa «episódica», como maior parte que anda por aí.

E o episódio da reunião é qualquer coisa de genial. Quem nunca esteve numa reunião destas, em que só apetece mandar toda a gente bugiar e sair dali para fazer qualquer coisa minimamente mais útil?

Havendo possibilidade, vejam Corporate. É bem fixe.

Monday, November 30, 2020

filme do mês: Novembro '20

OK, assim sim.

Não foram muitos, mas houve variedade, algumas boas surpresas e um par deles bem fixes. A escolha fica difícil, e não consigo deixar de mencionar clássicos como o Overnight Delivery, coisas «verídicas» e mais sérias como The Trial of the Chicago 7, The Boys in the Band ou Bad Education, ou mesmo os mais bem dispostos Band Aid, Save Yourselves, Love and Monsters ou The Broken Hearts Gallery.

O destaque vai para o filme que me leva a uma fase específica da vida, onde tentei (e consegui, de alguma forma) encontrar um espaço para dizer parvoíces. O «filme deste mês» é Imagine Me & You.

Saturday, October 31, 2020

filme do mês: Outubro '20

Chiça, se me vi aflito para escolher alguma coisa para destacar em Setembro, então em Outubro...

Terminámos o embaço duma série e fizemos um longo embaço (pouco episódios mas todos bastante extensos) doutra. Houve menos tempo para filmes, suponho.

Acima de tudo, por falta de opções, o filme do mês é Ruth.

Wednesday, October 28, 2020

despachada: Sherlock


Depois do sacrifício que a minha senhora fez em despachar a série anterior, tive eu de fazer um sacrifício e aceder a ver uma série que, por norma, não veria. Não tenho nada contra Cumberbatch ou Freeman. Longe disso. É mais por não morrer de amores pelo personagem ou por séries policiais.

Acabou a ter muito mais a ver com as relações pessoais, algo que o próprio personagem principal até repudiava, do que sobre os crimes e a sua resolução em concreto. Ou seja, acabou por ser uma novela, desta feita em contexto crime policial.

Mas viu-se bem, apesar de que cada episódio tinha a duração dum filme. A química entre os dois actores principais era óptima, providenciando mais momentos humorosos do que esperaria.

É uma série com notória qualidade. Quando assim é está longe de ser um sacrifício.

Friday, October 9, 2020

despachada: The 100


A série das frases. May we meet again. Your fight is over. For all mankind.

A série das decisões idiotas, em que todos os personagens fazem coisas completamente absurdas, desprovidas de sentido e, maior parte das vezes, simplemente fora do que o personagem à partida faria.

A série em que é quase impossível concordar com os «bons da fita», e muitas vezes nos vemos a concordar com os «maus da fita».

Eu só queria ver uma série longa, Com princípio, meio e fim. Algo no campo da ficção científica. Procuro algo assim desde que acabaram com o meu rico Stargate.

100 consta de muitas listas de boas séries do género, em especial das (poucas) coisas mais recentes. No final acabei por ter uma série com que a minha senhora embirrou do princípio ao fim. Não tanto pela história, com a qual estava OK. Embirrou com as decisões parvas e a despropósito de quase todos os personagens, em especial da Clarke, líder e personagem principal. Chiça, o que ela embirrou com a Clarke.

Não foi a única pessoa. Consta que há para aí bastantes fóruns a criticar a personagem. E têm razão para o fazer, porque há momentos por demais ridículos onde ela se contraria... várias vezes... por vezes no mesmo episódio.

Sendo uma série aceitável de se ver (maior parte dos problemas não me incomodaram, mas eu sou um gajo que aceita muita coisa), não deixa de ser supreendente que esteja em tanta lista. A minha teoria é que será porque tem uma coisa em comum com algumas das séries mais populares da última década: o final é estúpido.

Wednesday, September 30, 2020

filme do mês: Setembro '20

Não tenho muitas opções. Vi um número simpático de filmes, mas maior parte foram segundos ou terceiros visionamentos. Quase metade são dos que não posso destacar como sendo «do mês».

Os Ralphs e a sequela de Bill & Ted foram divertidos de se ver, mas a decisão final foi entre Argument e Enola Holmes. Ambos foram bom entretenimento. Destaco o segundo porque teve mais produção, suponho. Mas apenas e só por isso.

Monday, August 31, 2020

filme do mês: Agosto '20

Foi um mês com um número simpático de filmes vistos (e também de séries). Já fiz muito melhor neste período, noutros anos (é um mês conhecido por bater recordes), mas não deixa de ser melhor número que maior parte dos meses recentes.

O curioso é que foi muito díspare. Vi coisas boas e más. Despachei alguns que tinha para aqui há tempo, mas também revi antigos e descobri coisas que passaram-me ao lado nos últimos anos. Vi desde ficção científica a comédias românticas, passando por alguns outros géneros. Estou longe das minhas sequências/padrões que fomentei no passado recente.

Talvez seja reflexo dos tempos em que vivemos, em que parece que estamos todos um bocadinho em todo o lado do espectro de emoções. Esta miscelânea torna o destaque de um só filme muito mais difícil.

Gostei de Deidra & Laney Rob a Train, de Copperfield, 5 Bloods, Every Day ou I Kill Giants, para além de ter apreciado rever Nick and Norah's ou Anchorman. Acabo por destacar um dos revisionamentos, apenas e só porque levou-me a um tempo deveras longínquo, muito mais simples e inocente, onde ingenuamente acreditava na vida e no amor.

Tomem lá mais um pouco de Carly Simon a cantar sobre a nossa Working Girl favorita.

Saturday, August 22, 2020

despachada: I Am Not Okay With This


Terminámos de ver a primeira temporada há algum tempo. E, apesar da Netflix ter anunciado uma segunda, na altura, soube agora que cancelou a série por causa do raio do vírus. Está acontecer muito. O confinamento interrompeu toda a produção. Para retomar existem custos de testes que o canal de streaming não parece querer suportar, em demasiados casos.

E isto é o mais preocupante. O cancelamento duma séria como esta é apenas mais uma ocorrência como muitas. Milhentas outras séries foram canceladas que mereciam talvez mais a renovação que IANOWT. O verdadeiro problema é o precedente criado. Já não estamos a avaliar séries pela qualidade ou pelos resultados de audiência ou, mais relevante hoje em dia, o número de visualizações/likes/partilhas ou referências online. Sempre se juntou estas medições ao custo. Agora o que é apenas relevante é este último factor.

Para a Netflix parece que há demasido que não merece o esforço. Quem se lixa somos nós, que pagamos um raio dum serviço que cospe conteúdos ao sabor das preferências do dia, não lhes interessando nada se nós investimos tempo e dedicação a uma série, só para a vermos cancelada a meio da narrativa.

Avizinham-se tempos ainda mais frustrantes, pois parecia que caminhávamos para uma programação mais coordenada, com fechos de histórias acima de cancelamentos depois dos resultados. Agora espera-nos esta realidade miserável, com a qual «não estou OK», mas sobre o qual pouco posso/podemos fazer.

Sunday, August 16, 2020

despachada: Normal People


Drama for drama's sake.

É uma história de amor «à moderna», apesar de passar-se no passado. Ou seja, tudo muito trágico e fadado ao insucesso.

Um casal conhece-se no secundário, sendo ele relativamente popular e ela nem por isso. O que faz com que seja um amor proibido, já que o rapaz, sendo um adolescente «normal», teme que a sua reputação vá por água abaixo se alguém souber que estão juntos. Voltam a encontrar-se na universidade, onde as posições sociais invertem-se, gerando novos/velhos problemas. O certo é que são ambos muito inteligentes e sensíveis, apesar de serem ao mesmo tempo completos idiotas que não sabem o que fazer da vida. Têm uma ligação que vem com o tempo e com a intimidade partilhada mas, mais uma vez, não sabem que fazer com isso.

São nós e não são nós, sendo que sofremos por empatia e por querermos o melhor para eles. Às vezes somos os únicos, parece.

Saturday, August 15, 2020

despachada: Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.



A série que me fez pousar o telemóvel.

Todos nós temos esse hábito, hoje em dia. Já não chega a distração que a TV providencia. Para além de algo que se passa no ecrã maior, temos ainda de alimentar a nossa necessidade de mais estímulos com o ecrã pequeno. Comigo o vício começou quando precisei de desligar o cérebro a 100%. Ver um filme ou uma série deixou de ser suficiente. Havia sempre uma vozinha lá atrás a lembrar do que é preciso fazer, ou de tudo o que correu mal naquele dia/semana/mês/ano/década. Precisei de jogar jogos enquanto via coisas. Às tantas deixou de ser uma necessidade (melhores fases da vida, suponho), mas o hábito estava criado. Tento combater a coisa. Cada vez mais. E acho que tudo começou com Agents.

Agents surge no fim da fase 1 dos filmes da Marvel. Pegam no Coulson, trazem-no de volta à vida, e montam uma série à volta dele e da S.H.I.E.L.D. No fundo decidiram fazer uma espécie de extensão para o que já era o Coulson nos filmes: uma ligação entre vários elementos, para além de levar o espectador a assistir a algumas origens. Nada disto entusiasmava-me por aí além. Gostei de Coulson nos filmes, sim, mas a sua morte tinha servido um propósito. Para mais, nunca fui fã das histórias de espionagem e afins da agência. Não haveria muito para mim em Agents, mas eu sou uma p#t@ da Marvel. Tenho de ver tudo, né?

A primeira temporada é um pouco enfadonha, até que levam ao twist que, ainda por cima, estava interligado com o Winter Soldier. OK OK. Se vão meter os filmes ao barulho, estou nessa. Foi fogo de vista. A ligação entre TV e cinema tornou-se cada vez mais ténue. E toda a trama da série era muito light. Até que...

Lembro-me perfeitamente. Skye passou a ser uma agente a série, e não só uma sidekick engraçada. E passou a arrear porrada. Estava eu deitado no sofá, com o jogo de todos os momentos parados no telemóvel, e dá uma sequência da Skye a derreter uma pandilha de gandulos, num laboratório pouco iluminado. Uma cena sequencial, com a câmara muito perto, com acção da boa.

Pousei o telemóvel e apenas estava focado na série, naquele episódio. A vozinha estava calada, provavelmente de boca aberta.

A partir daí comecei a apregoar a série a quem queria ouvir (quase ninguém) e a alguns que não queriam (quase todos). Tornei-me algo irritante. Mas as histórias só subiam de tom. Foi universos alternativos com a Hydra a mandar, futuros pós-apocalípticos, fim do mundo a cada virar de esquina. Tudo seguido. Tudo quase sem respirar.

Foi muito bom. Sempre que havia novo episódio tinha de ver. E quando soube que ia acabar, porque tudo o que está fora da supervisão de Feige tem de acabar ou voltar à casa mãe... Foi um momento triste.

Muito do que foi feito para TV foi uma porcaria. Quase tudo, em boa verdade. Mas Agents e Carter, as que saíram directas dos filmes, essas séries foram boas. Não sei como Agents sobreviveu. Carter não teve tanta sorte. Suponho que tenha sido apenas graças ao sucesso dos filmes. Mas ainda bem que sobreviveu, porque ajudou-me a começar a combater maus vícios e fez-me vibrar com uma série, algo que não acontecia há algum tempo, neste mundo de consumo exagerado em que vivemos.

Tuesday, August 11, 2020

despachada: The Newsroom


Volta e meia paramos para decidir que vamos ver a seguir. Eu tenho uma lista gigante de coisas que quero ver. Maior parte não são assim tão apelativas para o mundo em geral. E convém não ser sempre eu a escolher. E não sou, atenção! Fui acusado disso durante demasiado tempo, até que arregaçámos as mangas, contabilizámos quem tinha proposto o quê e, embora eu tenha mais propostas, a balança não está assim tão desiquilibrada.

Ganhei uma briga. Claro que vou falar dela na Internet, mesmo que só tenha um ou dois leitores.

Em vários destes momentos de ponderação, a minha senhora lá dizia «Não me importava de rever Newsroom, até porque não sei se vi tudo. Já viste?» Pfffff... Claro que já vi. Como é que pode haver série no mundo que não tenha visto? Que coisa tola de se pensar!

Confundi Newsroom com Sports Night. Em minha defesa, ambas são do Sorkin e sobre redações de noticiários de TV, embora em tempos e registos bastante diferentes. A minha argumentação não foi aceite. Foi mais uma das muitas brigas que perdi e perco regularmente.

Independentemente disto tudo, Newsroom é uma muito boa série televisiva, com excelentes personagens e um senhor elenco. Convém sempre ter muito presente que não deixa de ser completa e absoluta ficção. Não é bom as pessoas deixarem-se levar por este endeusamento dos jornalistas. A profissão, hoje em dia, está a milhões de anos luz do que é apresentado em Newsroom. Aliás, a série até bem que pode ser catalogada como «fantasia», juntamente com Game of Thrones ou Mandalorian.