Monday, May 2, 2022

despachada: Space Force


Série cancelada pela Netflix, sem grande surpresa. Não só porque o serviço de streaming anda a apertar o cinto, depois de terem apresentado números de perda de subscritores (vários projectos de animação foram cancelados, mesmo antes de começar, por exemplo), mas também porque era uma ideia para lá de rebuscada.

O presidente palerma que os norte-americanos tiveram (ainda é chocante que não esteja a referir-me ao Bush Jr.) às tantas terá dito que queria militarizar o Espaço. Algo do género. Talvez não isto, mas é o conceito parvo de gerir o Espaço, que não é deles, da mesma forma como gerem o seu próprio espaço. Ridículo, sim. Houve quem tenha pegado no conteito idiota e tentado fazer uma série. Mais, não foram pessoas quaisquer, mas a ideia veio da equipa que criou, com muito sucesso, o Office norte-americano. Mais ainda, conseguiram meter a mega-estrela, hoje em dia, Steve Carell ao barulho.

A Netflix mandou-se com todas as forças para cima deste projecto, à boa maneira como gerem o seu negócio. E terá funcionado. Sei de algumas pessoas que viram a série, que não teriam visto se não estivesse na Netflix. Acredito que tenha ajudado a angariar subscritores. Depois... Bem, depois, no final, é uma série cara demais, que não está a ter o sucesso esperado. Logo, nem esperaram pela fatídica marca das três temporada para matar o bicho.

E ainda bem. Era uma série fraquinha, infelizmente.

Saturday, April 30, 2022

filme do mês: Abril '22

Um filme por dia, em média poderia ser sinal de qualidade cinematográfica, este mês. Mas o facto de que maior parte são «revisionamentos» e que há também outro bloco de filmes «populares», que saíram este mês, que achei muito, mas muito fracos... Não foi um grande mês. Sinal disso também é o facto de que despachei muita série, na procura de melhor conteúdo.

De qualquer modo, os preferidos são Lethal Weapon (toda a quadrilogia, entenda-se), Eternal Sunshine... e Dan in Real Life. Tive ainda experiências agradáveis (outra vez) com Away We Go, Little Miss Sunshine e Roxanne. Vou escolher um filme novo só porque sim. Houve quatro fofinhos de se ver. Dog, Metal Lords, 7 Days e o «filme do mês», Moonshot.


Friday, April 29, 2022

despachada: Star Wars: Rebels


Bolas. Não é que o Simon Kinberg sempre fez algo de jeito na vida?

É um dos meus «ódios de estimação». Há uma história clássica dos X-Men, a da Phoenix, que o cavalheiro estragou não uma, mas duas vezes. Em ambas conseguiu ter influência directa no fim de sequências de filmes. Dantes só escrevia. Agora anda a realizar filmes que são lançados em Janeiro, o mês em que ninguém lança filmes. Não tenho problemas com malta que está a fazer um trabalho para o qual não tem qualificações. Acontece. Se se conseguem safar, ainda bem para eles. O que chateia é quando começam a lixar coisas de que gosto. Como é o caso de X-Men.

Mas nem tudo o que o rapaz fez foi mau, afinal. Rebels é uma óptima série, uma boa história Star Wars, com personagens muito, mas muito bons. Sabine, Hera, Zeb, Ezra e Kanan, que mesmo sem ter tido treino, já vi por aí dizer que foi dos melhores Jedi de sempre. Para além duma data de secundários, alguns dos quais vão decididamente aparecer nas próximas séries live action de Star Wars, e muitos outros que os fãs querem que apareçam nas próximas séries (estou incluído neste grupo). Rebels acrescentou coisas ao Universo Star Wars, mesmo sem personagens principais dos filmes. Deu destaque a outros e não perdeu mística por causa disso.

É verdade que as séries de animação estão sobre muito menos escrutínio que os filmes. Nas séries podem dar destaque a personagens femininas, por exemplo. Algo que nos filmes foi um problema para algumas «pessoas». Mas estes «críticos» que se lixem. O que Rebels e Clone Wars fizeram, este é o caminho de Star Wars. Como se vê com Mandalorian.

Comecei a ver as séries de animação com uma montanha de episódios à minha frente. Pensei que não ia terminar. Até pensei que ia desistir. Agora só tenho duas temporadas duma série terminada, mais duas séries que estão a decorrer. E sinto que é tão pouco.

Thursday, April 28, 2022

despachada: Detectorists


Detectorists... We're time travellers.

Sim. É uma série sobre detectores de metais. As pessoas, não os equipamentos. Talvez haja palavra em Português para descrever as pessoas. Não a sei. Aliás, essa é a piada principal recorrente da série.

- Are you metal detectors?
- You could say that.

Claro que é muito mais que isso. É sobre a actividade, também. É sobre estes dois caramelos, magistralmente interpretados pelos actores, e as suas vidas, numa pequena povoação. O grupo de «detectores de metal». As respectivas parceiras, que aturam e, maior parte das vezes, incentivam. As descobertas, às vezes. Sobre o tempo dispendido, maior parte delas. O que surpreende mais (ou talvez não) é que a série é, efectivamente, bastante boa. Simples, mas tem momentos deliciosamente cómicos, para além de imensos super ternurentos.

Foi uma óptima descoberta.

Sunday, April 24, 2022

despachada: Anne Boleyn


Parecendo que não, esta coisa de conseguir despachar séries como quem vê um filme, esta porcaria é viciante. Se tenho gerido bem o meu tempo, tinha ido à estação de camionagem fazer broc... Espera! Não não. Não é assim tão viciante. São vícios diferentes, mas sim, dá-me um kick de endorfinas ou serotoninas ou o raio. O cérebro começa a luzir e dá logo vontade de ver outra.

Se bem que não pode ser outra qualquer. Um gajo não pode saltar de «cavalo» para uns comprimidos reles que se encontram no fundo da mochila, que tanto podem ser Hydroticine de há 20 anos, como uma cena que alguém pediu para guardar. Porque é que estou a voltar a esta analogia? Eu nem sou destas m€rd@s!

Anne Boleyn terá sido uma grande personagem. Teve um impacto tremendo na História do país. A série não faz jus. E já agora, entrando na História em si, isto das mulheres do VII... A certa altura tinham de perceber ao que iam, não? A segunda mulher ainda se percebe que tenha alguma sobranceria. Suplantou a original. Não acredita que a «história se repita». Mas quando chegamos à quarta ou à quinta... As últimas não podiam acreditar que seriam mesmo a «última» esposa, certo?

despachada: A Very British Scandal


Esta não foi tão interessante como a anterior. Em ambas temos uma relação tóxica, com um sendo maior agressor. A diferença é que na primeira sempre havia uns idiotas engraçados e uma tentativa parva de homicício, enquanto que a segunda é «apenas» um divórcio. Em ambas há gritantes falhas de isenção no tribunal. O Estado, no alto do seu poder, claro que protege sempre o homem rico.

A série não é desprovida de interesse. Tem ótimas representações, assim como pormenores de história que vão surgindo muito bem. Não têm como efeito chocar, o que faz com que ainda sejam mais chocantes e cativem o espectador. É o formato britânico, que funciona bem. Também são ótimos a lidar com escândalos, como provam as duas mini-séries.

Sim. É ironia.

Saturday, April 23, 2022

despachada: A Very English Scandal


Não sei quanto está a ser óbvio, mas tenho despachado não só algumas séries pequenas, que comecei a ver recentemente, como outras que comecei há bastante mais tempo. Implica que... Bem, implica que tenho demasiado tempo livre, que não há filmes novos decentes para ver, mas também que estou «entre coisas». Ainda vejo uma série de animação Star Wars (porque ando obsecado, mas também porque são boas), assim como umas coisas soltas que dão periodicamente. Mas nada de «embaços» grandes.

Procurava algo curto para começar a ver, porque ainda não sei ao que quero dedicar-me. Corria a lista (bem grande) de mini-séries dentro da HBO Max. Há dois Scandals. Um British e um English. Comecei pela que saiu primeiro. São três episódios cada. É um filme grande, no fundo. Mas a ideia era começar hoje e terminar amanhã ou depois. Ver com calma. Digerir a coisa.

Foram os três episódios de enfiada. Porque Grant continua a ter o seu carisma, mesmo interpretando uma criatura vil. O assunto é interessante, embora termine pessimamente. E quem não gosta dum bom escândalo?

Amanhã lá terei de despachar a outra.

despachada: Último a Sair


Quando, numa série de humor, com humoristas presentes, as duas melhores e mais engraçadas participações são a Luciana Abreu e o Roberto Leal... Sem desprimor nenhum. Alás, o que deve verdadeiramente ser destacado é que foram o melhor da série. Sem dúvida. Mas, lá está, espera-se mais e melhor dos outros, não?

Esta nem é a questão mais premente. É que entre «a Gorda», o Unas a fazer de Africano, a «loira burra» e as demais personagens femininas clichês bidimensionais, e muitos, mas muitos outros assuntos «complicados», esta série é um grande problema só por si. Eu ouvi toda a gente a falar nisto, na altura. Muita gente citou cenas. Algumas apercebi-me. Outras não. A verdade é que não vi então. Sou uma besta elitista. Passa principalmente por isso. A outra «desculpa» (que não preciso, porque estou-me a marimbar) é que não vejo televisão há muito tempo. Vejo imensas séries. Sem dúvida. Mas não vejo com intervalos, publicidade, etc. Vejo bola em directo, na TV. Disso não me safo. Mas a única coisa que sinto falta é o zapping, em boa verdade. Moral da história é que não vi então, seja por que motivo for, e ver agora, estes anos todos depois e com tudo o que tem acontecido...

É complicado achar piada. Achei. Muitas vezes. A série tem muita coisa engraçada, sem dúvida. Mas há tanto momento que... 

Friday, April 22, 2022

despachada: Twenty Twelve


Afinaaaaal havia ouuuuutraaaa!

W1A não era série «original», mas sim uma sequela desta Twenty Twelve. São equipas diferentes e até há um par de actores a fazer papéis diferentes, em ambas as séries. Ou seja, é possível ver uma ou outra de forma individual. Mas porque haveria alguém de fazer isso? Há dois personagens principais nas duas, mais uns secundários. A base é a mesma. Equipas a terem reuniões descabidas e problemas, por vezes idiotas, por resolver. Uma data de gente que parece incompetente (e alguns são). Tudo a «arder» e quase «rebentando» no final, surgindo algumas soluções geniais de última hora.

Yes. No. Absolutely.

Tuesday, April 19, 2022

despachada: The Greatest American Hero


Mais uma que andava a ver há algum tempo. Tinha memórias dela, de miúdo. Era um super-herói na TV, numa altura em que pouco disso existia. Claro que vi em miúdo, mesmo que lembrasse-me de pouco. E sim, se não fosse a música no atendedor de chamadas do George, talvez nunca mais tivesse pensado neste Hero, mas a verdade é que essa piadinha «manteve a luz acesa».

Começo por frisar que o gajo do FBI tem de ser da família do Ryan Reynolds. Não têm o mesmo humor, mas têm uma data de tiques faciais em comum, em especial a boca. Ele não manda piadas, praticamente, mas a maneira como reagia às coisas lembrava-me sempre um dos meus Canadianos preferidos. Para além disso, é o que se espera duma série da época, deste género. Muitas desculpas para evitar cenas de acção ou mesmo efeitos complexos. A começar pela perda do manual de instruções do fato, que evitava que o rapaz voasse muito ou bem, ou tivesse total acesso aos seus poderes. Permitia ainda ter a porta aberta para mostrar poderes novos, consoante a necessidade do enredo, num episódio qualquer. Depois havia também muito dos clichês de então. A repetição das histórias, ou de como se desenrolavam. Os personagens secundários que iam adquirindo características ou conhecimentos necessários ao enredo. Pouca continuidade. Mas estava lá a fantasia que, na altura, foi suficiente para deslumbrar miúdos como eu.

Os últimos episódios até tiveram malta que tornou-se famosa. Mas nem isso terá safado a coisa. Tem ar de ter sido cancelada, embora talvez tenham tentado arrematar a coisa com uma última intervenção dos alienígenas. Tentaram ainda um spin-off com uma heroína que, estranhamente, não pegou no mercado Norte-americano. Que surpresa.

Fica a música do genérico. Sempre.

Saturday, April 16, 2022

despachada: Odisseia


OK, quando eu disser, vamos todos gritar bem alto aquilo que achei desta série. Vale? Vou dizer «1, 2 e 3», e gritamos todos «masturbação colectiva». Pode ser? Eu sei, não faz muito sentido um grito conjunto neste formato de blogue, mas é assim tipo só para ter mais impacto. OK? Então vá.

1

2

e...

3!

PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Os pis foram das partes com mais piada na série, em boa verdade. Não a única, mas das mais memoráveis. Depois as referências aos filmes conhecidos, o constante quebrar da 4.ª barreira, o «onanismo», os vários exemplos de «auto-felácio», o sexismo, etc., essas partes não curti tanto. Há ainda a questão das personas dos personagens principais. Nogueira alimenta muito este lado, de ser um gajo egoísta, arrogante, vedeta... Artolas, no fundo. Que em Waddington encontra um complemento para as atitutes que tem, ou acabam ambos por ter. Quão verdade é, afinal? Não pode ser tanto, ou não houvesse tanta gente que trabalha com eles. Ou sequer o estatuto que atingiram. Sim, é ficção, mas deparo-me com o mesmo problema que tenho, hoje em dia, com Seinfeld, por exemplo. Ou que tive com Curb Your Enthusiasm e derivados. É suposto estar a torcer pelos personagens principais? Custa.

Que não seja mal interpretado. Odisseia é uma série com muita qualidade, por muito que tenha demasiados momentos em que sinto que estou a olhar para um gato a lamber as próprias  partes baixas.

despachada: The Walking Dead


Walking Dead, a série original, ainda não acabou. Vi agora o último episódio, do segundo bloco, da última temporada. E estou completamente farto. Esta temporada começou no Verão do ano passado, muito tempo depois de ter sido anunciado que seria a última. Pausou em Outubro, retomando em Fevereiro. Arrastou-se até agora e, quando pensava que terminaria ante deste Verão, como maior parte das séries «normais», anunciaram nova pausa e datas para os últimos episódios, que sairão em Outubro deste ano. Mais dum ano para meterem no ar 24 episódios. Não há paciência! Em situação normal não haveria post. Seria simplesmente mais uma série que não «despachei» totalmente, que ficaria no esquecimento. Só que foram mais de dez anos e preciso dum sítio para explanar a frustração e irritação que esta série provocou em mim.

Como os seus «protagonistas», também Walking Dead, a série, arrastou-se até final, tardando em «morrer». Não foi só o exemplo acima, do prolongar desnecessariamente a última temporada. Creio que não terei sido o único a querer espetar algo pontiagudo na cabeça da série, em mais que um momento. Eu até fui bastante paciente. Os meus amigos, alguns verdadeiros fãs do género, há muito que desistiram. Eu passei por todas as sensações e métodos para ver Dead. A primeira temporada é óptima. Ou foi óptima, pelo menos. As seguintes são fixes, mas cedo percebeu-se que não habia fim à vista, que o objectivo único era espremer até à última gota. Houve temporadas que vi episódio a episódio, à medida que iam saindo. Algumas vi em bocados, guardando alguns episódios para ver mais junto. Houve outras que vi tudo de enfiada, e algumas souberem melhor assim, menos enfadonhas. Outras foi um massacre de cenas repetidas. Houve uma fase em que decidi focar-me mais na série de spin-off (série essa que não «despachei», porque desisti a meio). E às vezes soube mesmo muito bem ver Dead, ou Dead+Fear. Só que... Nunca era perfeito. E se aguentei até tão perto do fim foi por teimosia. As últimas temporadas são más demais. E esta, derradeira, até tem umas coisas fixes, mas que teriam sido tão melhores se têm surgido mais cedo, antes que estivesse tão saturado dos mesmos truques de narrativa de que abusam taaaaaaaaaaaaaaaaanto.

Tome-se como exemplo a imagem acima. Propositamente fui buscar uma da primeira temporada. Quase todos estes personagens estão mortos. Um par deles tem os filhos em cena, nesta fase. O principal «desapareceu», porque não era suposto morrer. O actor não renovou contrato, mas os criadores deixaram a porta aberta para que voltasse, caso mudasse de ideias. (Não mudou, já agora. Esperto.) Os únicos «sobreviventes» são os dois mais atrás na imagem. Se isto não é sinal que Dead está no extremo do recurso, não sei o que seja. São bons personagens, atenção. E eu gosto da ideia que malta secundária suba no ranking. Só que mesmo estes... JÁ NÃO HÁ NADA PARA CONTAR! SÃO DEZ ANOS! DEZ!!

Tenho pena. Porque gosto de zombies. Gosto de histórias de zombies. E esta deveria ter sido A série de zombies. Só que levaram a coisa a um extremo que não há como não odiar tudo, no final. Neste momento, odeio a série. E não quero ver mais um segundo desta ou dos spin-off, ou de que raio possam pensar mais à frente, para continuar a encher os bolsos das mesmas pessoas. Acabou-se. Já não luto mais contra as hordas. Deixo que me mordam, porque não consigo mais.

Sunday, April 10, 2022

despachada: W1A


Yes. No. Brilliant.

Fazer um drinking game com W1A seria equivalente aos cultos, com os seus pactos suicidas. Porque cada personagem tem as suas próprias falas, que usa múltiplas vezes, ao longo de cada episódio. Assim como todos têm várias em comum. E são ditas a velocidades extremas, durante várias reuniões onde nada acontece, apesar de muito ser dito. Muitas palavras, frases ou expressões, entenda-se. Conteúdo é zero. Esta série é, aliás, um tremendo exemplo sobre a futilidade de muitas reuniões onde toda a gente tem alguma coisa a dizer, mas onde ninguém acrescenta nada ou resolve quaisquer problemas. W1A tem ainda muito daquilo que consideramos ser o clichê britânico, de todos serem cavalheiros ou damas, nunca criticando nada abertamente.

Vi ainda W1A da mesma forma como foi o início do Gato Fedorento. Um conjunto de estagiários do canal, a escrever e produzir uma série, estando no local e usando os recursos disponíveis. Claro que W1A tem um orçamento bastante superior e um elenco digno desse valor. Todos são incríveis na maneira como lidam com as crises que vão surgindo na BBC. E há ainda uma data de parvoíces na série que serão claramente interpretações do que acontece na realidade.

W1A foi muito bom de se ver. Recomendo. Para quem gosta deste tipo de séries britânicas de humor, claro.

Thursday, March 31, 2022

filme do mês: Março '22

Na verdade, o que mais deu-me gozo ver foi Clone Wars mas, no meio do marasma cinematogrático em que vivemos, convém destacar Groundhog Day e Super Troopers (dois clássicos/comédias), a trilogia Espagnole, Russes e Chinois (porque foi muito bom aqui voltar), Batman: Hush, Turning Red, After Yang e The Unforgivable (por motivos diferentes). O destaque maior vai para o que o cinema de Hollywood deveria ser mais: Moonfall.

Sunday, March 27, 2022

despachada: Star Wars: The Clone Wars


Andava a ver esta série há bastante tempo. Talvez mais dum ano. O início não me agarrou. Era mais da parte secante das prequelas. Politiquices e lutas que não faziam qualquer sentido. Diria que as duas primeiras temporadas demoraram maior parte do tempo. Depois a coisa acelerou, muito há custa de Mandelorian, Bobba Fett e das ligações entre tudo. As últimas três temporadas devorei-as num instante. Duas, talvez três semanas. A última foi-se num par de dias.

A última temporada surge meia dúzia de anos depois da anterior. Os episódios estavam em produção quando a série foi cancelada, em 2014, já pela Disney. O «monstro» sabia do potencial e qualidade de Clone Wars, mas não queria que o seu sucesso beneficiasse terceiros. Natural. A última temporada serve assim para fechar o período entre Ep. II e III, mas também para introduzir projectos futuros. Para mim, o que fica muito presente foi ver mais um lado do fatídico dia da Ordem 66, desta feita pelos olhos da personagem incrível que se tornou Ahsoka Tano.

Da mesma forma que Clone Wars serviu para tornar mais verosímel e completa a transição de Anakin, do lado bom para o lado mau da força, também eu passei por uma transição. Passei de tipo que gosta de Star Wars (fã da trilogia original, do resto «acho fixe»), para o tipo que vê vídeos sobre a história de personagens secundários de séries spin-off de animação. Ando um nerd de Star Wars autêntico. E não ajuda que ande a comprar roupa interior com a tromba dos stormtroopers.

Isto foi o pormenor importante de ver Clone Wars. Não a roupa interior. O universo expandiu. Os nove filmes são sobre os Skywalkers. E a verdade é que a família não é assim tão interessante. Às tantas fartámo-nos da novela. Ou melhor, pensávamos nós que estávamos fartos da novela, quando na verdade estávamos fartos dos mesmos personagens, que no meio duma galáxia (que tende a ser uma área relativamente grande) estavam sempre em todo o lado e metidos em tudo. Acabou por tornar-se algo estapafúrdio. Clone Wars começa focado nos mesmos Anakin e Obi Wan, mas depois dá-nos Rex, Fives e tantos outros clones, dá-nos Ahsoka (obrigado), Ventress, Bane, entre outros, mais os Mandalorians, com a sua mui rica história. E, de repente, Star Wars é tanto mais que três trilogias.

Agora vamos entrar nas teorias e um pouco na desconstrução dos Jedi e, em particular, do famigerado Yoda. Isto não vai ser fácil de explicar e até é demasiado longo, mas estou em modo «falar de nerdices», por isso temos pena. Os meus primeiros pensamentos, ao ver Clone Wars, foram acerca dos cargos dados aos Jedis e mesmo ao Sith. Achei tudo exagerado. Os Jedi são «generais» e os Sith «Supreme Leaders». Que parvoíce. Quem é que deu estes cargos a palermas que aparecem do nada? Muita gente na galáxia nunca viu, ou acredita sequer, nos Jedi, por exemplo. Claro que, parando depois para pensar, tinha ouvido estes cargos nos filmes. Não era novidade. Então porque fez-me confusão desta feita? Foi um pouco porque há muito mais batalhas e interacção entre os Jedi e o exército de clones. E não é só o Anakin, o Obi Wan ou o Yoda. Há mais Jedis a comandar. Mesmo percebendo que não era só uma coisa da série, mesmo sabendo que já tinha ouvido tudo isto antes, continuava com uma sensação de desconforto. Que se calhar também tive nas prequelas e não me recordo, ou não me apercebi. Foi muito confuso e distraía-me demasiado do resto da acção.

Até que vi este vídeo do Screen Crush, que destruiu a visão que tinha. De tudo! A culpa da guerra, do fim duma era, dos Sith ganharem e do Império existir, é tudo culpa dos Jedi. Em especial (e atenção que isto é particularmente polémico) do Yoda. O Yoda é o culpado de tudo! O vídeo explica muito melhor do que eu alguma vez conseguirei aqui por escrito. Mas a verdade é que os Jedi eram peace keepers. Uma espécie de monges que, se fosse necessário, intervinham para defender os inocentes de meliantes. Esta é a palavra fulcral: defender. Não «atacar», «liderar», «arquitectar» ou «lutar». Os Jedi não são suposto ser generais de guerra. São suposto ser mestres da força, uns com o universo e todas as suas criaturas. Foi o Yoda, enquanto líder dos «monges», que decide ser a liderança das tropas da República. Foi uma distração que estupidamente aceitou, que permitiu ao Imperador fazer o que queria nas suas costas, e criar o Império. Há demasiado momentos em que Yoda foi avisado (do chip nos clones e que foram os Sith a encomendá-los; do Anakin a pender para o lado negro; por uma padawan que disse, com todas as letras, que era errado o que estavam a fazer; pelo fantasma do Qui-Gon!) e o marreta verde ignorou tuuuuuuuuuuuuuudo. Por ego. Porque queria ganhar a guerra. Por egoísmo. Porque não queria voltar atrás na decisão errada que tomou no início.

Atenção que isto não me faz odiar os Jedi e nunca, mas nunca, conseguirei não gostar do Yoda. Esta maneira de ver as coisas não estraga em nada a forma como vi e vejo as trilogias. Simplesmente dá-lhe mais volume, mais camadas. São humanos. Quer dizer, o Yoda não. Nem se sabe bem o que é o Yoda. O que quero dizer é que são criaturas sencientes, capazes de grandes feitos, mas também de erros graves. A verdade é que esta nova percepção só faz com que queira ver os filmes outra vez, com novos olhos. Que queira e que ande a ver todas as séries de animação que estão na Disney+. Que queira devorar tudo o que existe sobre a galáxia, que existe far far away.

Que seja bem claro, independentemente de ver agora que o Yoda não é assim tão esperto, may the force always be with us. Ou pelo menos comigo. Vocês façam o que quiserem da vossa vidinha. Toda a gente é livre para escolher o que ache o melhor para si. Mesmo o Yoda pode escolher não tornar o Anakin mestre e, também com isso, criar um dos maiores vilões da história. Cada um sabe de si.

Sunday, March 6, 2022

despachada: Empire Falls


O Josh Lucas faz o personagem de Paul Newman, mas em novo. Se há coisa mais insultuosa no mundo, não conheço.

Os Americanos bem que gostam destas novelas de terra pequena e charmosa. Na verdade, não tem assim tanto interesse. É mesmo só cusquice. O tipo casado rico tem um caso com a mãe solteira. Xiiiiiiiii, que caso tão pouco original e relevante!

Ed Harris é um íman sexual, mesmo tendo o cabelo demasiado grande dos lados, a certa altura. Sim, foi um aspecto particularmente assustador. Parecia um boneco tipo Chucky, em que alguém rapou a parte de cima da cabeça. Aterrador. Mas dizia que Harris tem todas as moças da cidade atrás dele, sejam novas, velhas, casadas, noivas ou solteiras. Todas, menos por quem Harris tem um fraquinho. É sempre assim, não é? A história não é esta, atenção. Passa mais por Harris ir descobrindo, inadvertidamente, a história da sua família. Em concreto detalhes sobre a vida da mãe.

Sim, ela era mãe solteira e teve um caso com o marido rico da família que era e é dona da cidade.

Uau! Que escandaleira!

Thursday, March 3, 2022

despachada: Lambs of God


Três freiras vivem numa ilha, completamente isoladas do resto do mundo. Vivem num convento que a igreja não tem ideia de existir, mas que está lá há algum tempo. No passado terá sido algo mais conhecido, mas que os padres tinham ideia de ter acabado. Como em tudo no mundo, a igreja católica é bastante machista e não quer saber do que um par de freiras estão a fazer no meio de lado nenhum. Até que os homens querem vender o terreno. Há uma cadeia hoteleira interessada em ter ali mais um dos seus hotéis. Assim, depois de anos e anos sem visitas de homens, um padre aparece certo dia, para analisar o terreno e virar a vida destas senhoras de pernas para o ar.

Dito desta forma até parece ser uma coisa cómica. Não é. O padre não morre, pelo menos umas três ou quatro vezes, não sei bem como. A mini-série tem quatro episódios e, no final de cada um, eu estava certo que o padre tinha ido desta para melhor. E depois há as histórias das freiras. Uma delas nasceu e cresceu no convento, pelo que não tem grande ideia de como é a vida fora dali. As outras duas vieram do «mundo exterior», cheias de traumas e zero pertences, à procura dum sítio onde possam refugiar-se. Esse foi o grande propósito do convento, ao longo dos tempos. Oferecer um refúgio para mulheres traumatizadas por homens. Fosse este um sítio mais conhecido e estou certo que cedo deixaria de ter espaço para mais pessoas.

Boa história. Boa narrativa. Gostei de ver. Mais do que esperava. As imagens de promoção da série são aterradoras.

Monday, February 28, 2022

filme do mês: Fevereiro '22

É o mês mais curto do ano, mas costumo sempre safar-me em termos de números. Por dois motivos. Primeiro porque está um frio de cornos lá fora. Implica mais tempo de sofá. Segundo, Hollywood começa a lançar coisas decentes, depois do marasmo que costuma ser Janeiro.

Note-se que a tendência será para mudar. Dantes Janeiro era o mês sem dinheiro, por causa de Dezembro. Como tal, os lançamentos cinematográficos eram poucos ou fracos. Regra geral os estúdios despacham o lixo que têm em carteira. Só que agora há serviços de streaming. O pessoal está em casa e paga o serviço mensal ou anualmente. Porque não lançar umas coisas nesta altura?

Se em termos de números foi OK, em termos de qualidade teve altos e baixo. O mês começou fraco, sem muitas opções. Depois surgiram umas novidades de qualidade. E no final recorri a revisionamentos vários, com resultados diferentes. De qualquer modo, voltam os blockbusters (Uncharted), foram vários os revisionamentos prazerosos (28 Days Later..., Inside Man, Five-Year Engagement, 21 Jump Street e Frequently Asked Questions About Time Travel) e houve projectos bem feitos, de melhores ou piores assuntos (Marry Me, Fallout e Mass). O filme do mês é I Want You Back porque é sempre bom ver que ainda dá para fazer boas comédias românticas.

Wednesday, February 23, 2022

despachada: Feud


Feud é uma mini-série de oito episódios. Ao segundo já ambas tinham ameaçado sair d'«o grande filme» três vezes. Cada uma. Um par de episódios depois e o filme terminava a produção. Isto a meio da mini-série. Que mais há para contar? Bem, há o episódio dos Óscares.

Crawford não estava nomeada para nada. Davis sim. Pelo filme que fizeram juntas. Primeiro Crawford desesperou, depois procurou aconselhamento com uma amiga jornalista. As duas maquinaram a coisa. A actriz fazia de «polícia boa» e dizia bem das actrizes concorrentes ao prémio. A jornalista era a «polícia má», que dizia mal da actuação de Davis a torto e a direito. Mas não se ficaram por aqui. Ao mesmo tempo, Crawford falou com as duas actrizes mais fortes, que deveriam ganhar. A ambas «ofereceu-se» para aceitar o prémio, caso elas ganhassem e não pudessem estar presentes. Na verdade, a uma convenceu que o melhor era não estar. Com a outra teve sorte, que ela não podia estar, de qualquer modo. E, assim, Crawford recebeu o prémio de melhor actriz, em plena cerimónia, sem estar nomeada. Consta que a estatueta poderá, ou não, ter sido entregue à respectiva dona.

Now that is sum gangster sh#t right there.

Foi uma bela rivalidade, que depois os criadores desta série tentam romantizar, como se as duas pudessem ter sido grandes amigas. Sim, tinham imenso em comum e teria feito mais sentido estarem juntas contra uma indústria que as maltrava, em vez de estarem sempre à briga uma com a outra. Vão lá dizer isso ao Ronaldo e ao Messi. Não é assim que as coisas funcionam. Elas não se curtiam. Nem com molho de tomate. Siga. Não é preciso embelezar a coisa.

Monday, February 14, 2022

despachada: M.A.S.H.


Estou há mais dum ano a ver esta série.

Não é por ser má. Longe disso. Aliás, quando comecei a vê-la estava convencidíssimo que ia desistir. Só que depois aparece o Alan Alda, em constante homage a Groucho Marx. O próprio admite-o, logo nos primeiros episódios. E se há coisa que não consigo resistir é um palerma constantemente a mandar bocas mordazes. Então porque demorei tanto tempo? Porque ainda são 11 temporadas. Mesmo sendo em «formato sitcom», é um investimento enorme de tempo. E como era habitual nestes tempos - como é ainda habitual para muita série, em boa verdade -, M.A.S.H. tem um formato que repete-se muitas e muitas vezes.

Tinham, por exemplo, episódios em que um personagem enviava uma carta a familiares. Nesta relatava episódios recentes, o que acabava por ser uma outra forma de narrar a história durante o episódio. Quando vi muito da série de seguida, às tantas estes episódios cansavam. Imagino que ver um por ano / temporada não fosse tão repetitivo. E por isso também eu precisava de algum tempo de paragem, volta e meia. Para digerir e poder apreciar melhor a série. Porque a verdade é que M.A.S.H. é muito bom. Ou não tivesse 11 temporadas e tenha quebrado o recorde de audiência quando o último episódio foi para o ar. Fora as repetições e algum humor básico, tem coração, mensagem e é bastante inteligente no que procura fazer. Para além de ter tentado quebrar algumas barreiras, pontualmente.

Fora isso, foi giro ver tanta estrela a aparecer, antes de serem «estrelas»: Mr. Myagi, George Wendt, John Ritter, Mary Kay Place, Jeffrey Tambor, Joe Morton, Blythe Danner, Brian Dennehy, Laurence Fishburne, James Cromwell, Ed Begley Jr., Shelley Long, Barry Corbin, Patrick Swayze, John Wesley Shipp, Joe Pantoliano, Andrew Dice Clay, Jeffrey Tambor, Xander Berkeley, Rita Wilson, entre tantos, tantos outros.

Gostei de ver M.A.S.H. Gostei de ter a companhia de M.A.S.H. durante este tempo todo.

Friday, February 4, 2022

despachada: Defending the Guilty


Seis episódios apenas bastaram. Não sei se foi cancelada, ou se era o objectivo, mas foi uma história bem contada, de forma sucinta.

Quatro «pré-advogados» estagiam e concorrem para uma única vaga, para serem finalmente advogados. Como tal, estagiam com séniores, fazem trabalho de sapa, são desiludidos pelo processo e pela lei as primeiras vezes, perdem ou ganham casos, envolvem-se com jurados, colegas, fornecedores ou clientes. Não muito diferente de qualquer outra carreira, suponho.

É o processo final desse estágio. A tensão é elevada. Pior, a concorrência começa a levá-los a tomar atitudes com as quais alguns não sabem se conseguirão viver. Alguns. Poucos. O tipo principal, vá. Mas claro que consegue viver com isso. É um simples processo de crescimento. Percebemos que o mundo é cinzento. Nós também. É dessa forma, nesse local, em que todos vivemos.

Quase todos.

Thursday, February 3, 2022

despachada: Catherine the Great


A mulher fez tanto, mas bora lá focar uma série numa relação que ela teve (de muitas). E sim, poderia estar a falar de Mirren ou de Catherine The Great.

Quantas séries destas existem? Na HBO estão pelo menos duas, mas sei que há mais por aí. Imagino que os Russos tenham feito algumas também. Espero que sim, pelo menos. A mulher tem um currículo invejável. Merece destaque. Mas esta mini-série... Mirren está incrível, como sempre. Nunda defrauda expectativas. Os cenários e fatos, tudo óptimo. Tenho dificuldades com algumas escolhas do casting. A certa altura começaram a parecer todos muito iguais, os vários rapazes encontrados para saciar os desejos e necessidades d'A Grande. Mas o meu verdadeiro problema é no enfoque numa relação que em pouco afectou tudo o de bom que ela fez. OK, foi uma pessoa importante para ela. Fixe.

Então e o resto do seu dia, como foi?

Monday, January 31, 2022

filme do mês: Janeiro '22

Há cerca de ano e pouco, estava eu a perder imenso tempo a fazer o post de melhores filmes vistos em 2020, e decidi que estes posts de «filme do mês» deveriam ter uma selecção maior, de modo a ajudar-me depois com o post de fim do ano. Acontece que o feito há um mês atrás demorou tanto ou mais tempo que no ano anterior. O maior problema é que agora... Agora já estou a fazer estes desta forma. Não dá para voltar atrás. Pelo menos enquanto tiver tempo para os fazer.

Pois bem, havendo tempo, hoje em dia, revejo coisas populares (Planet of the Apes 1, 23, mais Matrix 1, 23), vejo alguns blockbusters em atraso (Ghostbusters: Afterlife, Don't Look Up, Matrix Resurrections), encontro ainda algumas coisas fofinhas por aí (Tender Bar, Mixtape) e sou surpreendido por twists (Language Lessons, Last Night in Soho, Red Rocket).

Dou destaque maior a Verdens Verste Menneske porque não via algo assim simples, embora complexo, há algum tempo. Isso e sinto que «descobri» um realizador novo. Não descobri nada, na verdade. Ele anda nisto há anos e Menneske está em todas as listas ou de «melhores filmes de 2021», ou «melhores a sair em 2022» (em mercados específicos, que só agora compraram o filme).


Monday, January 17, 2022

despachada: PEN15


Esta série surpreendeu em vários sentidos.

OK. Foi uma boa maneira de começar o texto. É uma frase que cativa a atenção. O resto não vai estar à altura. Estará num nível baixo, como é hábito. Hey, não quero que ninguém saia daqui enganado(a). Só isso.

PEN15 foi uma daquelas séries que vi em todo o lado. Todo o lado online por onde «ando», pelo menos. A malta que sigo terá empolgado a coisa. Parecia ser a última Coca-Cola no sítio com areia. Conhecia uma das criadoras doutras paragens. Poderá ser alguém em ascenção, mas o tempo logo o dirá/provará. A série é algo no género de Big Mouth. Ambas terão sucesso pois falam das agruras duma idade específica que, pelos vistos, fala muito aos Americanos de certas gerações. É a idade em que nem é carne, nem é peixe. Começas a deixar de ser criança, para ser adolescente, mas ainda não estás lá. Pre-teen. Middle school. Nós não temos estes conceitos. O pré-adolescente talvez, mas mais como uma referência do que aí vem, na verdade. Uma espécie de «winter is coming» para pais.

Falo eu do alto do meu pedestal, que tenho tanta experiência e conhecimento disto, como de plantar batatas ou escultura no séc. IX.

Porque digo então que a série surpreendeu? Primeiro porque foi louvada por muita gente. Porque elevou a narrativa dum período traumático (para alguns) para série «real» e não de animação, como Big Mouth. Com todos os riscos que isso implica. Eram duas adultas no meio de miúdos, a agir como eles, de igual para igual. É óbvio que usaram duplos adultos para as cenas mais sexuais, mas mesmo assim foi arriscado. Porque parecia destinada a ter alguma duração e deixar um marco. E porque, no final, foi cancelada/terminada após apenas duas temporadas.

Não tenho informação suficiente porque acabou. É possível que tenha a ver com a pandemia. A segunda temporada foi interrompida e demorou bastante tempo a retomar, como muitas outras séries. Poderá ter complicado as coisas. Ou então alguém achou que, efectivamente, era demasiado ter duas adultas a agir como adolescentes. Embora, convenhamos, o que não falta por aí são adultos/crianças.

Por fim, a mim supreendeu-me pois esperava uma série mais comédia tonta, e acabou por ser para pensar e lidar com traumas. Não foi uma má surpresa. Acabei por achar «piada» à série. Mas começa a ser difícil encontrar algo bom, que seja só mesmo para rir e não me obrigue a analizar os meus traumas enquanto criança, adulto ou apenas ser humano. Quero tempo descontraído no sofá e não de psico-análise. É pedir muito?

Sunday, January 9, 2022

despachada: The White Queen


Cá está então a prequela da outra série que vi, que não é prequela nenhuma. Simplemente vi fora de ordem. Vi a sequela antes do original. Foi chato. Houve coisas em Queen que nada surpreenderam (e era suposto), pois já sabia o que ia acontecer em Princess. Ou se lesse um livro de História, suponho.

Não deixou de ter piada. Porque mesmo sabendo o resultado final, foi engraçado de se ver como chegaram lá. Uma espécie de saber que a tua equipa ganhou 5-0. O resultado não será supresa e até sabes em que minutos foram os golos, mas não deixas de querer saber como foram as jogadas que os deram.

Queen e Princess sofrem do mesmo problema. Demasiado tempo e narrativa passam, sem que os personagens mudem sequer de penteado. Um rei e rainha têm seis filhos, mas o penteado dela ou a barba dele mantêm-se exactamente com o mesmo tamanho. Os vestidos são genericamente os mesmos, ao longo de décadas. Não há sequer um cabelo branco. OK OK, naquela altura toda a gente morria antes de ter cabelos brancos. «Velhos» era gente que tinha 30 anos. Eu estaria morto há muito tempo. Mesmo assim. As pessoas mudam um bocadinho de aspecto. Especialmente se estiverem envolvidos em guerras e afins. Tira um pouco o «realismo» à coisa. Perdemos noção de urgência ou continuidade.

O único momento em que houve alterações de aspecto foi quando mudaram os actores da primeira para a segunda série, de Queen para Princess. Os personagens são os mesmos. Os actores é que não. O que até é algo parvo. Se têm mantido o elenco, ao menos assim os personagens/actores envelheciam um pouco. Mantiveram uma actriz, vá. O resto foi questões de contratos/salários?

Wednesday, January 5, 2022

despachada: Insecure


Em certas questões, a série deu uma volta de 180º, desde o princípio ao fim. Não foi um desenrolar que tenha gostado muito. Mas houve muitos outros que gostei bastante.

Quis ver Insecure pelos motivos errados. Conhecia uma das actrizes, produtora e escritora da série, dum episódio de The Characters, da Netflix. Foi das melhores dessa série, senão mesmo a melhor. Achava eu que Insecure seria uma série cómica. E é muito divertida, em variadíssimos momentos. Issa Rae tem vários talentos, e um deles é ter piada. Mas não é uma série cómica. É uma série inteligente, com vários momentos de humor, também eles bem espertos. Segue um período na vida dum grupo de mulheres, com Issa à cabeça, em que passam pelos momentos da vida que todos passamos. Amor, desgostos deste, perda, traições, ambições, desiluções, sucessos e tudo mais. E passam ainda por outros momentos que nem todos passamos. Momentos que homens não passam, de certeza. E momentos que caucasianos não passam.

Não é o principal. Não é só uma série sobre questões raciais. Mas também é. Porque é algo muito presente na vida de muitas pessoas.

Gostei de Insecure em maior parte do seu todo. Houve partes que não eram claramente para mim. E é OK. Não faço questão alguma que tudo seja para mim (excepção feita a bolos de chocolate). É efectivamente uma boa série. Ainda há dias vi-a numa lista de melhores séries da HBO, bem lá no topo, na companhia de Veep ou Sopranos. Confirma-se assim que não sou o único a dizê-lo.

Saturday, January 1, 2022

top dos filmes do ano de 2021

Sinto que este post será já uma espécie de tradição. Pelo menos para mim. Mas mais do que relembrar os filmes que vi (que também faço), acabo sempre por reler estes posts anuais. E, se por um lado ajuda-me a relembrar filmes que gostei mas dos quais já não tinha qualquer ideia (é para isso que servem estes blogues, na verdade), acontece que acabo também por relembrar o que foi a última década e pouco.

Era um tipo bastante negativo, até que coisas verdadeiramente deprimentes aconteceram e puseram tudo em perspectiva. Contrariamente ao que sempre pensei que pudesse acontecer, a verdade é que cresci alguma coisa nos últimos cinco anos. Ali a partir dos «horrores dos horrores», procurei ver mais o positivo e não tanto o negativo. Sobre a vida, atenção. Continuo e continuarei a «adorar» ver filmes de m€rd@ e a cascar neles como puder. Se bem que o post do ano passado... Chiça, que estávamos todos num burado gigantesco. Não, a economia não está brilhante. Sim, alguns cinemas fecharam e, quiçá, poderão ainda alguns vir a fechar. Mas o mundo não terminou. Felizmente.

Assim, choraminguices à parte, este ano foram 301 filmes vistos. Nas salas de cinema vi... Não vou dizer números, para alguém que não interessa não se meter a fazer matemática que possa lixar-me. Foram uns quantos em plena sala de cinema. E souberam-me pela vida. Foi das melhores coisas que voltei a fazer. Podiam ter sido mais. Deveriam ter sido mais. Mas o comodismo, o preço dos bilhetes e ter três serviços de streaming (houve um quarto em fase trial, a certa altura) que permitem-me ver coisas no sofá, só clicando em apps no telemóvel... jESUS, que momento bonito das nossas vidas. Fora testes constantes de COVID, gente ainda a morrer, outra gente a recusar-se a ser vacinada (e a morrer), o Benfas que não ganha nada a não ser novos processos em tribunal e muito tragédia, constante, diária, em todo o lado. Tirando tudo isso, adoro que o streaming seja um negócio, que até para mim é rentável (não financeiramente; não vamos pensar nisso, que fico deprimido, porque se há coisa que nasci para ser é utilizador destes sistemas).

O ano foi porreiro. Não teve stresses de maior. Só os do costume. E vi taaaanta coisa. Filmes e séries. Muito lixo. Muito revisionamento porque... (Ver frase anterior do que há muito por aí.) E vi Marvel! Bué Marvel. Depois de 2020 na secura, voltaram com tudo do ano passado, mais umas coisas adaptadas ao universo pandemia em que vivemos, mais o que era suposto sair este ano. Foi quase tudo espectacular. E a tendência é para crescer. Porque o modelo de séries na Disney+ é para continuar. Todo eu sou uma criança rejubilante.



Assim sendo e procurando não alongar-me muito (too late), fica abaixo a famigerada lista dos filmes que mais gostei, vistos neste ano que passou.

- Spontaneous (Jan.), Little Fish (Fev.), Boss Level (Mar.), The Mitchells vs. The Machines (Abr.), Post Grad (Mai.), Raya and the Last Dragon (Jun.), Bem Bom (Jul.), Free Guy (Ago.), Vacation Friends (Set.), Dune (Out.), Serenity (Nov.) e Last Train to Christmas (Dez.) foram os respectivos «filmes do mês», por motivos diversos. Atenção que alguns não pelos melhores motivos. É o que é.

- Man of SteelBatman v Superman: Dawn of Justice e Justice League (revisionamentos, em preparação para «malhar» no Zach Snyder's Justice League).

- Black Widow 1.ª e 2.ª vez, Avengers Infinity War e Endgame (pela enésima, mas longe de ser a última vez)Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings 1.ª e 2.ª vez, Eternals, Spider-Man «Home Trilogy» I, II e III (desta feita segue lista toda de filmes Marvel (bons, entenda-se) que vi, para além das séries Disney+ WandaVision, The Falcon and the Winter Soldier, Loki, What If? e Hawkeye).

- VaianaWolfwalkers, Luca, Vivo, InjusticeRon's Gone WrongBatman: The Dark Knight Returns - Partes 1 e 2, Encanto e Klaus (animações das boas).

The Three MusketeersSee No Evil, Hear No EvilThe Air Up ThereComing to AmericaMystery, AlaskaSky High, The Woman in Red, V.I. Warshawski, Ruthless PeopleRomancing the StonePlanes, Trains & AutomobilesSummer RentalBrewster's Millions, About TimeEdge of TomorrowStar Trek I, II e III (clássicos revistos e ainda mui apreciados).

- Godzilla vs. KongMortal KombatHitman's Wife's BodyguardThe Tomorrow WarWrath of ManA Quiet Place Part II, Cruella, F9, No Time to Die e Red Notice (blockbusters, o género que não se devia gostar tanto, mas que cada vez mais é essencial para manter tudo à tona).

- BrightburnThe Map Of Tiny Perfect Things, NobodyA Mãe é Que Sabe, Unpregnant ou Plan BSmall Engine Repair, KateRide The Eagle Colossal (alegres surpresas).

- Promising Young WomanUncle Frank, Druk, ItParque Mayer, CODA, Together, StillwaterThe Devil All the TimeThe Good Liar e tick, tick...BOOM! (bons filmes).

- Shadow in the CloudTeen SpiritWilly's Wonderland, JoltGunpowder Milkshake, Love Hard e A Castle for Christmas (tão maus, que acabaram por ser bons; ou seja, guilty pleasures).

PS - Se tudo correr bem conto ter menos tempo para ver coisas em 2022. Será positivo. Se não acontecer, algo irá mal no reino (quase literal) onde tenho as minhas coisas.
PPS - Será também o ano em que volto a referir-me a serviços de streaming no feminino. Ou seja, «as» Netflix, HBO ou Disney+. Em tempos ponderei e decidi-me pelo masculino. Não terá sido a decisão mais acertada. Sinto falta de ter revisores na vida. A verdade é essa.

Friday, December 31, 2021

filme do mês: Dezembro '21

Houve dois objectivos cumpridos. Despachei os filmes de Natal que tinha em lista. Desta feita mais perto da época em questão. E consegui atingir o número que queria: 300 filmes vistos este ano. A última parte foi em esforço, já que no final do mês sabia que não teria tempo. O mês foi mais curto, mas deu para chegar aos 301 posts/filmes. Não é brincadeira.

Essa é a parte positiva. A negativa é que, olhando para o todo do mês, não foi assim um grande conjunto de filmes. Não há assim muita qualidade. Há um blockbuster ou outro. Uns revisionamentos porreiros. Mas não é um volume grande de enorme qualidade.

De qualquer modo, alguns destaques: Ron's Gone Wrong e Encanto (boas animações), assim como Batman: The Dark Knight Returns - Partes 1 e 2 (excelente adaptação), Single All the Way, Father Christmas is Back e A Castle for Christmas (maus filmes de Natal, que dão a volta), 8-Bit Christmas, A Boy Called Christmas e Klaus (bons filmes de Natal), Star Trek I, II e III (o tal revisionamento) e, como «filme do mês», por ser original e de Natal, Last Train to Christmas.

Parece muito, mas não é. Mesmo destes, no meio de 30, não há muitos que recomendaria a 100%.


Wednesday, December 22, 2021

despachada: Hawkeye


Poderá ser prematuro dizer que a série não terá segunda temporada, embora seja mais uma que a Disney catalogou como «mini-série», assim como WandaVision ou The Falcon and The Winter Soldier. De qualquer forma, mesmo sem esse dado, acredito que isto tenha sido um one off. Não que haja mal nisso. Foi uma forma de destacar o único Avenger original que não teve direito a filme, assim como uma boa maneira de introduzir o segundo Hawkeye do universo Marvel. Sim, é verdade, agora há não uma, mas duas versões do Avenger menos popular.

E a verdade é que esse parece ser o caminho da Marvel Studios. Querem introduzir os Young Avengers, os Defenders Jr. ou mesmo os dois grupos. Já existem alguns destes personagens no Universo e mais virão para o ano. Desta forma conseguem contar as novas histórias que vão sendo contadas na BD, conseguem alcançar um público mais novo e com outras prioridades, e não precisam assinar novos contratos por valores exorbitantes com os actores que, entretanto, também à custa destes filmes e séries, tornaram-se super famosos.

Sobre a série em si, parecerá redutor dizê-lo, mas para mim foi a terceira melhor série Marvel deste ano. Houve cinco, o que é tão espectacular, em tantos sentidos. WandaVision, para mim, «leva o bolo», os prémios e tudo mais. Loki foi brilhante, também. What If? está mais ou menos empatada com Hawkeye, mas a segunda ganha, na minha perspectiva, por ser live action. Acredito ser sempre mais complicado adaptar uma história de BD neste formato. Para mal dos meus pecados, Falcon até foi giro, mas está muito longe das outras. Em termos de tudo, na verdade.

Hawkeye tem muito, ou mesmo quase tudo, da excelente série de livros de Matt Fraction e David Aja. E por muito que isso seja uma óptima ideia dos criadores da série, aqui está o único defeito da mesma. Enquanto Fraction está creditado, Aja foi completamente ignorado, o que é absurdo. Toda a imagem da série está na arte de Aja. E ignorar a criatividade deste ilustrador parece-me, no mínimo, criminoso.

Não deve ser ignorado, este ponto, atenção. Mas não querendo acabar o post de forma negativa, pois as demais pessoas envolvidas - e que não terão tido poder de decisão sobre o assunto - não merecem, Hawkeye tem ainda o pormenor maravilhoso que, como o novo filme do Spider-Man, foi buscar um dos actores das séries Marvel do Netflix, que interpretaram maravilhosamente os respectivos personagens. E isso foi, assim como esta e as demais séries deste ano, uma prenda incrível.

Thursday, December 16, 2021

despachada: The White Princess


It's God's will justifica praticamente tudo. Desde guerras a coisas um pouco mais egoístas, como matar crianças, para que o próprio filho não tenha concorrentes ao trono. Assim, coisas simples ou um pouco mais complicaditas, tudo com a bandeira que o «Outro» tem planos na Terra, com gente específica. Pois claro.

Não estava à espera, mas White Princess até que foi interessante. Mais que não seja pela dúvida: é ou não é o verdadeiro herdeiro ao trono? O verdadeiro problema é que vi coisas fora de ordem. Há uma outra mini-série no HBO chamada White Queen. Pensava eu ser a mesma coisa, mais ou menos. Ou, mais que não seja, que a rainha seria a sequela da princesa. Mas não, é ao contrário. E agora, para todos os efeitos, já sei o fim da história.

Oh well. I's God's will... Suponho.