Thursday, June 30, 2022

filme do mês: Junho '22

Junho, mês de fim da Primavera (que tende a não ser muito minha amiga) e doutras coisas. Início de... Bem, de nada! Do Verão, sim, mas este vai ser comedido. Não acredito que, no futuro, haverá grandes referências ao Verão de '22. Tirando filmes, claro!

Procuremos simplificar estas minhas referências mensais em duas categorias:
- bons revisionamentos (People Places Things, How do You Know, The Greatest, Choke);
- bons novos visionamentos, seja por que motivo for (Fire Island, Hustle, Beavis and Butt-Head Do the Universe, Good Luck to You, Leo Grande).

E como destaque maior deveria ser Rogue One, mas não quero tornar óbvia a minha presente obsessão com Star Wars, pelo que a escolha deste mês recai sobre The Unbearable Weight of Massive Talent, um filme bem fixolas.


Wednesday, June 29, 2022

despachada: Y: The Last Man


Veio tarde e a más horas.

Gostei e continuo a gostar bastante da BD, na qual esta série baseou-se. Reli há pouco tempo, precisamente em preparação para a série. Apesar de estar algo datada e ter o problema de ser uma história cheia de mulheres, escrita por um homem, continua a ter pormenores muito bons.

Yorick é o «último homem na Terra». Vaughan pegou nesta velha máxima, com que alguns homens sonham e que muitas mulheres usam para acabar com quaisquer expectativas, para criar uma história dum universo pós-apocalíptico, em que, certo dia, todos os homens morrem. Quase todos. Como lidar com uma situação tão extrema, em que metade da população deixa de existir? Quando foi escrito a realidade é que havia muitas profissões feitas maioritariamente por homens. Eu sei. É uma frase controversa de se dizer, hoje em dia. Era um facto em algumas áreas. A verdade é essa. Por exemplo pilotos de aviões. Maior parte eram homens. E uma das coisas trágicas que aconteceram, no fatídico dia, foi que muitos aviões, com demasiadas pessoas a bordo, despenharam. Fosse onde fosse. Sobre cidades ou sobre o mar. Tendo em conta o número de aviões no ar que existem hoje em dia, isto é uma noção aterradora só por si.

Os dias seguintes... Não consigo conceber. Entre ter de lidar com os milhões de cadáveres, o luto, a tristeza, o choque, e o ter de continuar com certas coisas, em esforço e sem conhecimento, como é possível continuar? De repente é preciso fazer manutenção de centrais nucleares e eléctricas, é preciso transportar materiais necessários, manter supermercados e outros estabelecimentos abertos, entre tantas outras coisas que damos como garantidas. Não é a questão de serem coisas que só homens sabem fazer. Uma mulher pode fazer tudo o que um homem faz. Que fique bem claro. Não é isso. Imaginemos qualquer local de trabalho, onde há trabalho para dez pessoas. Mesmo que seja um local com sete mulheres e três homens. De repente há trabalho de dez para sete, que tem de ser feito. E essas sete mulheres estão a lidar com a perda drástica dos respectivos maridos, filhos, netos, sobrinhos, amigos, enteados, pais, avôs...

Sobre a série, creio que teve um azar tremendo com o timing. Primeiro porque já não faz sentido uma ideia em que se, de repente, os homens desaparecerem, as mulheres entram em pânico e só fazem m€rd@. Todas são mais que capazes de manter e continuar com a sociedade.

A mim, por exemplo, fez confusão a falta de comida. Há mulheres para transportar a comida em camiões, camionetas ou carros. Há mulheres com quintas, com empresas de produção alimentar. Há bancárias e informáticas para manter a parte dos pagamentos a funcionar. Nem que seja temporariamente, em estado de emergência. E se há comida, mesmo que rés vés, para homens e mulheres, então tem de haver comida para metade da população por algum tempo. Ainda há pouco tempo vi um vídeo em que um fazendeiro explicava que tinha um silo cheio de cebolas, que davam para o ano todo. Agora, cebolas apenas não chega para alimentar alguém durante muito tempo, mas como este exemplo haverá outros.

Segundo, o COVID lixou o sucesso que a série pudesse ter. Era um assunto demasiado próximo do que estávamos a viver. Caos numa sociedade. Quando estreou foi uma história demasiado próxima da realidade e o pessoal acusou o toque. Ainda devido ao adiamento da produção, os contratos com os actores entretanto terminavam e ficou caro demais renovar, tão cedo, com uma temporada que mal tinha saído e não tinha garantias de sucesso.

Por fim, sinto que houve alterações que pouco sentido fizeram, face à BD. É uma opinião apenas, mas a verdade é que demorámos a ter personagens por quem estivessemos a torcer. Quase todos eram irritantes ou idiotas, e uma crise a escala mundial não justificou todos os comportamentos ou decisões. Mais, quiseram manter a típica narrativa norte-americana, de ter episódios de encher e só ter verdadeira emoção ou conflito, em poucos momentos. O final é interessanto, por exemplo, mas demoraram demasiado tempo a chegar ali. O primeiro episódio agarra porque tem a grande cena a acontecer, mas depois disso são demasiados episódios morosos.

Foi pena. Fiquei excitado com a potencial da série, quando foi anunciada. Talvez estivesse fadada ao insucesso. Mais que uma sociedade sem homens. Teve azar com a pandemia no mundo real. Mesmo assim a execução deixou algo a desejar.

Wednesday, June 22, 2022

despachada: Obi-Wan Kenobi


Que coisa mai rica e bela! Obi-Wan foi uma belíssima montanha-russa de emoções. Tanto antes, como durante.

Quando Rogue One foi um sucesso, planos cedo surgiram para mais filmes do género, incluindo Han Solo, Boba Fett e, claro, para um dos maiores Jedi de sempre, o nosso velho Ben Kenobi. Solo lixou tudo e os demais projectos foram cancelados. Mas... Felizmente Mandalorian provou que séries Star War na Disney+ podem ter bastante sucesso (o baby Yoda provou isso, na verdade) e Boba e Kenobi voltaram a entrar na linha de montagem da Disney, desta feita em formato «vamos torturar os espectadores com apenas um episódio por semana».

Foi uma tortura maravilhosa. Para mim. Não quero saber dos críticos. Nem dos que dizem que não acrescenta nada, nem dos que decidiram simplesmente criticar a série porque tem uma personagem principal feminina e negra. P#t@ que os pariu para os últimos. Os primeiros até posso respeitar a opinião, mas não concordo. Eu quero ver que aconteceu entre os Episódios III e IV. Até porque McGregor como Obi-Wan foi uma das coisas geniais das prequelas.

Vou abordar as prequelas? Meh, porque não?

Fenómeno estranho este, de filmes criticados pelos adultos que os viram então, e louvados pelos adultos de agora, que os viram em miúdos. Faz todo o sentido, atenção. Deu-se agora para as prequelas e para os filmes do Spider-Man de Raimi. Eu vi-os com algum desdém, admito. Mas para os miúdos de então foram filmes incríveis. Já tinha acontecido o mesmo com o Episódio VI. Os adultos que adoraram o IV e o V odiaram os Ewoks, assim que os viram. Porque eram criaturas infantis, que baixavam o nível dum filme sério de ficção científica. Eu adorei os Ewoks. Para mim, enquanto puto, eram espectaculares. Por causa dessa percepção inicial ainda os adoro, claro.

É isso que nos falta. É difícil, bem sei. Mas convém ver estas coisas com um pouco mais de olhar de criança. De forma inocente. Com alegria por estarmos a ver um pouco mais de algo que nos é especial. Adorei ver Obi-Wan Kenobi. A surpresa de ver coisas novas a acontecer. O medo que estas coisas viessem a estragar o que sabia vir a seguir. Mesmo sabendo, racionalmente, que esta malta não criaria plot holes tão grandes, sem mais nem menos. As batalhas entre Kenobi e Vader... Repetindo-me: que coisa mai rica e bela!

A m€rd@ agora é que não tenho muito mais de Star Wars para ver. Estou a ver a primeira temporada de Visions, mas será coisa curtinha e é a última que tinha para ver. Tenho de esperar por coisas novas...

Já estou com comichões e tremuras. Sinto que falta pouco para ver o bebé a andar no tecto. :\

Sunday, June 19, 2022

despachada: Landscappers


Não quero dizer mal, por respeito ao elenco principal, mas não consegui gostar muito desta mini-série. Nunca conseguiu agarrar-me, apesar de que mérito deva ser dado à forma como a história foi contada.

A «história» (ou talvez deva dizer-se «narração dos factos») foi contada de forma interessante. Muitos dos flashbacks são apresentados de forma criativa, com muita alusão à fantasia que passava pela cabeça dos dois personagens principais. Na realidade, o casal matou os pais dela e enterrou os corpos no jardim das traseiras. Daí o curioso nome da mini-série. Só foram apanhados, mais duma dezena de anos depois do crime, porque ficaram sem dinheiro e voltaram a Inglaterra. Queimaram cerca de 300 mil libras entre homicídio e captura. O que é fácil e precisa de algum esforço, ao mesmo tempo. É isto. Não é elaborado por aí além, por muito que prove, uma vez mais, que a realidade será sempre superior à ficção. Como é que os criadores tentaram tornar a coisa especial? Fazendo com que a mini-série vivesse na ilusão que o casal tinha na cabeça, na dúvida que procuraram criar. Até aos dias de hoje ambos apelam ser inocentes. Apesar de terem confessado. Mesmo assim têm convicção absoluta que não cometeram qualquer crime. Que foram obrigados, por força das circunstâncias, a matar os velhotes.

É uma bela ilusão. E muito bem foi apresentada. Não foi suficiente para mim, mas estou certo que não estarei na maioria, ou sequer com grande razão do meu lado.

Saturday, June 18, 2022

despachada: The Loudest Voice


Impressionante a atenção que foi dada ao palerma que criou a Fox News, entre outras «atrocidades» que fez. Se em Bombshell o ênfase foi dado às questões de assédio sexual no trabalho, aqui expande-se para o clima hostil que criava no trabalho (não só o assédio), mas também é-lhe dado crédito pela criação do canal «noticioso» e pela eleição de Trump. Agora, se esse crédito, dado pela série, é positivo ou negativo, ainda não consegui perceber.

Ailes era uma besta. Que não restem dúvidas. Agora, para quem foi feito o filme e esta série? Malta «de esquerda» sabe disso há tempo. Não precisa de objectos de ficção para perceber que era uma criatura vil, que muito mal fez a pessoas e à sociedade estado-unidense. Basta uma pequena pesquisa na Internet. Já a malta «de direita»... Os com olhos na cara também o sabem. Muitos não o suportavam, naturalmente. Os seguidores, os «cegos», esses não vão ver estas coisas e, mesmo que vissem, simplesmente diriam que são «fake news».

Logo, servirá o propósito de demonizar a criatura? Não era já claro? Não serve antes um outro propósito? De mostrar que, com pulso firme, o c@br@0 conseguiu criar um enorme canal de desinformação e pôr numa posição de poder um idiota, para além de mostrar como safou-se a cometer crimes contra as pessoas à volta, durante demasiado tempo. Fico na dúvida.

Tuesday, June 14, 2022

despachada: Roadkill


Sinto-me dividido.

Por um lado este tipo quer fazer mudanças. Quer ter poder para tomar decisões e, quiçá, melhorar as coisas para as pessoas. Para as que precisam. Não só os ricos. Por outro lado... É um tubarão. Sempre a nadar. Sempre a seguir em frente, com todo o lodo à volta. Não me refiro à política em geral, mas ao «lodo» que criou. Porque apesar de ter algumas boas intenções, não deixa de ser um político, a usar tudo à sua volta para atingir objectivos, para sobreviver. À custa doutros. Porque é um ser humano, com um passado repleto de erros e de abusos das pessoas mais próximas. Em especial a família, que é usada para dar-lhe um ar sério e responsável. Algo que nem sempre é a verdade.

Os fins justificam os meios? O bem de muitos é mais importante que o de alguns? É complicado. E o House faz um belo papel, para não variar, a confundir-nos.

Tuesday, June 7, 2022

despachada: M.O.D.O.K.


Percebo o que a malta do Bad Robot tentou fazer. É a mesma loucura que implementam no Robot Chicken, tendo um universo Marvel inteiro para brincar. E sim, é divertido, mas não leva a lado nenhum. Nada será canon, embora não seja isso o mais importante. Só refiro porque é algo que maior parte das pessoas comuns procura, hoje em dia. Sem estes, dificilmente conseguiria atingir níveis elevados de audiências. Mais, parece-me que chegou tarde ao Disney+. Foi produto Hulu e por demasiado tempo ficou por lá.

Tenho pena que parta, mas a verdade é que rapidadamente vou esquecer que existiu. Por muito que Oswalt tenha feito uma óptima interpretação da máquina mortífera que é M.O.D.O.K.

Sunday, June 5, 2022

despachada: Killing Eve


Cheguei a Killing Eve através de Phoebe Waller-Bridge, de quem verei tudo o que fizer, daqui até à eternidade. Saio daqui a ter de seguir mais uma pessoa. Porque Jodie Comer faz um papelão!

Não é exagero. É daquelas referências para agora e para muito tempo. Daqui a 50 anos alguém vai andar a fazer listas várias e a meter esta interpretação em todas. É uma personagem, daquelas que aparecem uma vez por década. Ou até mais tempo. Tudo tem o seu requinte de malvadez e é absolutamente delicioso. É uma vilã, atenção. Villanelle é uma psicopata atroz, sem qualquer respeito pelo ser humano. Sádica até à quinta casa e só tem prazer com o sofrimento do próximo. Não dá importância a nada que uma pessoa «normal» dá. Psicopata, sim. Já o tinha dito. Só que... Epá, é difícil não achar-lhe piada. Porque tem piada. Muita. É mordaz, inteligente, sensual, infantil, ingénua, sagaz... Tudo e mais um par de botas, ao mesmo tempo. É uma magnífica interpretação, que faz sombra a outras, dentro da mesma série. Porque Oh faz um óptimo papel, Shaw idem, e Bodnia é maravilhoso. Têm mérito só por si, mas brilham mais por estar ao pé de Comer.

Já a série é muito boa Também. Em especial para ver de seguida. Porque eu, o comum espectador que seguiu a coisa à medida que ia saindo (mais ou menos), tive dois problemas. Primeiro, sofreu da questão que aflige maior parte das séries norte-americanas: durou demasiado tempo. Não é muito, mas Killing Eve tem uma temporada a mais. Por aí. Não é nenhuma delas em concreto. É só uma questão de tempo. Algo que não foi favorecido pelo facto de que houve demasiado dele entre temporadas. Este foi um o segundo problema. Passaram-se horrores entre temporadas. Porque é preciso aprimorar os guiões, claro. Porque a produção implicava andar em vários países (algo ainda mais difícil em tempos de COVID). Porque as estrelas (em especial Comer) têm agendas tramadas. Eu sei tudo isso e não recrimino ninguém. Só que esqueci-me de metade do que aconteceu. Foi fixe. Marcou. Mas foi há anos.

Esta é a grande diferença entre ver séries como antigamente, em canal aberto, a passar numa temporada normal, entre setembro e maio; e as séries para streaming ou, neste caso, para um canal britânico. Quando temos a pausa de Verão entre maio e setembro, não é assim tanto. Dá para ter presente o que aconteceu na temporada anterior, antes de começar a nova. Agora, quando passa um ano(!) entre temporadas... Sei lá eu que aconteceu antes! Uma pessoa perde-se entre as milhentas histórias que vê entretanto.

É tramado. Ou melhor, é «tramado». Convenhamos que há milhentas coisas piores no mundo. O espectador tem de tomar uma decisão. Ou vai vendo e tendo o envolvimento da net, com os factos extra e as teorias (eu acho piada, percebo quem não ache) ou espera que a série termine, para ver tudo de enfiada. É uma decisão complicada. Porque sabe-se lá quando termina uma série. Se for feita à «americana» pode nunca mais acabar. Ou, pior, arrastar-se até um ponto que deixa de ter interesse. Sim, estou a olhar para vocês, Prison Breaks, Dexters e Losts desta vida.

Killing Eve
terminou. Independentemente destas questões de somenos, gostei muito de ver. E recomendo vivamente que outros vejam também.

Thursday, June 2, 2022

despachada: Star Wars: Resistence


They can't all be winners. Resistence está longe de ser mau, mas não chega aos calcanhares de Clone Wars ou Rebels.

Resistence é o que achava que seriam todas as séries de animação de Star Wars. Coisas para miúdos. Cenas fofinhas, com demasiados momentos humorosos. Sim, com stormtroopers e outros vilões a aparecerem, mas com os personagens principais a safarem-se sempre, maior parte das vezes de forma até algo absurda. Aqui, o nosso herói, Kaz, é um taranta que tropeça em problemas e em soluções. Vá-se lá saber como cai do lado da Resistência, acabando por ajudar com coração, coragem e talento de piloto. É aquele aproximar entre fantasia e público, aludindo a que qualquer um de nós (crianças, entenda-se) pode fazer parte dos bons da fita.

Enquanto que nas outras duas séries acontecem coisas de grande impacto nos filmes e no franchise, dificilmente dará para sacar muito mais que um cameo destes personagens em aventuras live action. Reforço: é uma série de animação divertida, dentro do universo Star Wars. Só não será assim tão importante de ver, face a tudo o resto.

Tuesday, May 31, 2022

filme do mês: Maio '22

Para mim, 20 filmes vistos por mês é uma óptima média. Mas não foi fácil chegar a este número. Por óptimos motivos, dado que tive o prazer de contar com a presença dum bom amigo aqui em casa, durante uns dias. E também porque meti na cabeça que este mês só ia ver filmes recentes. Nada de revisionamentos ou repescar coisas antigas que não vi então.

Por nada! Foi daquelas parvoíces que meto na cabeça. É sempre bom ter objectivos, mas como eu não faço questão de os ter, porque sei que maior parte das vezes (ou mesmo todas) vou falhar, agarro-me a coisa simples e fáceis. Ou melhor, «fáceis». Porque eu, nos últimos anos, tenho visto muita coisa. Não há assim tantos por ver. Que sejam decentes, claro. Há sempre a possibilidade de ver os 70 filmes que Willis pôs-se a fazer, antes de ser obrigado a retirar-se. E também porque o início do ano foi um marasmo, em termos de novos lançamentos. Os estúdios claramente guardaram-se para o Verão. Historicamente é sempre assim. O Inverno pós-Natal não tem muitas novidades há anos. Os números a isso ajudam. A malta começa a ir ao cinema com melhor tempo. Se está frio ficamos em casa, em frente à TV. Logo, o Verão é quando há o bolo grande. Mas sinto que nos anos pré-pandemia, apesar de tudo, iam saindo logo coisas grandes a partir de final de Março, ou Abril. Este ano foi mais notório que os estúdios não quiseram arriscar ter mais problemas com a pandemia, e só meteram o pé no acelerador este mês passado.

E realmente saiu muita coisa. Eu comecei logo a ver o que sairam. Decidi depois continuar a tendência até final do mês. Assim, vi coisas engraçadas, por um motivo ou outro, como Crush, Ambulance, Lost City, Senior Year, Chip 'n Dale: Rescue Rangers, Jackass 4.5 ou Marvelous and the Black Hole. O destaque maior vai para o filme que muito prometia, conseguindo cumprir em grande: Everything Everywhere All at Once.

Tuesday, May 17, 2022

despachada: Pam & Tommy


Poder-se-ia pensar que é a história da sex tape mais famosa de sempre, e como esta mudou muita coisa no mundo. Também é, mas é muito mais uma história de amor, dum par perfeito um para o outro, que poderia ter sido muito feliz, não fosse o mundo ser um sítio nojento. É isso que fica, no final. Pam e Tommy gostavam tanto um do outro que, ao final de quatro dias, estavam casados. Poder-se-á dizer que foi impulsivo, mas o casal sabia o que queria e não tiveram receio de dar o passo. Essa é a parte mais complicada para maior parte de nós

Ambos estavam numa espécie de auge. O Tommy mais em final de carreira musical, é certo, mas ainda bem conhecido e com o capital para fazer o que lhe dava na telha. Pam sim, era a mega-estrela da altura, à custa duma série absurda que só naquele tempo poderia ter sucesso. A fórmula ainda existe e funciona, bem sei, mas quero acreditar que algo como Baywatch não teria hoje em dia o sucesso que teve então. Faça-se notar que não estou acima de ninguém. Também eu vi e apreciei a série por todos os mesmos motivos que os demais. Só não serei o único a sentir-me um pouco sujo por ter gostado tanto. Pelo menos espero não ser.

Nesta mini-série há alguma alusão que a sex tape destruiu, ou impediu a carreira de Pam de progredir. Talvez. Nos Estados Unidos terá tido impacto, por certo. Do meu ponto de vista, de alguém que vem dum país pequenino, onde as coisas chegavam com atraso e diluídas, e por muito que tenha sido dos poucos a tirar algum gozo do Barbwire, até eu consigo ver que a moça não era grande actriz. Tinha os seus méritos e louvo-lhe a coragem para enfrentar um mundo extremamente machista de... peito feito, salvo seja. Só que... Não quero ser maldoso. A moça sofreu a bom sofrer à custa da tape. Ela nunca foi grande actriz. A verdade é essa. Não há como contornar. A carreira teria sido diferente sem o escândalo? Sem dúvida alguma. Teria sido assim tão melhor? Teria tido papéis muito mais sérios ou estimulantes? Talvez, mas a probabilidade não era grande coisa.

Agora, que isto é um ponto marcante na história e que veio mudar muita coisa. Sim. Mil vezes sim. A partir daí mais sex tapes surgiram. E algumas até de propósito. Porque houve quem se tenha aproveitado desta «fama» para fazer alguma coisa. E houve ainda quem tenha tentado fazer o mesmo, sem grande sucesso. A sex tape passou a ser, para alguns, mais um artifício para chamar a atenção. E para o reles mortal, passou a ser mais uma forma de invadir a privacidade dos famosos, como se nos devessem alguma coisa, só porque aparecem na nossa televisão.

É um mundo sujo, este em que vivemos. Felizmente a série não passou tanto por isso, embora o tenha mostrado. Tentou passar uma mensagem mais positiva. E ainda bem.

Wednesday, May 4, 2022

despachada: Moon Knight


Moon Knight sempre foi publicitado como uma limited series. O próprio Oscar Isaac disse que não tinha um compromisso muito grande com a Marvel/Disney. Isaac, hoje em dia, goza de bastante estatuto em Hollywood e pode escolher o que fazer. Se fez Moon Knight foi porque quis. Mas preferiu não assinar o contrato usual, que maior parte dos outros assinam, em que o compromisso é por vários anos e/ou x número de projectos. Só que a série teve sucesso, pelos vistos. Nos últimos dias surgiram alguns rumores que haveria uma segunda temporada. É sempre possível. Assim como uma espécie de segunda temporada de WandaVision, por exemplo, ou de qualquer uma das outras. Se se proporcionar, se houver uma boa história para contar, ou se fizer sentido contar algo que faça parte do resto/todo, a Marvel Studios arranjará maneira de o fazer.

Esta metodologia poderá parecer estranha ao comum fã de filmes e/ou séries, mas é prática corrente em BD. Aliás, a BD eleva ainda mais a coisa. Qualquer personagem, mesmo que morto e enterrado por décadas, pode sempre voltar. Desde que haja uma boa história para contar. A única verdadeira limitação do MCU em fazer o mesmo é que, ao contrário da BD, na vida real os actores envelhecem. Mas a base de BD no MCU está lá. Tudo ligado, sem portas fechadas, ao sabor das oportunidades e das vontades.

Se acho que haverá segunda temporada de Moon Knight? Não, mas é possível. Se acho que o personagem aparecerá num qualquer filme? Bastante provável, até porque o Isaac é meio geek e gosta de aparecer nestas coisas. Se acho que será com Isaac? À partida, sim, mas eventualmente substituirão o actor. Tudo depende verdadeiramente do que o público exigir e do que Feige quiser fazer. Depois é só ter o monstro Disney a atirar dinheiro a qualquer problema que possa surgir.

Sobre a série em si, tem qualidade média alta, em comparação com as outras. É a mais distante de tudo o resto do MCU, pelos motivos acima descritos da situação contratual do actor. Se bem que o mesmo pode ser dito do personagem. Hoje em dia tem um pouco mais de interacção com os demais personagens (Avengers e afins), mas sempre foi bastante isolado. Até porque é considerado um herói mais «street level» e não «cósmico». Isaac faz um óptimo papel, mesmo que tenham havido críticas aos sotaques e línguas empregues na série. E houve detalhes bons, que ficam e têm potencial para dar mais ao Universo.

Ou seja, a moral da história é que é mais uma coisa para quem quer ver tudo, embora não seja preciso ver para acompanhar o resto. E é uma série que se vê bastante bem. São seis episódios, o equivalente a dois filmes grandes.

Monday, May 2, 2022

despachada: DC's Legends of Tomorrow


Já este cancelamento surpreendeu um bocadinho. Não muito, mas um bocadinho. O Arrowverse não é o que era. Longe disso. Houve um momento que as quatro estavam todas bastante bem, a mostrar que era possível fazer boas séries de super-heróis, mesmo com orçamentos infinitamente menores que filmes. Aliás, provaram que era possível criar um bom universo DC, algo que os filmes continuam a não conseguir fazer. E eram séries diveridas de se ver, que interagiam muito bem umas com as outras.

Legends começou um pouco perdida neste universo DC/Arrowverse, mas lá encontrou o seu espaço. Que, ainda por cima, foi um que gostei bastante. Legends era uma data de humor e tontices, misturada com a fantasia da BD. É o que quero sempre ver numa série que tem uma data de personagens secundários e consequências praticamente inexistentes, mesmo que o enredo envolva viagens no tempo e alteração de coisas no passado. O elenco era porreiro. A acção fixe. As histórias divertidas. Era a série do Arrowverse que ainda tolerava ver.

Vi Arrow e Supergirl até ao fim, mesmo que ambas estivessem a arrastar-se por um bom bocado. Continuo a ver Flash, embora esteja a passar pelo mesmo processo de «definhamento». Desisti de Superman & Lois e de Batwoman, porque nunca conseguiram chegar a um bom nível (a segunda, entretanto, foi cancelada também). Não deverei ver Black Lightning ou Stargirl, porque não parecem ter grande qualidade (a primeira foi cancelada o ano passado, creio).

Moral da história é que Legends era a única que ainda dava gozo. Havia rumores que não teria mais nenhuma temporada, mas a última até termina com um cliffhanger. O criador entretanto disse que foi uma forma de «atirar barro à parede». Não funcionou. Pena. Sobra Flash, para mim. E vamos a ver se consigo sequer terminar a temporada que decorre. Não está fácil.

Apesar de tudo, fica a nota que Arrowverse foi bom. Está longe de ser um fracasso, só porque está a terminar mal. Durou demasiado tempo. Não souberam desistir no momento certo e toda a gente saturou. Espectadores, guionistas, elenco e demais envolvidos. Acontece. E ainda bem que aconteceu.

despachada: Space Force


Série cancelada pela Netflix, sem grande surpresa. Não só porque o serviço de streaming anda a apertar o cinto, depois de terem apresentado números de perda de subscritores (vários projectos de animação foram cancelados, mesmo antes de começar, por exemplo), mas também porque era uma ideia para lá de rebuscada.

O presidente palerma que os norte-americanos tiveram (ainda é chocante que não esteja a referir-me ao Bush Jr.) às tantas terá dito que queria militarizar o Espaço. Algo do género. Talvez não isto, mas é o conceito parvo de gerir o Espaço, que não é deles, da mesma forma como gerem o seu próprio espaço. Ridículo, sim. Houve quem tenha pegado no conteito idiota e tentado fazer uma série. Mais, não foram pessoas quaisquer, mas a ideia veio da equipa que criou, com muito sucesso, o Office norte-americano. Mais ainda, conseguiram meter a mega-estrela, hoje em dia, Steve Carell ao barulho.

A Netflix mandou-se com todas as forças para cima deste projecto, à boa maneira como gerem o seu negócio. E terá funcionado. Sei de algumas pessoas que viram a série, que não teriam visto se não estivesse na Netflix. Acredito que tenha ajudado a angariar subscritores. Depois... Bem, depois, no final, é uma série cara demais, que não está a ter o sucesso esperado. Logo, nem esperaram pela fatídica marca das três temporada para matar o bicho.

E ainda bem. Era uma série fraquinha, infelizmente.

Saturday, April 30, 2022

filme do mês: Abril '22

Um filme por dia, em média poderia ser sinal de qualidade cinematográfica, este mês. Mas o facto de que maior parte são «revisionamentos» e que há também outro bloco de filmes «populares», que saíram este mês, que achei muito, mas muito fracos... Não foi um grande mês. Sinal disso também é o facto de que despachei muita série, na procura de melhor conteúdo.

De qualquer modo, os preferidos são Lethal Weapon (toda a quadrilogia, entenda-se), Eternal Sunshine... e Dan in Real Life. Tive ainda experiências agradáveis (outra vez) com Away We Go, Little Miss Sunshine e Roxanne. Vou escolher um filme novo só porque sim. Houve quatro fofinhos de se ver. Dog, Metal Lords, 7 Days e o «filme do mês», Moonshot.


Friday, April 29, 2022

despachada: Star Wars: Rebels


Bolas. Não é que o Simon Kinberg sempre fez algo de jeito na vida?

É um dos meus «ódios de estimação». Há uma história clássica dos X-Men, a da Phoenix, que o cavalheiro estragou não uma, mas duas vezes. Em ambas conseguiu ter influência directa no fim de sequências de filmes. Dantes só escrevia. Agora anda a realizar filmes que são lançados em Janeiro, o mês em que ninguém lança filmes. Não tenho problemas com malta que está a fazer um trabalho para o qual não tem qualificações. Acontece. Se se conseguem safar, ainda bem para eles. O que chateia é quando começam a lixar coisas de que gosto. Como é o caso de X-Men.

Mas nem tudo o que o rapaz fez foi mau, afinal. Rebels é uma óptima série, uma boa história Star Wars, com personagens muito, mas muito bons. Sabine, Hera, Zeb, Ezra e Kanan, que mesmo sem ter tido treino, já vi por aí dizer que foi dos melhores Jedi de sempre. Para além duma data de secundários, alguns dos quais vão decididamente aparecer nas próximas séries live action de Star Wars, e muitos outros que os fãs querem que apareçam nas próximas séries (estou incluído neste grupo). Rebels acrescentou coisas ao Universo Star Wars, mesmo sem personagens principais dos filmes. Deu destaque a outros e não perdeu mística por causa disso.

É verdade que as séries de animação estão sobre muito menos escrutínio que os filmes. Nas séries podem dar destaque a personagens femininas, por exemplo. Algo que nos filmes foi um problema para algumas «pessoas». Mas estes «críticos» que se lixem. O que Rebels e Clone Wars fizeram, este é o caminho de Star Wars. Como se vê com Mandalorian.

Comecei a ver as séries de animação com uma montanha de episódios à minha frente. Pensei que não ia terminar. Até pensei que ia desistir. Agora só tenho duas temporadas duma série terminada, mais duas séries que estão a decorrer. E sinto que é tão pouco.

Thursday, April 28, 2022

despachada: Detectorists


Detectorists... We're time travellers.

Sim. É uma série sobre detectores de metais. As pessoas, não os equipamentos. Talvez haja palavra em Português para descrever as pessoas. Não a sei. Aliás, essa é a piada principal recorrente da série.

- Are you metal detectors?
- You could say that.

Claro que é muito mais que isso. É sobre a actividade, também. É sobre estes dois caramelos, magistralmente interpretados pelos actores, e as suas vidas, numa pequena povoação. O grupo de «detectores de metal». As respectivas parceiras, que aturam e, maior parte das vezes, incentivam. As descobertas, às vezes. Sobre o tempo dispendido, maior parte delas. O que surpreende mais (ou talvez não) é que a série é, efectivamente, bastante boa. Simples, mas tem momentos deliciosamente cómicos, para além de imensos super ternurentos.

Foi uma óptima descoberta.

Sunday, April 24, 2022

despachada: Anne Boleyn


Parecendo que não, esta coisa de conseguir despachar séries como quem vê um filme, esta porcaria é viciante. Se tenho gerido bem o meu tempo, tinha ido à estação de camionagem fazer broc... Espera! Não não. Não é assim tão viciante. São vícios diferentes, mas sim, dá-me um kick de endorfinas ou serotoninas ou o raio. O cérebro começa a luzir e dá logo vontade de ver outra.

Se bem que não pode ser outra qualquer. Um gajo não pode saltar de «cavalo» para uns comprimidos reles que se encontram no fundo da mochila, que tanto podem ser Hydroticine de há 20 anos, como uma cena que alguém pediu para guardar. Porque é que estou a voltar a esta analogia? Eu nem sou destas m€rd@s!

Anne Boleyn terá sido uma grande personagem. Teve um impacto tremendo na História do país. A série não faz jus. E já agora, entrando na História em si, isto das mulheres do VII... A certa altura tinham de perceber ao que iam, não? A segunda mulher ainda se percebe que tenha alguma sobranceria. Suplantou a original. Não acredita que a «história se repita». Mas quando chegamos à quarta ou à quinta... As últimas não podiam acreditar que seriam mesmo a «última» esposa, certo?

despachada: A Very British Scandal


Esta não foi tão interessante como a anterior. Em ambas temos uma relação tóxica, com um sendo maior agressor. A diferença é que na primeira sempre havia uns idiotas engraçados e uma tentativa parva de homicício, enquanto que a segunda é «apenas» um divórcio. Em ambas há gritantes falhas de isenção no tribunal. O Estado, no alto do seu poder, claro que protege sempre o homem rico.

A série não é desprovida de interesse. Tem ótimas representações, assim como pormenores de história que vão surgindo muito bem. Não têm como efeito chocar, o que faz com que ainda sejam mais chocantes e cativem o espectador. É o formato britânico, que funciona bem. Também são ótimos a lidar com escândalos, como provam as duas mini-séries.

Sim. É ironia.

Saturday, April 23, 2022

despachada: A Very English Scandal


Não sei quanto está a ser óbvio, mas tenho despachado não só algumas séries pequenas, que comecei a ver recentemente, como outras que comecei há bastante mais tempo. Implica que... Bem, implica que tenho demasiado tempo livre, que não há filmes novos decentes para ver, mas também que estou «entre coisas». Ainda vejo uma série de animação Star Wars (porque ando obsecado, mas também porque são boas), assim como umas coisas soltas que dão periodicamente. Mas nada de «embaços» grandes.

Procurava algo curto para começar a ver, porque ainda não sei ao que quero dedicar-me. Corria a lista (bem grande) de mini-séries dentro da HBO Max. Há dois Scandals. Um British e um English. Comecei pela que saiu primeiro. São três episódios cada. É um filme grande, no fundo. Mas a ideia era começar hoje e terminar amanhã ou depois. Ver com calma. Digerir a coisa.

Foram os três episódios de enfiada. Porque Grant continua a ter o seu carisma, mesmo interpretando uma criatura vil. O assunto é interessante, embora termine pessimamente. E quem não gosta dum bom escândalo?

Amanhã lá terei de despachar a outra.

despachada: Último a Sair


Quando, numa série de humor, com humoristas presentes, as duas melhores e mais engraçadas participações são a Luciana Abreu e o Roberto Leal... Sem desprimor nenhum. Alás, o que deve verdadeiramente ser destacado é que foram o melhor da série. Sem dúvida. Mas, lá está, espera-se mais e melhor dos outros, não?

Esta nem é a questão mais premente. É que entre «a Gorda», o Unas a fazer de Africano, a «loira burra» e as demais personagens femininas clichês bidimensionais, e muitos, mas muitos outros assuntos «complicados», esta série é um grande problema só por si. Eu ouvi toda a gente a falar nisto, na altura. Muita gente citou cenas. Algumas apercebi-me. Outras não. A verdade é que não vi então. Sou uma besta elitista. Passa principalmente por isso. A outra «desculpa» (que não preciso, porque estou-me a marimbar) é que não vejo televisão há muito tempo. Vejo imensas séries. Sem dúvida. Mas não vejo com intervalos, publicidade, etc. Vejo bola em directo, na TV. Disso não me safo. Mas a única coisa que sinto falta é o zapping, em boa verdade. Moral da história é que não vi então, seja por que motivo for, e ver agora, estes anos todos depois e com tudo o que tem acontecido...

É complicado achar piada. Achei. Muitas vezes. A série tem muita coisa engraçada, sem dúvida. Mas há tanto momento que... 

Friday, April 22, 2022

despachada: Twenty Twelve


Afinaaaaal havia ouuuuutraaaa!

W1A não era série «original», mas sim uma sequela desta Twenty Twelve. São equipas diferentes e até há um par de actores a fazer papéis diferentes, em ambas as séries. Ou seja, é possível ver uma ou outra de forma individual. Mas porque haveria alguém de fazer isso? Há dois personagens principais nas duas, mais uns secundários. A base é a mesma. Equipas a terem reuniões descabidas e problemas, por vezes idiotas, por resolver. Uma data de gente que parece incompetente (e alguns são). Tudo a «arder» e quase «rebentando» no final, surgindo algumas soluções geniais de última hora.

Yes. No. Absolutely.

Tuesday, April 19, 2022

despachada: The Greatest American Hero


Mais uma que andava a ver há algum tempo. Tinha memórias dela, de miúdo. Era um super-herói na TV, numa altura em que pouco disso existia. Claro que vi em miúdo, mesmo que lembrasse-me de pouco. E sim, se não fosse a música no atendedor de chamadas do George, talvez nunca mais tivesse pensado neste Hero, mas a verdade é que essa piadinha «manteve a luz acesa».

Começo por frisar que o gajo do FBI tem de ser da família do Ryan Reynolds. Não têm o mesmo humor, mas têm uma data de tiques faciais em comum, em especial a boca. Ele não manda piadas, praticamente, mas a maneira como reagia às coisas lembrava-me sempre um dos meus Canadianos preferidos. Para além disso, é o que se espera duma série da época, deste género. Muitas desculpas para evitar cenas de acção ou mesmo efeitos complexos. A começar pela perda do manual de instruções do fato, que evitava que o rapaz voasse muito ou bem, ou tivesse total acesso aos seus poderes. Permitia ainda ter a porta aberta para mostrar poderes novos, consoante a necessidade do enredo, num episódio qualquer. Depois havia também muito dos clichês de então. A repetição das histórias, ou de como se desenrolavam. Os personagens secundários que iam adquirindo características ou conhecimentos necessários ao enredo. Pouca continuidade. Mas estava lá a fantasia que, na altura, foi suficiente para deslumbrar miúdos como eu.

Os últimos episódios até tiveram malta que tornou-se famosa. Mas nem isso terá safado a coisa. Tem ar de ter sido cancelada, embora talvez tenham tentado arrematar a coisa com uma última intervenção dos alienígenas. Tentaram ainda um spin-off com uma heroína que, estranhamente, não pegou no mercado Norte-americano. Que surpresa.

Fica a música do genérico. Sempre.

Saturday, April 16, 2022

despachada: Odisseia


OK, quando eu disser, vamos todos gritar bem alto aquilo que achei desta série. Vale? Vou dizer «1, 2 e 3», e gritamos todos «masturbação colectiva». Pode ser? Eu sei, não faz muito sentido um grito conjunto neste formato de blogue, mas é assim tipo só para ter mais impacto. OK? Então vá.

1

2

e...

3!

PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Os pis foram das partes com mais piada na série, em boa verdade. Não a única, mas das mais memoráveis. Depois as referências aos filmes conhecidos, o constante quebrar da 4.ª barreira, o «onanismo», os vários exemplos de «auto-felácio», o sexismo, etc., essas partes não curti tanto. Há ainda a questão das personas dos personagens principais. Nogueira alimenta muito este lado, de ser um gajo egoísta, arrogante, vedeta... Artolas, no fundo. Que em Waddington encontra um complemento para as atitutes que tem, ou acabam ambos por ter. Quão verdade é, afinal? Não pode ser tanto, ou não houvesse tanta gente que trabalha com eles. Ou sequer o estatuto que atingiram. Sim, é ficção, mas deparo-me com o mesmo problema que tenho, hoje em dia, com Seinfeld, por exemplo. Ou que tive com Curb Your Enthusiasm e derivados. É suposto estar a torcer pelos personagens principais? Custa.

Que não seja mal interpretado. Odisseia é uma série com muita qualidade, por muito que tenha demasiados momentos em que sinto que estou a olhar para um gato a lamber as próprias  partes baixas.

despachada: The Walking Dead


Walking Dead, a série original, ainda não acabou. Vi agora o último episódio, do segundo bloco, da última temporada. E estou completamente farto. Esta temporada começou no Verão do ano passado, muito tempo depois de ter sido anunciado que seria a última. Pausou em Outubro, retomando em Fevereiro. Arrastou-se até agora e, quando pensava que terminaria ante deste Verão, como maior parte das séries «normais», anunciaram nova pausa e datas para os últimos episódios, que sairão em Outubro deste ano. Mais dum ano para meterem no ar 24 episódios. Não há paciência! Em situação normal não haveria post. Seria simplesmente mais uma série que não «despachei» totalmente, que ficaria no esquecimento. Só que foram mais de dez anos e preciso dum sítio para explanar a frustração e irritação que esta série provocou em mim.

Como os seus «protagonistas», também Walking Dead, a série, arrastou-se até final, tardando em «morrer». Não foi só o exemplo acima, do prolongar desnecessariamente a última temporada. Creio que não terei sido o único a querer espetar algo pontiagudo na cabeça da série, em mais que um momento. Eu até fui bastante paciente. Os meus amigos, alguns verdadeiros fãs do género, há muito que desistiram. Eu passei por todas as sensações e métodos para ver Dead. A primeira temporada é óptima. Ou foi óptima, pelo menos. As seguintes são fixes, mas cedo percebeu-se que não habia fim à vista, que o objectivo único era espremer até à última gota. Houve temporadas que vi episódio a episódio, à medida que iam saindo. Algumas vi em bocados, guardando alguns episódios para ver mais junto. Houve outras que vi tudo de enfiada, e algumas souberem melhor assim, menos enfadonhas. Outras foi um massacre de cenas repetidas. Houve uma fase em que decidi focar-me mais na série de spin-off (série essa que não «despachei», porque desisti a meio). E às vezes soube mesmo muito bem ver Dead, ou Dead+Fear. Só que... Nunca era perfeito. E se aguentei até tão perto do fim foi por teimosia. As últimas temporadas são más demais. E esta, derradeira, até tem umas coisas fixes, mas que teriam sido tão melhores se têm surgido mais cedo, antes que estivesse tão saturado dos mesmos truques de narrativa de que abusam taaaaaaaaaaaaaaaaanto.

Tome-se como exemplo a imagem acima. Propositamente fui buscar uma da primeira temporada. Quase todos estes personagens estão mortos. Um par deles tem os filhos em cena, nesta fase. O principal «desapareceu», porque não era suposto morrer. O actor não renovou contrato, mas os criadores deixaram a porta aberta para que voltasse, caso mudasse de ideias. (Não mudou, já agora. Esperto.) Os únicos «sobreviventes» são os dois mais atrás na imagem. Se isto não é sinal que Dead está no extremo do recurso, não sei o que seja. São bons personagens, atenção. E eu gosto da ideia que malta secundária suba no ranking. Só que mesmo estes... JÁ NÃO HÁ NADA PARA CONTAR! SÃO DEZ ANOS! DEZ!!

Tenho pena. Porque gosto de zombies. Gosto de histórias de zombies. E esta deveria ter sido A série de zombies. Só que levaram a coisa a um extremo que não há como não odiar tudo, no final. Neste momento, odeio a série. E não quero ver mais um segundo desta ou dos spin-off, ou de que raio possam pensar mais à frente, para continuar a encher os bolsos das mesmas pessoas. Acabou-se. Já não luto mais contra as hordas. Deixo que me mordam, porque não consigo mais.

Sunday, April 10, 2022

despachada: W1A


Yes. No. Brilliant.

Fazer um drinking game com W1A seria equivalente aos cultos, com os seus pactos suicidas. Porque cada personagem tem as suas próprias falas, que usa múltiplas vezes, ao longo de cada episódio. Assim como todos têm várias em comum. E são ditas a velocidades extremas, durante várias reuniões onde nada acontece, apesar de muito ser dito. Muitas palavras, frases ou expressões, entenda-se. Conteúdo é zero. Esta série é, aliás, um tremendo exemplo sobre a futilidade de muitas reuniões onde toda a gente tem alguma coisa a dizer, mas onde ninguém acrescenta nada ou resolve quaisquer problemas. W1A tem ainda muito daquilo que consideramos ser o clichê britânico, de todos serem cavalheiros ou damas, nunca criticando nada abertamente.

Vi ainda W1A da mesma forma como foi o início do Gato Fedorento. Um conjunto de estagiários do canal, a escrever e produzir uma série, estando no local e usando os recursos disponíveis. Claro que W1A tem um orçamento bastante superior e um elenco digno desse valor. Todos são incríveis na maneira como lidam com as crises que vão surgindo na BBC. E há ainda uma data de parvoíces na série que serão claramente interpretações do que acontece na realidade.

W1A foi muito bom de se ver. Recomendo. Para quem gosta deste tipo de séries britânicas de humor, claro.

Thursday, March 31, 2022

filme do mês: Março '22

Na verdade, o que mais deu-me gozo ver foi Clone Wars mas, no meio do marasma cinematogrático em que vivemos, convém destacar Groundhog Day e Super Troopers (dois clássicos/comédias), a trilogia Espagnole, Russes e Chinois (porque foi muito bom aqui voltar), Batman: Hush, Turning Red, After Yang e The Unforgivable (por motivos diferentes). O destaque maior vai para o que o cinema de Hollywood deveria ser mais: Moonfall.

Sunday, March 27, 2022

despachada: Star Wars: The Clone Wars


Andava a ver esta série há bastante tempo. Talvez mais dum ano. O início não me agarrou. Era mais da parte secante das prequelas. Politiquices e lutas que não faziam qualquer sentido. Diria que as duas primeiras temporadas demoraram maior parte do tempo. Depois a coisa acelerou, muito há custa de Mandelorian, Bobba Fett e das ligações entre tudo. As últimas três temporadas devorei-as num instante. Duas, talvez três semanas. A última foi-se num par de dias.

A última temporada surge meia dúzia de anos depois da anterior. Os episódios estavam em produção quando a série foi cancelada, em 2014, já pela Disney. O «monstro» sabia do potencial e qualidade de Clone Wars, mas não queria que o seu sucesso beneficiasse terceiros. Natural. A última temporada serve assim para fechar o período entre Ep. II e III, mas também para introduzir projectos futuros. Para mim, o que fica muito presente foi ver mais um lado do fatídico dia da Ordem 66, desta feita pelos olhos da personagem incrível que se tornou Ahsoka Tano.

Da mesma forma que Clone Wars serviu para tornar mais verosímel e completa a transição de Anakin, do lado bom para o lado mau da força, também eu passei por uma transição. Passei de tipo que gosta de Star Wars (fã da trilogia original, do resto «acho fixe»), para o tipo que vê vídeos sobre a história de personagens secundários de séries spin-off de animação. Ando um nerd de Star Wars autêntico. E não ajuda que ande a comprar roupa interior com a tromba dos stormtroopers.

Isto foi o pormenor importante de ver Clone Wars. Não a roupa interior. O universo expandiu. Os nove filmes são sobre os Skywalkers. E a verdade é que a família não é assim tão interessante. Às tantas fartámo-nos da novela. Ou melhor, pensávamos nós que estávamos fartos da novela, quando na verdade estávamos fartos dos mesmos personagens, que no meio duma galáxia (que tende a ser uma área relativamente grande) estavam sempre em todo o lado e metidos em tudo. Acabou por tornar-se algo estapafúrdio. Clone Wars começa focado nos mesmos Anakin e Obi Wan, mas depois dá-nos Rex, Fives e tantos outros clones, dá-nos Ahsoka (obrigado), Ventress, Bane, entre outros, mais os Mandalorians, com a sua mui rica história. E, de repente, Star Wars é tanto mais que três trilogias.

Agora vamos entrar nas teorias e um pouco na desconstrução dos Jedi e, em particular, do famigerado Yoda. Isto não vai ser fácil de explicar e até é demasiado longo, mas estou em modo «falar de nerdices», por isso temos pena. Os meus primeiros pensamentos, ao ver Clone Wars, foram acerca dos cargos dados aos Jedis e mesmo ao Sith. Achei tudo exagerado. Os Jedi são «generais» e os Sith «Supreme Leaders». Que parvoíce. Quem é que deu estes cargos a palermas que aparecem do nada? Muita gente na galáxia nunca viu, ou acredita sequer, nos Jedi, por exemplo. Claro que, parando depois para pensar, tinha ouvido estes cargos nos filmes. Não era novidade. Então porque fez-me confusão desta feita? Foi um pouco porque há muito mais batalhas e interacção entre os Jedi e o exército de clones. E não é só o Anakin, o Obi Wan ou o Yoda. Há mais Jedis a comandar. Mesmo percebendo que não era só uma coisa da série, mesmo sabendo que já tinha ouvido tudo isto antes, continuava com uma sensação de desconforto. Que se calhar também tive nas prequelas e não me recordo, ou não me apercebi. Foi muito confuso e distraía-me demasiado do resto da acção.

Até que vi este vídeo do Screen Crush, que destruiu a visão que tinha. De tudo! A culpa da guerra, do fim duma era, dos Sith ganharem e do Império existir, é tudo culpa dos Jedi. Em especial (e atenção que isto é particularmente polémico) do Yoda. O Yoda é o culpado de tudo! O vídeo explica muito melhor do que eu alguma vez conseguirei aqui por escrito. Mas a verdade é que os Jedi eram peace keepers. Uma espécie de monges que, se fosse necessário, intervinham para defender os inocentes de meliantes. Esta é a palavra fulcral: defender. Não «atacar», «liderar», «arquitectar» ou «lutar». Os Jedi não são suposto ser generais de guerra. São suposto ser mestres da força, uns com o universo e todas as suas criaturas. Foi o Yoda, enquanto líder dos «monges», que decide ser a liderança das tropas da República. Foi uma distração que estupidamente aceitou, que permitiu ao Imperador fazer o que queria nas suas costas, e criar o Império. Há demasiado momentos em que Yoda foi avisado (do chip nos clones e que foram os Sith a encomendá-los; do Anakin a pender para o lado negro; por uma padawan que disse, com todas as letras, que era errado o que estavam a fazer; pelo fantasma do Qui-Gon!) e o marreta verde ignorou tuuuuuuuuuuuuuudo. Por ego. Porque queria ganhar a guerra. Por egoísmo. Porque não queria voltar atrás na decisão errada que tomou no início.

Atenção que isto não me faz odiar os Jedi e nunca, mas nunca, conseguirei não gostar do Yoda. Esta maneira de ver as coisas não estraga em nada a forma como vi e vejo as trilogias. Simplesmente dá-lhe mais volume, mais camadas. São humanos. Quer dizer, o Yoda não. Nem se sabe bem o que é o Yoda. O que quero dizer é que são criaturas sencientes, capazes de grandes feitos, mas também de erros graves. A verdade é que esta nova percepção só faz com que queira ver os filmes outra vez, com novos olhos. Que queira e que ande a ver todas as séries de animação que estão na Disney+. Que queira devorar tudo o que existe sobre a galáxia, que existe far far away.

Que seja bem claro, independentemente de ver agora que o Yoda não é assim tão esperto, may the force always be with us. Ou pelo menos comigo. Vocês façam o que quiserem da vossa vidinha. Toda a gente é livre para escolher o que ache o melhor para si. Mesmo o Yoda pode escolher não tornar o Anakin mestre e, também com isso, criar um dos maiores vilões da história. Cada um sabe de si.

Sunday, March 6, 2022

despachada: Empire Falls


O Josh Lucas faz o personagem de Paul Newman, mas em novo. Se há coisa mais insultuosa no mundo, não conheço.

Os Americanos bem que gostam destas novelas de terra pequena e charmosa. Na verdade, não tem assim tanto interesse. É mesmo só cusquice. O tipo casado rico tem um caso com a mãe solteira. Xiiiiiiiii, que caso tão pouco original e relevante!

Ed Harris é um íman sexual, mesmo tendo o cabelo demasiado grande dos lados, a certa altura. Sim, foi um aspecto particularmente assustador. Parecia um boneco tipo Chucky, em que alguém rapou a parte de cima da cabeça. Aterrador. Mas dizia que Harris tem todas as moças da cidade atrás dele, sejam novas, velhas, casadas, noivas ou solteiras. Todas, menos por quem Harris tem um fraquinho. É sempre assim, não é? A história não é esta, atenção. Passa mais por Harris ir descobrindo, inadvertidamente, a história da sua família. Em concreto detalhes sobre a vida da mãe.

Sim, ela era mãe solteira e teve um caso com o marido rico da família que era e é dona da cidade.

Uau! Que escandaleira!

Thursday, March 3, 2022

despachada: Lambs of God


Três freiras vivem numa ilha, completamente isoladas do resto do mundo. Vivem num convento que a igreja não tem ideia de existir, mas que está lá há algum tempo. No passado terá sido algo mais conhecido, mas que os padres tinham ideia de ter acabado. Como em tudo no mundo, a igreja católica é bastante machista e não quer saber do que um par de freiras estão a fazer no meio de lado nenhum. Até que os homens querem vender o terreno. Há uma cadeia hoteleira interessada em ter ali mais um dos seus hotéis. Assim, depois de anos e anos sem visitas de homens, um padre aparece certo dia, para analisar o terreno e virar a vida destas senhoras de pernas para o ar.

Dito desta forma até parece ser uma coisa cómica. Não é. O padre não morre, pelo menos umas três ou quatro vezes, não sei bem como. A mini-série tem quatro episódios e, no final de cada um, eu estava certo que o padre tinha ido desta para melhor. E depois há as histórias das freiras. Uma delas nasceu e cresceu no convento, pelo que não tem grande ideia de como é a vida fora dali. As outras duas vieram do «mundo exterior», cheias de traumas e zero pertences, à procura dum sítio onde possam refugiar-se. Esse foi o grande propósito do convento, ao longo dos tempos. Oferecer um refúgio para mulheres traumatizadas por homens. Fosse este um sítio mais conhecido e estou certo que cedo deixaria de ter espaço para mais pessoas.

Boa história. Boa narrativa. Gostei de ver. Mais do que esperava. As imagens de promoção da série são aterradoras.