Tuesday, February 28, 2023

filme do mês: Fevereiro '23

Consegui ver menos filmes que em Janeiro. Ser um mês com menos dias não é justificação. Passará por andar meio desiludido com Hollywood, por não haver assim tanta coisa que queira efectivamente ver, mas se calhar mais por andarmos preocupados com outras coisas. Coisas essas que vão acontecer em Março e mudarão a dinâmica de... Tudo! Não só de ver filmes.

É verdade, verei menos coisas estes próximos meses. Sem dúvida. E assusta-me. Porque se não vejo filmes e séries, quem sou eu?

De qualquer modos, vi umas coisitas bem boas e recomendáveis: Dorosute No Hate De Bokura, Galaxy Quest, Strange World e Knock at the Cabin. Destaque maior para Plane, o primeiro «blockbuster» do ano.

Saturday, February 18, 2023

despachada: The First Team


Olha, alguém tentou fazer outro Ted Lasso!

Não foi bem um «alguém» qualquer. First Team é criado pela malta que fez o Inbetweeners, série com algum sucesso (merecido), de que gosto bastante. Porque não funcionou? Porque futebol não tem assim tanta piada. Porque se não tiveres tipos mega engraçados e personagens que toda a gente adora (football is life, à cabeça) ninguém consegue identificar-se com jogadores de futebol, com o universo de futebol. Adeptos não querem rir-se com o desporto, ou a personificação engraçada do desporto. E malta que não gosta de bola não tem interesse em ver uma série sobre bola, por muita piada que tenha. Novamente, Ted Lasso é uma excepção. A série tem sucesso pelo brilhantismo de Sudeikis e amigos, para além de que é muito mais do que uma série sobre futebol.

First Team é o mesmo registo de Inbetweeners. Mas, enquanto todos fomos adolescentes de liceu, cheios de hormonas aos saltos, ninguém frequentou um balnerário de clube de topo de futebol.

despachada: Reboot


Uma das primeiras tentativas falhadas desta época. E tenho pena, porque o elenco é divertido o suficiente para fazer algo de jeito, se lhes fosse dada a possibilidade. Mas mais do que discutir os méritos ou deméritos de Reboot, não consigo deixar de pensar na mudança de paradigma, e a demorada adaptação a esta, que ainda trará muitas mais «vítimas» de cancelamentos precoces.

Reboot tinha Keegan-Michael Key, Judy Greer e Paul Reiser como os nomes mais sonantes, mais Knoxville e Rachel Bloom para apelar a nichos. Há ainda meia dúzia de malta talentosa, que ajuda e muito a dar profundidade a qualquer elenco. É uma série criada por Steve Levitan, que vem do sucesso tremendo que foi Modern Family. A série é lançada na plataforma Hulu, que permite-lhes ter uma série mais adulta, capaz de dar mais do que apenas umas risadas em família. E permite ainda chegar a muita gente, através de Hulu nos states e Disney+ na Europa e afins. Tem tudo para correr bem, certo? Errado.

Porquê? Bem, no meu entender passa por números. Levitan elevou a fasquia com Modern Family. Qualquer estúdio ou canal está à espera que traga um número elevado de espectadores, só porque é ele. Logo, o número do seu salário será elevado. Assim como os salários de alguns membros do elenco. A Reiser precisam de convencê-lo para tirar o cu do sofá. Como o seu personagem diz na série, é «demasiado velho e demasiado rico» para fazer certas coisas. Mas voltando às audiências, começa a ser cada vez mais difícil chegar aos «bons» números de outrora. E atenção que falamos apenas de audiências dos Estados Unidos. Continuam a ser apenas essas que interessam. Não estou a ver nenhum estúdio a querer continuar uma série só porque tem sucesso na Europa e/ou na América Latina, por exemplo. Dantes havia menos canais, menos alternativas e muito, mas muito menos séries. A atenção agora é super dividida. Não há seis séries com dez milhões de espectadores cada. Há 120 com meio milhão cada.

E mais, dantes víamos o que dava na TV. Todas as várias coisas. Hoje em dia vemos uma série inteira em exclusivo. Temporadas após temporadas, tudo de enfiada. Eu, que vejo muita (demasiada?) coisa, ainda há uns tempos pus-me a ver Americans e pouco mais vi para além disso. A forma de ver conteúdos mudou. Ou, pelo menos, está a mudar. A forma de criar conteúdos é que ainda não se adaptou. Especialmente a mentalidade desta malta, que acha que lançar uma série em serviço de streaming é o mesmo do que lançar num canal de TV. Claro que acontece haver um visionamento semanal com fenómenos pontuais. É complicado não ver todas as semanas os novos episódios de House of the Dragon ou Last of Us, dando exemplos da HBO. Ou ver tudo num fim-de-semana de Stranger Things. Porque, mais que não seja, a Internet e a malta no escritório não falam doutra coisa. Mas ninguém tem a necessidade de ver semana a semana Reboot. Isto é a série que começamos a ver quando procuramos algo para preencher os espaços da semana. Vemos dois ou três episódios numa noite e, se calhar, depois passamos o resto da semana sem ver nada. Vemos com gosto, atenção. Só não há é urgência. 

Para que séries como Reboot vivam algum tempo (ênfase no «algum» e não na eternidade que foi Modern Family, por exemplo), é preciso mudar a mentalidade. As séries têm de ser vistas como criação de catálogo. Para que um utilizador, ao procurar um serviço de streaming, seja convencido pelas várias opções disponíveis. É isto que fará um serviço de streaming ser bom, e não apenas ter a série da moda desta semana.

Wednesday, February 15, 2023

despachada: Paper Girls


A carreira de Brian K. Vaughan na televisão não faz qualquer sentido.

O homem tem três facetas, que reconheço-lhe. Duas delas na TV. A outra, onde é um consagrado e escreveu algumas das melhores histórias das últimas décadas, é a banda desenhada. Neste meio, o homem é rei e senhor. Criou personagens novos dentro de universos estabelecidos (nos tempos recentes é mais difícil do que parece) e cada novo livro que cria é imediatamente seguido por uma legião de fãs. Na televisão, por um lado também tem algum sucesso, embora não tenha muitos créditos associados ao seu nome. Desenvolveu o Under the Dome que, não tendo sido brilhante, teve ali algum mediatismo no início. Escreveu ainda alguns episódios para um pequeno fenómeno televisivo chamado Lost. Alguém conhece?

Depois há a faceta que não percebo. Acho mesmo que nunca perceberei, por muito que viva 1000 anos. A de criador que fica a ver outras pessoas destruírem completamente as suas histórias. Porquê?! Já são três exemplos de séries criadas com base nas histórias de Vaughan, que são desenvolvidas e escritas por outras pessoas, com resultados desastrosos! A primeira foi Runaways, baseada numa BD da Marvel, mas que não foi desenvolvida pela máquina MCU. Foi feito por um qualquer canal de TV, que adquiriu os direitos. É possível que  ainda estivesse a dar, não fosse a máquina MCU ter acabado com projectos paralelos. Eu comecei a ver Runaways. Eu adorei a BD. Lá está, personagens novos num universo estabelecido. Foi refrescante. Foi excitante. Runaways tem tudo o que se quer. Na BD. A série de TV é a confusão estereotipada das novelas norte-americanas. Tudo ao mesmo tempo. Tudo a mudar de episódio para episódio. Vilões e heróis a mudarem de papéis ao sabor do vento. Uma salgalhada. Desisti de ver porque tinha muito pouco a ver com o material de origem. Depois veio Y: The Last Man, que teve dificuldades por causa do timing da coisa, mas que sofreu também do mesmo problema. Alterações desnecessárias à história original. Foi cancelada. Seguiu-se pouco depois este Paper Girls, exactamente com o mesmo resultado. Foi cancelada a meio da primeira temporada.

Porquê?

Não o cancelamento, atenção. Percebo perfeitamente o cancelamento de qualquer uma destas séries. São péssimas. A minha pergunta é: porque mudam tanto a história? Ajuda em quê? O que faz, logo à cabeça, é alienar os fãs. Uma série, ao basear-se num material original conhecido e respeitado, tem logo à cabeça um grupo de fãs absolutos. Se mudas a história perdes quem estava à espera anos para ver. Os que iriam publicitar e defender a série de todos os que estivessem numa de armar brigas. Não só os perdes, como ganhas logo um grupo de haters. E estes vão afugentar quem até poderia gostar da nova história. Porque é isso que estão a criar. Uma nova história com um nome conhecido. É enganador. Para quê? Para quê criar uma nova história que muitos vão logo odiar, que não terá garantias nenhumas de que alguém novo possa vir a gostar?

Eu percebo a questão de ter de adaptar um género a outro. A sério que percebo. Há coisas que funcionam na BD e não fazem qualquer sentido em série ou filme. O oposto é igual. Tudo tem a sua forma no local certo. A sério que percebo tudo isso. E sim, como disse no post do Last Man, são personagens femininas que precisam de ser trabalhadas (entenda-se: escritas por mulheres). O mesmo passa-se aqui. As miúdas adolescentes em Paper Girls (a BD) são demasiado parecidas a qualquer outro personagem adolescente escrito por um homem branco de 40 anos. Logo, precisavam de ser melhoradas. Precisavam de ter mais profundidade. E acedo ainda que as histórias de Vaughan na BD são demasiado esquisitas para mainstream televisivo. Posto isto...

Porque é que mudaram tuuuuuuuuuuuuudo do início da história original? Porque é que andaram mais focados no sonho de nos vermos a nós próprios no futuro e vice versa, e não se preocuparam de todo com o desenrolar original da história. Isto é uma história de ficção científica misturado com nostalgia, com o bónus de que não tem os mesmos rapazes branquelas como principais! Não é uma sessão de psiquiatria para resolver os traumas de infância duma equipa de escritores de televisão!! Sim, uma delas conhecer-se no futuro e ficar desiludida é importante para a história. E todas podiam e iam passar por isso. Mas tem de ser nos primeiros episódios?! Tem de ser da mesma forma? Não se pode estender por três ou quatro temporadas?!?! F0d@-s€, mas isto é assim tão difícil de perceber?!

Meus caros, isto não é complicado. Querem fazer uma série de sucesso? Um passo que ajuda é adaptar algo bem sucedido por si só. Mais uma vez, é garantir público logo à cabeça. Passo seguinte: não f0d€r o conteúdo original! A BD é um storyboard já feito para uma série!! Alguém fez o trabalho por vocês! É só replicar o 2D em 3D. Passar do papel para a tela. É o mais fácil que pode haver. E caso achem que estou a ser simplista, basta olhar para um caso de sucesso recente.

Last of Us está ter bastante sucesso. É uma série baseada num videojogo! Nem sequer há muita história. É um shoot 'em up de zombies. O jogo é andar aos tiros. Só. Logo, foi preciso desenvolver história para a série. Até agora mal vimos zombies na série, em boa verdade. Tem sido só conversa. Só drama.

E...
MESMO ASSIM...
OS CRIADORES DA SÉRIE METERAM CENAS INTEIRAS DO JOGO NA SÉRIE! FALAS INTEIRAS! CENAS IGUAIS! FALA POR FALA, PLANO POR PLANO!!

Sim, estou muito chateado com isto. Porque é por demais absurdo. Uma série de TV, baseada num jogo, tem mais do conteúdo original do que uma série baseada numa banda desenhada. Isto faz algum sentido? A sério. Por favor, alguém que me explique como é que isto é possível. Tu, Vaughan, por favor explica-me como é que deixas isto acontecer? É só o dinheiro? Não estás para chatear-te? A sério que preferes deixar as tuas histórias nas mãos de gente idiota?

Estou maluco com isto.

Monday, February 13, 2023

despachada: Dead to Me


Esta série tem duas referências que me são próximas. Conheço Applegate não desde o início, mas com uma série que achei muita piada em miúdo: Jesse. Cardellini conheço-lhe o primeiro grande papel, no famigerado Freaks and Geeks, a eterna série que aparece em todas as boas listas de séries canceladas cedo demais. Para além da nostalgia, ambas têm talento e este é mostrado na totalidade em Dead to Me. São papéis de carreira, disso não haja dúvidas.

Sobre a série em si, acho-a boa. Não sinto que seja o que lhe pintam, mas muito porque a terceira temporada, para mim, não esteve ao nível das anteriores. A premissa é boa. O desenrolar nas duas primeiras temporadas é óptimo. A terceira surge depois de vários problemas, com COVID estando à cabeça, passando pelo péssimo critério editorial da Netflix (só não cancelou depois da segunda por acaso, parece-me), e terminando com o problema de saúde grave da Applegate. A verdade é que tudo roça demasiado o ridículo na terceira. Se seria justificável ambas as personagens terem-se safado dos seus crimes nas primeiras temporadas, na terceira é por demais evidente que teriam de ser presas. Mais que não seja porque ambas confessaram crimes à polícia.

Que não se pense que a minha opinião é maioritariamente negativa. A série é boa e recomendável, para quem gosta do género. Há muito talento aqui metido e não é por causa duma temporada que o resto deve ser posto em causa. Convenhamos que isto está longe de ser um caso tão grave como Game of Thrones ou Lost, atenção. Refiro-o mais porque foi o último que vi da série. É o que está mais presente. De qualquer modo, a conclusão final é que foi bom ter visto Dead to Me. E a verdadeira pena que tenho é que não veremos novo conteúdo com Applegate. Isso sim, é de lamentar.

Saturday, February 11, 2023

despachada: Avenue 5


Para choque de ninguém, Avenue 5 foi cancelado.

O projecto era interessante. O elenco muito bom. A premissa gira. A execução deixou a desejar, como é apanágio nestas coisas. Em especial a primeira temporada, onde demasiados momentos que deveriam ser engraçados simplesmente não eram. A segunda foi melhor, na minha opinião, mas talvez muito porque as expectativas eram baixas. De qualquer modo, sinto que as personagens estavam mais cimentadas e determinados pormenores irritantes foram eliminados. Contudo, não foi suficiente.

O nível de exigência era elevado. Houve aposta na série. O elenco não deveria ser barato, mais efeitos, cenários, etc. A primeira temporada não foi brilhante, o que levou a muitos «rumores» que provavelmente não haveria segunda, ou que seria a última. Aliás, o que li mais é que a intenção dos executivos era para que a segunda fosse efectivamente a última. Algo que os criadores decidiram ignorar, por algum motivo. Assim, temos apenas duas temporadas incompletas duma... cena, que não teve um final digno desse nome.

Mais um projecto falhado, de entre muitos. Este falhanço pareceu-me evitável, confesso. Havia mais que condições para fazer algo de jeito.

Tuesday, January 31, 2023

filme do mês: Janeiro '23

Que começo de ano tão fraquinho.

O início do mês foi bom. Do melhor que se pode querer, em boa verdade. Uma transição perfeita para um novo ano. Depois disso a coisa esmoreceu. Muito. Janeiro tende a ser um mês fraco, embora a tendência seja para melhorar. Mesmo assim. Não houve vontade. Houve outras prioridades. Não há muito para ver. Yadda yadda yadda... Chega de dizer sempre a mesma coisa! Se não tenho nada para dizer, nada devo dizer.

Destaco três filmes por motivos diferentes, mas todos são bom entretenimento (para além de Star Wars, claro): RRR (Rise Roar Revolt), Puss in Boots: The Last Wish e Shotgun Wedding. O destaque maior vai para um que, se ganhar um Oscar, desta feita até será merecido: The Banshees of Inisherin.

Saturday, January 28, 2023

despachada: Schitt's Creek


À terceira será de vez? Claro que não. É das séries preferidas da minha senhora. Eu também gosto bastante, embora não ao nível dela, de andar a ver vídeos YouTube dos melhores bocados, volta e meia, ou de usar constantemente GIFs da série. De qualquer modo, foi só mais uma vez que vimos. Tenho 100% de certeza que não será a última.

Assim, não vou «gastar o meu inglês». Até porque não há grande coisa a dizer. É uma boa série, com óptimas interpretações, cheia de coração e emoções várias. É tolo quando tem de ser. É hilariante em vários momentos. Tem um grande elenco. E as expressões faciais dos actores, em tantos momentos, é qualquer coisa só por si. A série vale pelos diálogos, mas tanto é não dito, porque basta olhar para as caras deles e perceber tudo. É um píncaro, por demais.

Não é um adeus. É até à próxima, Schitt's Creek.

Tuesday, January 17, 2023

despachada: Quantum Leap


Esta série tem várias particularidades. Comecemos pelo início. Tem um genérico gigantesco. É mesmo um absurdo. Como era sempre o caso para as séries deste período, bem sei. Se dúvidas houvesse sobre quando foi feita, o gerérico dissipa-as. Ou seja, até é uma coisa normal, dado o tempo em que foi feita. Destaco este ponto porque, tendo em conta que só têm dois actores no elenco principal, qual era a necessidade de tanta musiqueta e montagem apenas para anunciar apenas dois actores? Vamos para a acção mais rapidamente, caramba!

Depois, Sam Beckett (esse nome clássico) viaja atrás no tempo, mas só entre as décadas de 1940 e 1980. Não mais que isso. Faz parte do enredo. Supostamente é uma limitação da «ciência» descoberta pelo personagem, mas é apenas porque não há dinheiro para indumentária muito antiga em termos de produção dos episódios, como é óbvio. Há muitos mais exemplos de ficção científica em que dizem que é melhor nem viajar no tempo em que existimos, por problemas com paradoxos ou algo assim. Há uma base teórica científica (ênfase no «teórico», atenção). Eu é que não a sei.

E se até aqui eram questões de somenos, depois temos problemas de white savior e violação, mais a questão de que as pessoas cujas vidas ele ocupa não estão presentes em momentos de grandes alterações. Como será ter uma branca, adormecer solteiro, só para acordar casado, por exemplo? Explanando um pouco melhor, Sam ocupa o corpo doutras pessoas no passado. Há uma troca de mentes, por assim dizer. Sam ocupa o corpo de homens e mulheres, de idades e raças várias. Essas pessoas, por sua vez, ocupam o seu corpo no «futuro», passando o tempo numa sala de espera e recebendo pouca informação, enquanto um desconhecido resolve-lhes a vida. Por vezes são trocas curtas, mas nem sempre é assim. Sam vive as suas vidas por inteiro, durante este período. Faz os seus trabalhos, canta os seus concertos, participa nos seus jogos grandes e interage com amigos, família ou parceiros sexuais. Porque sim, Sam tem relações com algumas pessoas. Mulheres sempre, claro. As mais atraentes. Mesmo quando estava no corpo duma mulher casada, nem por isso havia beijinhos com o marido. Durante dias. Mas esqueçamos os preconceitos da década de 80, senão nunca mais daqui saímos. E, verdade seja dita, Quantum Leap tentou ser progressiva, no que lhes foi permitido. Só que a verdade é que o homem era um white savior que violava moças, fingindo ser outra pessoa. Isto chegou mesmo ao ponto dele ser pai duma rapariga, que passou a vida sem saber quem era o verdadeiro pai, para todos os efeitos. Essa parte, e outras, foram mega cringe.

Por fim, o final. Que não foi final porque a série foi cancelada sem grande pré-aviso. A equipa de produção terá ficado com azia e meteu um cartão final a lixar tudo. O personagem queria voltar a casa, ao seu tempo. Essa sempre foi a premissa base da série. Pelo meio fazia de anjo da guarda e rectificava problemas, de modo a melhorar a vida de muita gente. Esta última parte fez sempre. A principal não conseguiu. O cartão disse apenas «esqueçam, que ele nunca mais voltou a casa (porque os executivos são umas bestas e não percebem nada desta m€rd@!)». A segunda parte não estava no cartão, claro, mas subentende-se.

Posto tudo isto, Quantum Leap foi uma óptima companhia nos últimos tempos. Gostei da série quando a vi em miúdo. E não tenho problema algum em dizer que marcou o jovem moço que fui, assim como o adulto que vim a ser. Sim, aos olhos de hoje há muitos pontos problemáticos. Mas na altura procuraram quebrar algumas barreiras e abordar assuntos problemáticos. Sexismo, racismo, discriminação generalizada. Tudo resolvido de forma muito bonita, em quarenta e tal minutos, por uma pessoa, quase como se nunca tivessem existido problemas - à boa maneira americana da época. Sem dúvida. Fizeram muito e mudaram a sociedade? Fizeram algo. Fizeram o possível. E a mim abriram um pouco os olhos para alguns assuntos, na altura.

É uma série que marcou-me. A verdade é essa. E gostei de a rever. Aconselho malta nova ver? Claro que não. É super datado e não faz sentido. Já a nova versão (fizeram um reboot agora em 2022)... De certeza que não será boa, mas tenho muita curiosidade de ver como resolveram a questão moral de ocupar a vida doutras pessoas e fazer determinadas coisas. Muito curioso, mesmo.

Monday, January 9, 2023

despachada: Obi-Wan Kenobi


Depois de ver a série, pela primeira vez, vi aquele documentário que a Disney+ lança sempre agora, para os filmes e séries Marvel e Star Wars. Uma espécia de «making of» / «behind the scenes». É coisa para nerds com demasiado tempo livre. Sem dúvida. Mas neste... Bem, o McGregor estava a fazer-se ao piso para mais tudo o que fosse ele interpretar Obi-Wan. Acho que até participaria na sequela do Christmas Special, ainda que estivesse ao mesmo nível. Não sabia que ele gostava tanto de Star Wars. Quer dizer, se fosse eu seria o mesmo. Há aqueles universos que serão sempre o sonho de fan boys em fazer parte, mesmo para actores mega famosos (por terem «mergulhado» na retrete mais nojenta do universo).

Daí que até tenha ficado na dúvida se haveria algum plano para segunda temporada. Não acredito. Não acreditava e continuo a não acreditar. Não faz qualquer sentido. Fizeram um óptimo serviço de acrescentar à nonalogia com esta série. Não convém estragar. Agora, que o McGregor fez-me duvidar, com a sua paixão pelo personagem, lá isso fez.

Não há alterações ao que senti há seis meses. Continua a gostar bastante do que foi feito aqui, apesar de ter algumas coisas coladas a cuspo. Não quero saber. Aqueles confrontos entre Vader e Obi-Wan alimentam-me a alma. Fazem o Sol aparecer no dia mais encoberto. Fazem-me respirar melhor. Até quase passo a ter fé na humanidade.

Quase.

despachada: Living With Yourself


Não acabei de ver a série agora. Não houve qualquer anúncio de cancelamento. Aliás, na Internet ainda há muito sítio que diz que uma segunda temporada poderá acontecer. Só que devia estar a estudar Neerlandês, o que significa que estou a fazer coisas parvas como, por exemplo, correr a minha lista de séries e ver se há alguma que entretanto «deixou de existir».

À boa maneira da Netflix, esta série vivia no limbo. Em princípio não continuará - porque não foi um sucesso de maior, porque não há um enorme público a pedir a sua continuidade, porque continuar a pagar ao Paul Rudd será difícil, porque a agenda de toda a gente entretanto estará muito diferente -, mas convém não fechar portas. Para a Netflix será sempre bom ter mais conteúdos com alguém do nível de Rudd, mesmo que seja caro. Não quer isto dizer que farão grandes movimentações para continuar o projecto. Os tempos mudaram e os objectivos da Netflix não passam por ter este tipo de séries. Talvez se fosse a Apple ou a HBO. Muuuuuuito «talvez».

E a trampa é que este modelo não ajuda no legado que as séries deixam. Antigamente até podíamos ter uma série que não durasse muito tempo, mas seriam ali três ou quatro anos em que havia uma «presença». Uma pessoa conseguia associar o momento da sua vida com a existência duma série. «Epá, lembro-me perfeitamente. Foi grande companhia para mim, quando estava a estudar no estrangeiro / a terminar a minha relação / a chumbar Análise Matemática II pela quarta vez.» Eu não faço ideia onde estava quando vi a primeira temporada de Living With Yourself. E da série em si pouca memória tinha também. Vi umas imagens e houve coisas que voltaram. Gostei da série. Sei disso. A premissa era interessante e a dupla principal é óptima. E até há um momento que, volta e meia é referido na minha relação, o raio da menção constante da «credenza».

Vou lembrar-me de Living With Yourself mais alguma vez na vida, se não passar os olhos neste post, por acaso? Não. Claro que não. E por isso culpo a péssima gestão que a Netflix faz e dos demais serviços de streaming, que lançam (ou não) novas temporadas passado demasiado tempo.

Sunday, January 1, 2023

top dos filmes vistos em 2022

Comecemos por mudar o raio do título destes posts. Dá sempre a entender que são os melhores filmes lançados no ano (no caso, 2022) e nunca é isso. Passa a ser este título e espero não me esquecer para o ano. Outra coisa que preciso fazer é simplificar o processo. Porque esta porcaria demora mais tempo a fazer do que tenho para dar. Até ler os posts anteriores já demora demasiado tempo.

Logo, demos um passo atrás. Abaixo estão a lista dos melhores dos melhores filmes que vi este ano. Para mim. Sempre. Seja por que motivo for. Não vou incluir revisionamentos, porque se os revejo por algum motivo é. Irei um pouco além do que apenas listar os «Filmes do Mês». Porque poderá ter sido o melhor desse mês, mas não quer dizer que seja incrível. Fora isso, é uma lista e pronto.

De resto e, mais uma vez, procurando simplificar:
- Este ano a vida não deu a volta desejada e começa a ser preocupante. Aliás, foi isso que levou a ver demasiadas coisas. Basta olhar para o número de posts deste blogue, este ano, que é o maior dos últimos dez anos! Vi muita série.
- Começo a cimentar o meu envelhecimento e a rabujar demasiado com falta de qualidade a sair de Hollywood. Por todos os motivos e mais alguns deveria ver menos lixo, mas essa mudança será gradual. Ou talvez não.
- Porque 2023 trará uma grande novidade pequenita (pelo menos ao início). E essa sim, alterará os ritmos e tempos disponíveis.
- Nem tudo foi mau. Houve momentos muito em baixo, mas também algumas alegrias. E, desde que assim seja, está tudo bem. Mais que não seja, o Benfica ganhou mais vezes. 


Cá estão os ditos. Tomai-os como «recomendações», se quiserem. Estão aqui coisas bem boas.

Saturday, December 31, 2022

filme do mês: Dezembro '22

Dezembro tornou-se um mês menos particular, neste blogue, nos últimos anos. Durante maior parte do tempo foi usado para aproveitar tempo perdido, usando a pausa de Natal para aumentar números ou ver coisas em atraso. Lembro-me de bons meses, com números fortes e boas coisas vistas.

Recentemente Dezembro evoluiu para o mês que é, de filmes de Natal, de época. Para além de que é também um mês que aproveito para voltar à terrinha. São boas razões, mas é menos tempo para ver filmes e alimentar o blogue. Achei que seria um mês fraco este ano precisamente por isso. Não foi, curiosamente. Fiz um forcing final, por medo de não chegar ao número mínimo (da minha cabeça), mas depois a minha senhora ajudou a aumentar ainda mais. A recta final acabou por ser frutífera, terminando mesmo num dos pontos mais alto possíveis, com a trilogia sagrada.

Esses seriam e são sempre os «filmes do mês», ou «do ano» e, em especial, «duma vida». Mas tragamos coisas novas para aqui, por muito que a qualidade não tenha abundado. Houve muito «filme de Natal» fraquinho. Foram giros de se ver mas não são bons filmes, sejamos honestos. Destaco este mês Christmas with the Campbells, Something from Tiffany's, Spirited, Terminal Velocity, Drop Zone e Violent Night. E, como filme do mês e de época, fica com o destaque maior Your Christmas or Mine?, um verdadeiro filme de Natal, com todas as letras.

Tuesday, December 20, 2022

despachada: Blockbuster


Recebi notícia do cancelamento. Terminei a primeira temporada há algum tempo. E poderei dizer, com 100% de certezas (algumas pessoas até diriam «120%», apesar de ser matematicamente impossível), que o cancelamento foi uma surpresa para... ninguém.

Na imagem, a expressão facial da moça de trás é a expressão que faria, se alguém se lembrasse de fingir surpresa ao saber que Blockbuster tinha sido cancelado. Porque foi fraquíssimo. Sem justificação nenhuma. Tinha um elenco porreiro (tirando o melhor amigo, não percebo a piada que vêem neste gajo). Foi criada por uma tipa que escreveu para séries óptimas. Era uma cenário de local de trabalho, igual a tantas outras séries de sucesso. E toda a gente adora gozar com a Blockbuster, a empresa que prescindiu de comprar a Netflix, quando esta ainda era pequenita, e acabou sendo vítima do sucesso desta e doutros serviços de streaming, quais arautos da desgraça.

Talvez o problema tenha sido mesmo esse. Desde o início que tinha uma sombra, umas núvens a pairar sobre todo o enredo. Como na realidade, esta loja era a última em existência (não fui confirmar, mas até há pouco tempo havia ainda uma última loja Blockbuster em funcionamento nos EUA). E desde o primeiro segundo que a grande questão era manter a loja aberta. Cada episódio era passado a sobreviver ao fecho e ao desemprego dos funcionários. Terá sido um pouco negro para uma série cómica? Talvez. Porque não apostaram numa coisa saudosista? Poderiam ter metido a história nos anos 90, auge do aluguer de filmes e do cinema em si. Não viram o sucesso que foi, quando a Captain Marvel aterrou numa loja destas, nessa década?

A ajudar à festa, foi mais uma tentativa horrível da Netflix de fazer uma série cómica. Falham miseravelmente neste formato e temo pelas séries previstas para sair nos próximos tempos (estou a olhar para ti, That '90s Show). Claro que irão pelo mesmo caminho.

Adeus, Blockbuster. Como o franchise que te deu origem, infelizmente será fácil de mais esquecer que exististe.

Wednesday, December 14, 2022

despachada: Love Life


Não a terminei de ver agora. Encontrei numa lista de séries canceladas/terminadas este ano. Curiosamente vinda da página da TV Guia americana, que sigo no Facebook. Se isto não demonstra a minha elevada idade, não sei que poderá demonstrar.

Foi uma decisão recente, mesmo assim. A HBO Max, que pertence à Warner, que pertence a um grupo que foi comprado por outro grupo, anda em reestruturações. Os novos donos querem limpar o serviço de coisas a mais (o que implica tirar do catálogo filmes e séries feitos recentemente), abandonar projectos em curso (o que inclui o Batgirl, da DC, que estava pronto a lançar), mudar liderança em determinadas áreas criativas (há uma dança de cadeiras de executivos, sendo que tenho melhor conhecimento do James Gunn como chefe do (novo) projecto para o DCEU) e, claro está, cancelar séries que não estão a ter o sucesso pretendido. Algumas maiores, outras pequenitas, como este Love Life.

Love Life era um projecto interessante, atenção. Pegar num bom actor/estrela de momento e metê-lo(a) numa história simples e fácil de produzir. Uma coisa rápida, para aproveitar a falta de tempo da dita estrela. Uns poucos episódios de meia hora cada um e está feito. Imagino que o tempo de filmagem fosse pouco mais que um par de semanas. A base é a mesma: amores e desamores. Têm até alguma ligação entre temporadas, com amigos em comum, etc. Não foi mau pensado. Pareceu-me muito bem executado. Talvez fosse caro para o retorno que teve.

Percebo o cancelamento. Tenho pena que tenha acontecido. Via-se bastante bem.

Wednesday, November 30, 2022

filme do mês: Novembro '22

Estou a fazer isto do «filme do mês» há 175 meses. 176 com este. Desde o início do blogue. Parece demasiado tempo, porque são 176 meses. Mas não, é só muito tempo. O processo de fazer o post evoluiu. Tento destacar não só um filme, muito para ajudar-me a depois fazer o post de resumo do ano. No processo aproveito ainda para ter uns pontos de situação da vida. Um diário para mim, onde volto para relembrar-me do Passado, mais que qualquer outra coisa.

É verdade que Novembro teve boas visitas, que ocuparam tempo não só durante a visita em si, mas que levou a alguma preparação. Mas a verdade é que ultimamente sinto um desligar de filmes. Também poderá ter a ver com fases da vida, que não deixam aproveitar a experiência cinematográfica como deve ser. Talvez. O certo é que esta semana dei por mim a pensar que, num futuro próximo, poderei apenas ver filme da Marvel e Star Wars. Mais DC e umas coisas soltas, vá. Ou seja, o que gosto verdadeiramente, o que ainda deixa-me entusiasmado. Como fazem as pessoas normais, no fundo. Vêem o que gostam e não andam a explorar uma data de lixo, na esperança de encontrar algo especial.

Parece uma conversa deprimente, mas não é. Simplesmente é o ciclo normal das coisas. Há muito que penso nisto. Ao envelhecermos ficamos mais selectivos. Porque é difícil haver novas experiências, porque não há nada que venha a marcar como o que vimos quando éramos novos. Convenhamos que a repetição torna-se mais evidente à medida que vemos mais coisas. E depois porque, eventualmente, deixamos de ser o público-alvo. As coisas deixam de ser para nós e começam a ter métodos de narração que o nosso cérebro não consegue compreender. É a evolução natural. Não me deixa deprimido. É o que é. Num futuro próximo conto ver menos coisas, sendo mais selectivo. E se chegar a muito velho (só «velho» já sou há algum tempo) passarei a rever os filmes que adoro, muito mais do que ver coisas novas. Se calhar até em exclusivo. Quem sabe.

Bem, o texto vai longo porque estou a protelar. Tenho de estudar neerlandês, fazer a contabilidade do mês e deveria estar a fazer outras coisas bem mais importantes. Porque a verdade é que este mês o post é simples. Poucos destaques (Weird: The Al Yankovic Story, Bar Fight!, The People We Hate at the Wedding, Clara) - alguns dos quais talvez não marcariam presença num mês «forte» - e um destaque maior. Que merece, atenção. Porque há talento do mais alto nível em Raymond & Ray.

Sunday, November 13, 2022

Rutherford Falls


Começando pelo positivo, é efectivamente uma grande produção. Vê-se que a Peacock está a fazer investimento para enraízar-se. Tenho grandes expectativas para o serviço, embora pouca esperança que o venha a utilizar tão cedo. A NBC sempre criou óptimas séries cómicas, se bem que com as restrições de ser um canal «aberto». Agora com o serviço de streaming o potencial é ainda maior, como se vê nesta produção de Falls. Já a execução, pelo menos aqui, deixou algo a desejar.

De forma estranha não é bem uma comédia, pelo menos na primeira temporada, e é muito difícil gostar de Ed Helms. É a continuação das partes más do seu personagem em Office. O que é estranho. À custa dum qualquer aniversário de Office, tenho visto em muitos sítios (e já mesmo antes disso) a famosa história que os criadores tiveram de mudar o personagem principal. Para a série ter sucesso no mercado norte-americano, para que a série pudesse ter a longevidade conhecida de séries desse território, Michael Scott não podia ser o que o personagem de Gervais foi. Não podia ser o tipo incompetente e odioso. As pessoas não iamter paciência para o acompanhar durante dez anos. Logo, na segunda temporada mudaram-lhe a personagem, o cabelo, os fatos e maneirismos, assim como tornaram-no bom no trabalho. Porque é que voltaram à fórmula de tipo odioso com Helms, depois de terem aprendido a lição, custa-me a perceber.

A verdade é que Helms passa, mais ou menos, pela mesma transição da primeira para a segunda temporada. Terá sido tarde demais? E como é que a série sobrevive a primeira, que não foi boa, caindo com a segunda, que até foi bastante agradável? É daqueles mistérios. Poderá ter a ver com COVID. Ou pelo facto de que o público norte-americano terá tido menos interesse no destaque dado aos personagens nativos. Ou porque o personagem de Helms era cada vez mais supérfluo à história, em boa verdade. Não sei. Foi pena não ter sobrevivido, mas a verdade é que não se perdeu assim grande coisa. Já houve demasiados cancelamentos bem mais controversos.

Monday, October 31, 2022

filme do mês: Outubro '22

Mês com um número simpático de filmes vistos, para além de algumas séries «despachadas». Mais do que o número, foi o ritmo, constante e sem forçar. Não foi preciso acelerar em momento algum, para atingir objectivos. Foi um mês porreiro em quase tudo. Faltou ali um detalhe para ser perfeito, mas suponho que não tenha direito algum a ter tudo.

Já sobre a qualidade em si dos filmes... Confesso que tive dificuldade em fazer uma selecção a destacar. Dois deles entram por serem visualmente bonitos, e outros três estão no limite de terem sido entretidos: The ProposalThree Thousand Years of Longing, Entergalactic, The Wedding Year, Bros, Good Girls Get High e Batman and Superman: Battle of the Super Sons.

Destaque maior vai para Joyride.

Saturday, October 29, 2022

despachada: Mr. Mayor


Surpreendentemente Mr. Mayor foi cancelado. Porque foi uma surpresa, para mim? Porque é de Tina Fey. Porque tinha piada e um elenco com talento. Porque eram épocas apenas com dez episódios o que, por norma, traduz-se em maior qualidade. Porque era uma fórmula que teve imenso sucesso com 30 Rock.

Porque foi então cancelada? A minha teoria vai para o facto de que tinha demasiadas inside jokes sobre LA. Enquanto que NY e os seus detalhes são por demais conhecidos e alguns até são coisas de «cidade grande», com que muita gente consegue identificar-se, LA tem problemas que não são para todos. Fogos intensos e constantes. Secas e racionamento de água. Malta rica a queixar-se que não pode usar tanta água como quer nos seus jardins ou piscinas. Até mesmo a popularidade e mediatismo de cargos políticos. Nada disto faz grande sentido ao cidadão comum.

Foi pena ter sido cancelada. Tinha piada, muito por causa dos intérpretes/personagens. E deixou muitos cliffhangers. Mas imagino que tenha sido piada final. «Ai fomos cancelados?! Então deixa lá reescrever o episódio final só um bocadinho.»

Wednesday, October 26, 2022

despachada: Peaky Blinders


Curioso. Tenho andado a «despachar» muita série britânica ultimamente.

Chegou ao fim a épica saga da família Shelby, dos famigerados «Peaky Blinders». Não chegou nada! Estava a brincar. Consta que querem fazer filmes e continuar a coisa. Parece que fazer séries dá demasiado trabalho, ou custa muito, ou conjugar agendas está mais complicado. Uma coisa dessas. O certo é que querem tornar a coisa menos «episódica convencional». Passam a «episódios cinematográficos», suponho. Pelo menos será essa a ideia. A série acabou, isso é um dado adquirido. Agora, se vão fazer filmes, mini-séries ou spin-offs com estes ou personagens secundários ou novos, não sei. O que sei é que não acredito que queiram abdicar deste franchise. A malta gosta demasiado.

Já ao analisar em detalhe o facto de que a malta gosta duma data de criminosos que mata, rouba, trafica droga, usufrui ou lucra com prostituição e jogo, viola, tem filhos ilegítimos que ignora ou abandona, maltrata mulheres e crianças, suborna, extorque, abusa ou «simplesmente» espanca gente por dá cá aquela palha... Há um problema aqui, pois não deveríamos admirar tanto esta gente. Só que têm pinta e são muito eloquentes. Para além de que têm uma belíssima banda sonora a acompanhá-los. Torna-se difícil não achar-lhes piada, ?

Peaky Blinders foi estilo e carisma em barda. Falas que ficam para a eternidade. Foi uns quantos personagens do outro mundo, a começar e a acabar em Thomas, o patriarca da família, mas sem esquecer Arthur, Polly, Ada ou o famigerado Alfie, entre outros.

A série até pode ter acabado, mas by order of the Peaky f#ck%ng Blinders, dificilmente não veremos mais desta pandilha. É só aguardar mais um pouco.

Sunday, October 23, 2022

despachada: The IT Crowd


Alguma coisa que vimos lembrou a minha senhora duma cena de IT Crowd. Colocou-a de pronto a rodar no YouTube. Bastou isso para querermos rever a série. Nunca será preciso muito para querermos rever a série. E é também verdade que continua a não custar nada ver IT Crowd. É uma série maravilhosa. Tem alguns comentários controversos, sim. Há muitas piadas pouco aceitáveis sobre homossexualidade, por exemplo. É sinal da idade que a série tem.

Eu não posso queixar-me, claro. Não há muitas piadas sobre a minha pessoa. A mim só faz rir. Espero que seja o mesmo para todos, pelo menos na grande maioria da série. Porque IT Crowd é daquelas séries que todos deveriam ver. É um desafio, por exemplo, fazer uma lista reduzida dos melhores episódios. São bastantes e, pelo menos para mim, é muito complicado escolher um Top 3 ou mesmo Top 5. São vários os episódios que estão nos Tops de sempre, de todas as séries, dentro e fora do género.

I will always try to turn it off and on again, Roy. Always.

Sunday, October 16, 2022

despachada: Derry Girls


Being a Derry Girl is a fookin state of mind.

Esta série é altamente recomendável. Foi-me recomendada a mim, em tempos. Só demorei tanto a ver pois aguardava o seu fim. Apenas e só porque gosto de ver séries do princípio ao fim, sem grandes pausas. E se as séries demoram, hoje em dia, duma temporada para a outra! Em defesa desta, Derry sofreu também com COVID, que terá atrasado a produção da terceira e última temporada.

Derry Girls é hilariante. No seu todo. Não só as miúdas. Os adultos são todos eles uma peça. Do mais velho ao mais novo. Ajuda serem Irlandeses, sim. É um estereótipo, mas eu considero-os um povo com piada. Será racismo? É uma faceta positiva. Malta bem disposta e inteligente na utilização da língua inglesa, capazes de tornar leve as situações mais pesadas. Muitas dificuldades teve o povo da Irlanda do Norte, pelo que a sua capacidade de conseguirem rir de tudo, ainda é mais de louvar. Epá e sim, a série faz rir. Não só aquela coisa do sorriso. Nos últimos episódios ria a bom rir, até com medo que um momento mais exuberante pudesse levar a uma crise de falta de ar e tosse.

O elenco é óptimo, ou não tivessem alguns dos actores já feito outras coisas boas, assim como outros estejam na calha para fazer mais coisas boas no futuro. As moças então são um casting brilhante. Tanto, que falamos de personagens adolescentes interpretadas por moças nos seus trintas. Eu sei, Hollywood faz isso constantemente. Mas mal. Aqui, eu acreditei que elas eram mesmo adolescentes. E se me identifiquei com elas. Com a angústia de ser um adolescente. Apenas isso. Não sei nada do que é viver num país em guerra. Mas a cena hormonal e de acessos de loucura / raiva, decisões parvas e momentos embaraçosos, irritação com outros, etc., disso tenho eu memória bem presente. E compreendo. Tudo. Ainda hoje. Apesar de ser tão parvo.

Vá, vai lá ver isto. Está na Netflix e tudo. São três temporadas de formato sitcom de Reino Unido. Ou seja, são só 19 episódios. Dá para ver numa tarde. Anda. Não vais arrepender-te.

Thursday, October 13, 2022

despachada: She-Hulk: Attorney at Law


Não sei se acabou ou se haverá segunda temporada. Ainda agora vi a actriz principal a dizer que seria pouco provável haver uma segunda temporada, mas tanto pode ter dito isso com um motivo alternativo (renegociação de contrato, tentativa de manipular o público, enganar toda a gente), como pode simplemente não saber qual o plano. A segunda parte é mais provável. Sinto que as coisas estão algo caóticas, no mundo que é o MCU / cabeça do Feige.

Apesar de ser fixe ter uma pessoa a controlar tudo, o certo é que faz com que tudo demore mais tempo. Porque haverá inúmeras outras prioridades à frente da decisão de fazer ou não uma segunda temporada de She-Hulk, por exemplo. A começar com os fracos resultados desta «fase», o facto de que há projectos importantes que ainda não têm realização, guionista ou elenco, o que cria atrasos nestes e nos projectos seguintes, ou a notória falta de malta suficiente no departamento de efeitos.

Feige não fechará a porta a uma segunda temporada. Feige não fecha a porta a nada. Se não há um quarto Iron Man é porque Downey já não está para aí virado, ou por ser caro demais fazê-lo. Não é por causa de Feige. Tirando estes casos isolados, tudo é possível. Quando poderá acontecer? Não faço ideia. Daqui a vários anos podemos ter a segunda temporada de She-Hulk: Attorney at Law, ou a primeira temporada de She-Hulk: Barber in Queens. Até pode seguir os eventos da primeira, mas o mais provável é seguir os eventos dum qualquer filme ou série, que entretanto saiu. Não quer dizer que não vamos ver a She-Hulk noutras coisas. Fala-se que estará na próxima série de Daredevil, pelo menos. E, por certo, estará nos próximos Avengers ou FF ou Blade ou Ant-Man ou onde der para juntar as respectivas agendas.

Já sobre a série em si, eu gostei e achei que está muito fiel à BD, o que poderá ter criado alguns problemas que abordarei mais à frente. She-Hulk sofreu ainda daquilo que fala no enredo, e que era mais do que previsível: foi bullied e/ou trollado até à quinta casa. A cotação de cinco ponto qualquer coisa no IMDb é um absurdo, por exemplo. A série foi genial ou esteve ao nível das melhores? Não. Foi divertida, bem interpretada e adaptada, com personagens e algumas situações engraçadas? Sem dúvida. Não terá tido coerência. Dou-lhe isso. Saltou demasiadas vezes entre momentos muito inteligentes e coisas que não faziam qualquer sentido. E o final... O final é esquisito. E aqui entro no que referia acima.

Foram fieis à BD. Isso implica muuuuuito quebrar de 4th Wall. She-Hulk faz disto mais que o Deadpool, na BD. Ou, se não for mais, pelo menos fá-lo há mais tempo. E fá-lo tanto ou tão mais, que é levado ao extremo dela «sair da BD» e interagir não só com o leitor, mas com os seus criadores. Houve mais do que uma história em que foi ao gabinete da Marvel e/ou deu porrada no escritor. Neste caso em Byrne, que foi quem lhe deu estas características de «sair da caixa». Levaram tudo isto para a série. E talvez fosse tempo de o fazer. Não sei. A verdade é que quando foi feito na BD a malta gostou. Eu gostei, pelo menos. Mas eu, como os demais leitores, tinhamos muita BD lida, muito volume de história nas nossas cabeças e, talvez o mais importante, tínhamos outras BDs «normais» que líamos ao mesmo tempo. Ou seja, She-Hulk era uma coisa fora, especial, dentro de tudo o resto. O fã de MCU, que vê os filmes e as séries, que vê tudo e espera por tudo, não poderá ter gostado desta série da mesma forma que eu, leitor, gostei da BD. Estamos há espera semanas por mais um «episódio» deste universo. Antes de She-Hulk foi Ms. Marvel, que terminou um mês antes. Depois de She-Hulk teremos Black Panther 2 em Novembro! Será pedir demais da paciência do fã normal de MCU, que tolere a «excentricidade» desta personagem. Às tantas sentem que perderam tempo a ver a série e tomam como um insulto.

Eu sou tendencioso. Para mim está tudo bem. Eu divirto-me a ver estas coisas. E gosto muito da Maslany. Acho-a um grande talento. Por isso, para mim, She-Hulk foi fixe. Para outros não terá sido. E aceito. Pelos motivos acima, atenção, ou por questões de narrativa. Os trolls que não gostam da série porque é uma personagem feminina... Epá, p'ó c@r@lh0 para esses. Vão todos para uma quinta na casa do c@r@lh0 e façam as vossas próprias séries. Deixam o resto da malta em paz.

Wednesday, October 12, 2022

despachada: Smack the Pony


Tinha aqui umas quantas a arrastarem-se, para ver. Ainda tenho mais um par delas, mas cada coisa a seu tempo.

Decidi rever Smack the Pony porque sim. Nos bons velhos tempos da SIC Radical esta foi uma das alegres surpresas que apareceram por lá. Foi das últimas coisas que acompanhei na televisão, quando dava. E há um par de sketches dos quais tenho boa memória. Em especial um. Acho que fazia parte dos spots de divulgação. «Come! Come aboard the love train.», interpretado pela «tonta» maior do trio, a que fazia as interpretações mais levadas ao extremo. E este sketch fazia-me sempre rir. Da primeira vez então acho que faltou-me o ar. Já não tem o mesmo efeito, claro, mas ainda pôs-me um sorriso largo na cara.

As três atingiram o auge nesta série. Pouco conheço-lhes desde então. Há pouco tempo vi um filme (fraquinho, por sinal) com uma delas. Terá sido isso a relembrar-me de que Pony existia. De resto, nada. Mas ter no currículo algo como Pony não está ao alcance de todos ou todas. É sempre de louvar.

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Com este post chegamos aos 60 este ano. Um máximo no blogue, na última década. Tenho andado a «despachar» muita série, é certo. Também há muita coisa a acabar. Algumas até tarde demais. Em todo o caso, fica o registo.

Monday, October 10, 2022

despachada: Coupling (US)


Há pouco tempo andei de roda da série original, a versão (decente) britânica. É possível que venha a rever essa, mas entretanto achei por bem despachar esta, que vi menos vezes. Claro que a verdade é que a original foi uma boa série e esta foi... uma adaptação.

Continua a ser sempre demasiado esquisito ver episódios copiados à letra, da versão britânica para a norte-americana. É absurdo! Para quê? Se é para isto basta ver o original, não? É a mesma língua, convenhamos. O certo é que, mesmo tendo muitas cenas que são a mesma coisa, a partir do piloto a coisa muda. É feita, efetivamente, uma adaptação. Há cenas novas, misturadas com as «velhas». Mesmo assim não funciona. E, se calhar, é uma questão de ser uma série e temáticas datadas, que hoje não teriam o mesmo efeito. É muito provável, mesmo. Confirmarei tal se vier a rever a série original.

Como ponto positivo desta versão convém destacar o elenco. Quase todos saíram daqui para, mais tarde, participarem em boas séries. Better Off Ted, Lost, Eureka, entre outras e até mesmo o The Bold and the Beautiful. No elenco havia talento. Talvez a série pudesse ter dado alguma coisa, se fosse mais «original». Talvez.

Saturday, October 8, 2022

despachada: Fam


Não fui eu a pedir para ver isto cá em casa, mas podia ter sido.

Fam foi mais uma das muitas séries canceladas, acabadinhas de lançar. Todos os anos há disto. Canais encomendam inícios de séries, com base em pilotos ou ideias. Por incrível que pareça, ainda há canais a encomendar sitcoms deste género. «Multicâmara», como lhe chamam, por ser em estúdio, com várias câmaras ao mesmo tempo. É um género praticamente defunto. Houve grandes séries de sucesso recentes, deste género, mas foram as últimas. E mesmo apenas um par de anos mais tarde deixam já de ser tão bem vistas. Mas eles continuam a insisir. Percebo, de algum modo. O valor de produção será relativamente baixo. Convém até usar os recursos que têm em mãos. E se a coisa pega, se a série tem sucesso, é lucro elevado garantido.

Mas a verdade é que estes produtos finais são quase sempre fraquinhos. Não só porque o formato está morto, mas porque a malta criativa é de segunda linha. Os bons escritores estão metidos em projectos com canais privados, não públicos, como a casa que alojou este Fam. Estão a ganhar bom dinheiro a tentar lançar os seus projectos, sem restrições de canais públicos televisivos, e com um orçamento decente para produção. Os canais públicos poderão ter sorte em apanhar alguém talentoso em início de carreira. Mesmo assim é pouco provável.

Posto isto, sim, Fam é o que se espera. Tem demasiada previsibilidade, mas também algum talento e várias piadas que tiveram efeito. Foi algo surpreendente, admito, mas bom que tenha acontecido. E tem Dobrev. Não há muitas séries que tenham a sorte de ter Dobrev. Há isso.

Friday, September 30, 2022

filme do mês: Setembro '22

Mês complicado. Os filmes do Verão só começaram a sair no final. Até então houve umas coisas indie para ver, mas pouco mais. Para além que andava a ver boas séries, que ocupavam maior parte do tempo livre. Mesmo assim, com um esforço final (tem sido sempre em esforço, certo?), lá cheguei ao número da praxe: 21.

O número pode estar na média, mas a qualidade baixou muito. Tenho poucas recomendações, por exemplo: Marcel the Shell with Shoes On, Meet Cute, Confess, Fletch e Nope.

O destaque vai para Bullet Train. E é merecido. Não é uma situação de ser o melhor do mauzito. É um bom «filme pipoca».


Friday, September 16, 2022

despachada: A.P. Bio


Outro dos embaços recentes. Este mais fácil de fazer, já que são apenas quatro temporadas curtas. Podiam ser menos. A série foi cancelada a cada duas temporadas. À terceira temporada mudaram-se da NBC para o canal de streaming Peacock. Não é grande diferença, pois ambos pertencem aos mesmos, mas o certo é que não houve terceira vez. Foi cancelada definitivamente e, na minha opinião, mal. Deviam haver mais temporadas para ver. A.P. Bio era uma série divertida.

Eu próprio estou bastante surpreendido. A verdade é que os «filhos» do It's Always Sunny in Philadelphia têm sido alegres surpresas. Este Bio tem muito pouco a ver com IASiP, na verdade. Apenas partilham o actor principal. Mick, por exemplo, foi criada por alguns escritores de IASiP, partilhando ainda a actriz principal. Eu é que meto tudo no mesmo saco. Mal, bem sei, mas o saco é meu e faço com ele o que quiser. Tenho ainda ouvido boas coisas de Mythic Quest (e esta é criada pelos mesmos de IASiP), mas às tantas mais vale começar a ver a série que lançou a carreira destes caramelos, não? Curiosamente, dos quatro principais (vamos ignorar DeVito, pois esse tem uma carreira maior que todos os outros juntos), três tentam fazer o seu trajecto por outras séries (e um deles tendo um clube britânico de futebol), enquanto o quarto já atingiu alguma notoriedade em filmes.

Mas voltando a Bio, esta série nasce sim da malta que passou, ou ainda passa, pelo SNL. É sim, mais uma série bastarda do famigerado programa, que cuspiu tantas estrelas dos seus vários elencos, como mortes por overdose ou próximos capítulos de programas de «Where are they now?». Bio tem muito de bom do que vemos em SNL (a loucura, o talento, os desenrolares estapafúrdios), mas também a completa falta de estrutura, coerência e continuidade / destino, que vemos no programa de sketches.

Talvez tenha sido isso que levou ao fim prematuro. A verdade é que era difícil perceber para onde a série ia, tendo em conta que todo o percurso foi feito aos tropeções. Tomemos como exemplo a namorada que enraízou o protagonista à cidade onde não queria estar, só para desaparecer a meio sem grande justificação. Ou talvez tenha sido vítima do primeiro cancelamento. Não interessa. Nada disto interessa. Vou é ter saudades da personagem da Paula Bell (à direita na foto). Também vou ter doutros, mas Bell fez-me rir a bom rir. Mais que os outros e bem mais que muita outra série cómica que por aí anda. Belíssima personagem, fruto da natureza tresloucada (presumo) da actriz. Ela sozinha merecia Óscares. Catadupas de Óscares.

Thursday, September 15, 2022

despachada: The Americans


Antes de entrar muito na série, que tem sido o nosso embaço regular dos últimos tempos, um disclaimer: está muito bem feita e é, efectivamente boa. Independentemente do que eu possa dizer neste post. Ganhou prémios e adulação merecida. É inteligente e bem trabalhada, com uma data de detalhes que podem parecer estranhos, mas estou certo que terão acontecido na época.

Posto isto...

A parte relacional é demasiado preponderante, face à parte da espionagem. Dando um exemplo: os dois acabam de sobreviver a uma explosão num quarto de hotel, enquanto procuravam parar/matar um assassino profissional. A primeira coisa que dizem um ao outro, ao chegar ao carro, não pode ser sobre a relação matrimonial. Ou então, se a parte familiar é assim tão importante, vamos mais longe: como é que esta gente tem tempo para tudo? Trabalho, serem pais, cozinhar, compras... E limpezas? Não os vi a limpar a casa enorme que tinham uma única vez. Limpar a sala. Uma vez que seja!

Depois, há várias formas de mostrar qual o ambiente numa cena. Iluminação, ângulo dos planos, filtros, cenários ou, como artifício principal, a música. Nesta série usaram um truque diferente. Sempre que as coisas não estavam bem, o cabelo do personagem masculino principal ficava completamente desgovernado. Vimos quase duas temporadas inteiras em que o personagem passa por uma depressão e sabemos disso porque deixou de pentear-se.

No final (que pareceu despachado, como se o canal só tivesse renovado por mais um última temporada e tiveram de resolver tudo à pressa), com seis temporadas dum agente do FBI a viver ao lado de espiões russos, o que o fez suspeitar deles foi uma descrição dum informante, da personagem feminina principal, como tendo cabelo bonito e que fumava. Eram os anos 80! Toda a gente tinha um cabelo espampanante e fumava! Admira-me que não tenha suspeitado dos Flock Of Seagulls.

Estas foram algumas coisas com que fui embirrando, ao longo do visionamento. Eram detalhes que obrigavam-me a tomar notas enquanto via os episódios. E mais houve, que não apontei. A começar com os personagens russos serem interpretados por actores péssimos, pois o importante era saberem falar russo. Do alto da minha «chico espertice», de gajo que já viu anos de filmes e séries, uma data deles de espionagem ou apenas e só deste período da Guerra Fria (Wolverines!), achei eu que sabia mais do que os tipos que escreveram e estudaram sobre este período em que espiões russos viveram nos EUA fingindo ser Americanos. «Os agentes não tinham missões todas as semanas, senão eram apanhados facilmente!», pensava eu, que sou tão inteligente. (inserir aqui smiley que bate com a palma da mão na testa) A situação é exagerada. Claro. É uma série. Há dois personagens principais que o espectador gosta. Estamos investidos na vida destes personagens e não doutros. Se estiverem a mudar sempre de actores não vamos gostar. E não é comportável em termos de orçamento. Os dois principais têm de fazer tudo, sempre. Tenho é de «comer e calar». Não foi fácil, mas aqui o problema é meu, que não sei apreciar as coisas só por si. Tenho sempre de achar que sei mais que os outros.

A conclusão final - que já vem tarde - é que gostei da série. Pode não parecer, mas isto sou só eu a ser o habitual idiota. Gostei da série. Se voltasse atrás, o que mudaria seria a minha atitude, pois veria novamente. Com gosto. Acontece que esperava outra coisa, mais de espionagem do que novela. E daí que tenha custado a desligar a parte parva do cérebro. E porque sou uma besta.

Tuesday, September 13, 2022

despachada: The Staircase


Staircase é a novela norte-americana perfeita. Pelo menos para os tempos que correm. E não é bem para a malta que gosta das típicas «telenovelas», mas mesmo estes encontrariam pormenores interessantes. Só não tem o nível de «drama» a que estão habituados.

Falamos dum tipo candidato a cargos governamentais, escritor e bem na vida, que é acusado do homicídio da esposa. Só até aqui teria interesse, mas não é muito diferente de tantos outros casos, infelizmente. A juntar temos: a descoberta que é bissexual e tinha inúmeros encontros sexuais com homens; a consequente descoberta que a esposa estaria a par, mas os vários filhos e filhas, de relações anteriores, não; o facto de que ele não tinha dinheiro e vivia à custa da mulher; e, chocando a meio do processo, a descoberta que teve uma primeira mulher que morreu nas mesmas circunstâncias que a actual. Ou seja, tudo aponta que a esposa não caiu das escadas e faleceu, por acidente, mas que ele tinha todos os motivos para matá-la.

É a conclusão inicial do tribunal, sendo o tipo metido na prisão. Só que há pessoas que ainda acreditam nele e procuram ilibá-lo. Principalmente o irmão, o vizinho reformado, e a tipa que fez a edição do documentário feito sobre o caso. Sim, esta parte é espectacular. Uma produtora francesa mostrou interesse em documentar o caso e ele, claro, aceitou. Dizia que seria para ter um veículo para contar o seu lado dos acontecimentos, mas a verdade é que o tipo era muito narcisista e adorou a atenção. A tipa que faz a edição dos vídeos da produtora apaixona-se por ele, só de o ver nas gravações. Eu sei, é surreal. O certo é que, depois do tipo ir parar à prisão ela continua a investigar e a procurar provas para a sua inocência. No final, depois de ser finalmente liberto, vê-lo a rejeitá-la é trágico só por si.

Não tenho grandes pruridos em revelar estes detalhes porque isto foi um caso real. Tudo aconteceu, de algum modo. Está detalhado em várias páginas de Internet, incluindo Wikipédia. Ter sido um documentário tornou tudo ainda mais público e conhecido. Eu não conhecia, claro, mas eu sou um gajo pouco interessado em realidade. Nunca na vida convencer-me-iam a ver o documentário. Já uma mini-série da HBO, com bons actores...