Wednesday, May 31, 2023

filme do mês: Maio '23

Onze! Onze filmes vistos este mês. Mais um que no mês passado. É a completa loucura. Até fui ao cinema e tudo! Se bem que ajudou ter três feriados. Deu mais tempo para ver TV.

Brincadeiras à parte, até vi coisas engraçadas. Claro que delirei com o GotG Vol. 3, para além de ter gostado de Renfield, Beautiful Disaster (pelos motivos errados, atenção), Prom Pact ou Paint. Destaque maior vai para a nobre tentativa de fazer algo fixe e um bocadinho fora da caixa: Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves. Pena que não deva continuar.

Monday, May 29, 2023

despachada: Succession


É muito estranho este fenómeno de odiarmos personagens, mas mesmo assim estarmos fascinados com o que lhes acontece. Pior, no caso dos Roy, não queremos que lhes aconteça nada de mal. Sim, é parvo. Porque estas pessoas/personagens são horríveis. São riquinhos, com a mania que são melhores que os outros e que merecem tudo, só porque existem. São adultos birrentos, capazes de fazer muito mal a quem esteja à volta. Só porque podem. Porque estão chateados. Porque o paizinho não deu-lhes atenção.

E depois lembramo-nos desta última parte. Logan Roy é execrável. É uma pessoa ruim e um pai ainda pior. É maldoso, maquiavélico, sádico, interesseiro e egocêntrico ao mais alto nível. Tem prazer em meter os filhos uns contra os outros. Quer que eles não sejam fracos, mas passa o tempo todo a boicotá-los, só para que não o suplantem. Com um pai destes acabamos por ter pena dos filhos, por muito que sejam fruto da mesma árvore. Por muito que sejam idiotas e passem o tempo a tentar ser como o paizinho. No final ganha o Logan e nós, tolos espectadores, temos pena das crianças. Apesar de terem mais de 30 e tal anos.

Succession é uma história da sucessão dum gajo rico e velhaco, que subiu a pulso, com mérito e demasiada sacanice também. Veio do nada e tornou-se uma referência no mundo dos negócios. Fez dinheiro à custa dos outros, das suas inseguranças e facetas menos inteligentes. A questão é que o velho não quer sucedido. Aos olhos dele é o maior e não há ninguém igual. Mesmo na família. Mais que não seja, enquanto ainda «tem força na verga», porque carga d'água haveria ele de «abdicar do trono»?

A série bate em todas as teclas que mexem connosco. É actual e tem demasiado do mundo real, para fazer-nos associar a este mundo fictício. Tem intriga até não conseguirmos perceber o que se passa em demasiadas cenas. E tem um elenco muito, mas muito forte. Os irmãos têm uma empatia enorme, como se os próprios actores tivessem passado pela mesma infância abusiva. E os mitras ao redor... Os sanguessugas, os lambe c#s, os que aceitam qualquer abuso em troca da mais pequena esmola, as vítimas... Tudo muito bem sacado e do melhor nível de entretenimento.

Quando comecei a escrever o post estava com a convicção de que Succession era mais uma série da HBO que ficaria para a história. Ao nível de Six Feet Under, Sopranos e umas quantas outras. Entretanto escrevi sobre como tem muito do mundo real (o canal televisivo é a Fox News, sem tirar nem pôr), e temo que possa ser algo datada no futuro. Logo, o que recomendo é ver a série agora. Acabou há pouco tempo e não é assim tão longa. Vê-se bem e num instante. Vamos lá.

Sunday, May 28, 2023

despachada: Doom Patrol


Não acabei de ver Doom Patrol. Achei tão mau que nem consegui ver a última temporada. Faço o post só para poder ventilar um pouco a frustração, mas nem aqui quero alongar-me muito.

Meteram os mais famosos (entenda-se, mais caros) só a fazer vozes. Espertos. Assim sempre dá para rechear o elenco de talento a um preço mais em conta. Para onde foram essas poupanças? Não foi para os argumentistas, de certeza. Talvez para a compra de narcóticos para os argumentistas e outros. Porque só sob o efeito de coisas pesadas é que se escreve as coisas inanarráveis que tive de aturar.

Ao início a história era igual à dos X-Men. Como muitas destas histórias, de grupos de miúdos com poderes, acaba por ser. Doom Patrol até tinha um Xavier interpretado por um Bond. Depois descambou, numa tentativa de ser zany/profundo, mas foi apenas uma m€rd@. Tentei começar a ver o primeiro episódio da última temporada, mas era o clichê batido de futuro pós-apocalíptico. Algo aconteceu porque fizeram trampa no passado. Sim sim, esta equipa de quadragésimas opções, cópias de cópias de cópias doutros personagens, é super importante neste universo. Está-se mesmo a ver.

Claro que tudo o que possa acontecer é irrelevante. Seja em que tempo, em que episódio, feito pelos vilões ou pelos heróis. Têm uma máquina de viajar no tempo, logo tudo o que fizeram ou façam não interessa para nada. Assim, pode ser tudo super estranho, porque há sempre esta «borracha» para apagar.

Irrita-me ter perdido tanto tempo com Doom Patrol. Irrita-me muito.

despachada: Wrecked


Coitaditos. Pensavam que iam continuar as féri... A série! Que iam acabar a série.

Não foi um mau spoof do Lost. Tem dois ou três actores com talento. E teve algumas coisas bem engraçadas. Para onde ia? Não faço ideia. Acho que eles também não tinham grandes narrativas ainda por contar. Foi giro e teve o seu desenvolvimento. Deviam ter caminhado para o fim na terceira temporada, diria. Claro que daria sempre para contar mais uma parvoíce, mas há limites para o que os actores cómicos conseguem vender. Às tantas entram em modo automático, fazem umas caretas populares, dizem o que o público gosta de ouvir e acabou. Não há novidades para ninguém. E nós não queremos ver isso, Hollywood. É vital que saibam sair de cena antes do declínio. Sei que é difícil, mas olhem para o que a Netflix está a fazer, evitem fazer séries a metro, baseadas em algoritmos de supostas preferências, e entrem em acordo com os criadores na duração da série. Seja uma, duas, quatro ou sete temporadas, de x episódios cada. Quando estiver para acabar, não interessa o sucesso que tenha, é acabar com a coisa.

Não há muito que inventar. Qual a dúvida? Parece-me super fácil.

Sunday, April 30, 2023

filme do mês: Abril '23

Foi um mês muito especial, com uma grande pequena novidade, uma total mudança de paradigma e muito tempo passado a fazer coisas novas. Algumas mais interessantes que outras. Continuámos a ver coisas. Tanto antes como depois. Menos, claro, mas o vício mantém-se. As coisas mudaram um pouco, mas nós, na essência, não. Andamos a ver séries longas, que tardam a ficar despachadas. Já filmes... Reduziu-se o número para metade. O que não é nada mau, tenho a dizer. Pensei que seria bastante pior.

Foi um mês muito especial. Tudo verdade. Não em termos de filmes. Em termos de filmes foi uma miséria. Tudo muito fraquinho. Tirando Rye Lane. É uma comédia romântica, com o mesmo formato batido. Mas está bem feito e tem detalhes novos que, em muito, honram o género. Ao contrário de tudo o resto que vi este mês, este é um bom filme.

Friday, March 31, 2023

filme do mês: Março '23

Arranque porreiro do mês, a voltar a um ritmo aceitável na primeira quinzena. A segunda não correu tão bem. Por dois motivos. Porque cheguei ao fim do mês com muito pouca coisa que quisesse ver. Parece que os estúdios entraram naquela posição de aguardar para começar a batalha. «Hoooooooold! Só atacamos quando estiver calor suficiente em todos os fins-de-semana!» Os filmes só vão sair com as pessoas na rua. A outra razão não tem nada a ver com uma indústria que continua a cometer erros parvos, mas a verdade é que tenho menos tempo livre, infelizmente. E à noite... Os olhos começam a fechar mais cedo.

De qualquer modo, vi umas coisas giras. Nota de destaque individual, salvo seja, para estas três magníficas interpretações: Living, Whale e Aftersun. O segundo até poderia ser o «filme do mês», mas Fraser merece destaque acima de tudo o resto.

Depois houve ainda óptimos visionamentos com See How They Run, She Said, Empire of Light, I'm Totally Fine e Wunderschön. Tudo coisas bastante recomendáveis, mas nenhuma consegue bater um clássico: White Men Can't Jump.

Tuesday, March 28, 2023

despachada: Buddies


Há uns tempos li algures sobre as negociações entre Chappelle e a Netflix, sobre direitos de transmissão do Chappelle Show. Inicialmente o cómico não queria que a série passasse na Netflix. Pelos vistos o trauma ainda está bastante presente. Para aceder, Chappelle colocou como condição a Netflix tirar do catálogo uma outra sua série. Ou melhor, uma em que tinha entrado. Chappelle tem vergonha do trabalho que fez em Buddies. Tem vergonha do que a série é.

Achei estranho. Eu tinha boas memórias de Buddies. Lembro-me perfeitamente de ter achado um piadão a Chappelle. De achar que a série era «muito à frente», porque tinha esta amizade tão forte entre rapazes de raízes diferentes, e como davam-se tão bem, apesar de todo o racismo e preconceito da era, yadda yadda yadda...

Chappelle tem razão. Buddies é mauzinho. Se na altura achei que tinha sido cancelada por preconceito, agora acho que foi mesmo porque apenas tinha humor de muito baixo nível.

Monday, March 13, 2023

despachada: Wellington Paranormal


Belíssima e hilariante série, da mente perversa dum dos tipos mais criativos em Hollywood... Quer dizer, isto se calhar não é bem assim.

Taika é o nome conhecido. E todos nós tendemos a fazer esta coisa de dizer «a série daquele tipo» ou a «o filme da outra». Só que isto são projectos que envolvem uma data de pessoas diferentes. Taika e amigos criaram o What We Do in The Shadows, como gente talentosa da Nova Zelândia que são. O filme original, que deu origem à série e também a esta série. (E depois a uma outra série, que não tem tanto a ver, mas não entremos por mais caminhos espinhosos.) No processo, Taika passou de conhecido no seu país para estrela de Hollywood. Jemaine é um tipo muito conhecido no seu país, mais nuns quantos outros sítios onde existem nerds. Já o terceiro gajo do WWDITS é só conhecido no seu país, parece-me.

À custa do sucesso do mockumentary, progrediram na carreira. No caso de Taika, ele chegou àquele ponto em que qualquer projecto em que entra é dele. O que não será assim tanto o caso. A série de WWDITS não é «criada» por ele, por exemplo. E Wellington, sendo um spin-off dentro deste universo, claro que também é um projecto de Taika. Mas podemos dizer que é uma série sua? Especialmente tendo em conta que os seus projectos vivem tanto do talento de improvisão dos seus intérpretes. Os actores de Wellington têm créditos de escrita. É natural. Os dois principais trabalhavam juntos antes. Ou seja, isto terá sido junção de «tipos com potencial para criar séries» encontram «grupo de actores com talento» e cola-se tudo, numa tempestade perfeita.

Bem, alonguei-me demasiado sobre esta coisa do crédito criativo. O certo é que Wellington Paranormal foi das coisas mais engraçadas que vi nos últimos tempo. E é tão genial, que soube acabar antes de esgotar-se. Há também muito mérito nesta parte.

Tuesday, March 7, 2023

despachada: The Best Man: Final Chapters


Cá está o terceiro capítulo da vida destes personagens.

Valeu a pena fazerem tanto sobre esta malta? Não sei. A verdade é que o primeiro filme é bastante datado, apesar de ter sido porreiro na altura. O segundo não é nada de especial. Este terceiro «episódio» vive do sucesso que os actores têm, assim como da História que existe deste universo. Tem total mérito, sem dúvida. É um elenco recheado de talento e também eu sou fã de ver a progressão no tempo de personagens. Já se são bons personagens...

Todos nós temos os nossos defeitos. Se há coisa que podemos apontar a esta saga «Best Man» é que os personagens estão muito próximos da realidade, cheios de defeitos e tiques de egoísmo, egocentrismo e mais uns quantos ismos de que não nos orgulhamos, mas todos temos. A história deve ser contada? Sem dúvida. Acrescenta algo? Não sou a pessoa indicada para responder. Esta série não foi feita para mim. Consigo apreciá-la, mas há muito que nunca conseguirei compreender - há mesmo decisões com as quais não concordo -, porque não passei pelas mesmas experiências.

Seria amigo desta malta? Não. São ricalhaços. Tenho pouco a ver com malta com esse estatuto social. Foi simpático de acompanhar a evolução? Sim, foi.

Thursday, March 2, 2023

despachada: Plebs


Andei não sei quanto tempo a ponderar ver ou não esta série. Por um lado tem gente fixe. Por outro tinha aspecto de não ser nada de especial. Eventualmente acabei por decidir ver, mais que não seja porque é um visionamento fácil. São cinco temporadas, é certo, mas com oito episódios cada, de 20 e tal minutos cada. Mais um filme, mas também curtinho. Despachei isto numa semana, mais ou menos, às vezes a ver uma temporada por noite.

Até que não estava a ser mauzito, só que esticaram a corda com as duas últimas temporadas e o filme. No final da terceira substituíram o personagem engraçado por um mimbo. Percebo a escolha do rapazito. Tinha boas dinâmicas com os outros dois, mas por si só não tinha grande piada. Não foi só o tal outro a sair (morto de forma infame, no primeiro episódio, pelo substituto). Saiu ainda uma actriz por quem tenho carinho, já que fazia parte do trio do Smack the Pony. É muito engraçada.

A banda sonora também não era má, estranhamente. Fizeram uma combinação curiosa entre universo dos tempos romanos, com os maneirismos dos britânicos e música reggae. Funcionou e os genéricos ficarão na memória, por acaso.

Não é grande série, mas foi uma companhia simpática.

Tuesday, February 28, 2023

filme do mês: Fevereiro '23

Consegui ver menos filmes que em Janeiro. Ser um mês com menos dias não é justificação. Passará por andar meio desiludido com Hollywood, por não haver assim tanta coisa que queira efectivamente ver, mas se calhar mais por andarmos preocupados com outras coisas. Coisas essas que vão acontecer em Março e mudarão a dinâmica de... Tudo! Não só de ver filmes.

É verdade, verei menos coisas estes próximos meses. Sem dúvida. E assusta-me. Porque se não vejo filmes e séries, quem sou eu?

De qualquer modos, vi umas coisitas bem boas e recomendáveis: Dorosute No Hate De Bokura, Galaxy Quest, Strange World e Knock at the Cabin. Destaque maior para Plane, o primeiro «blockbuster» do ano.

Saturday, February 18, 2023

despachada: The First Team


Olha, alguém tentou fazer outro Ted Lasso!

Não foi bem um «alguém» qualquer. First Team é criado pela malta que fez o Inbetweeners, série com algum sucesso (merecido), de que gosto bastante. Porque não funcionou? Porque futebol não tem assim tanta piada. Porque se não tiveres tipos mega engraçados e personagens que toda a gente adora (football is life, à cabeça) ninguém consegue identificar-se com jogadores de futebol, com o universo de futebol. Adeptos não querem rir-se com o desporto, ou a personificação engraçada do desporto. E malta que não gosta de bola não tem interesse em ver uma série sobre bola, por muita piada que tenha. Novamente, Ted Lasso é uma excepção. A série tem sucesso pelo brilhantismo de Sudeikis e amigos, para além de que é muito mais do que uma série sobre futebol.

First Team é o mesmo registo de Inbetweeners. Mas, enquanto todos fomos adolescentes de liceu, cheios de hormonas aos saltos, ninguém frequentou um balnerário de clube de topo de futebol.

despachada: Reboot


Uma das primeiras tentativas falhadas desta época. E tenho pena, porque o elenco é divertido o suficiente para fazer algo de jeito, se lhes fosse dada a possibilidade. Mas mais do que discutir os méritos ou deméritos de Reboot, não consigo deixar de pensar na mudança de paradigma, e a demorada adaptação a esta, que ainda trará muitas mais «vítimas» de cancelamentos precoces.

Reboot tinha Keegan-Michael Key, Judy Greer e Paul Reiser como os nomes mais sonantes, mais Knoxville e Rachel Bloom para apelar a nichos. Há ainda meia dúzia de malta talentosa, que ajuda e muito a dar profundidade a qualquer elenco. É uma série criada por Steve Levitan, que vem do sucesso tremendo que foi Modern Family. A série é lançada na plataforma Hulu, que permite-lhes ter uma série mais adulta, capaz de dar mais do que apenas umas risadas em família. E permite ainda chegar a muita gente, através de Hulu nos states e Disney+ na Europa e afins. Tem tudo para correr bem, certo? Errado.

Porquê? Bem, no meu entender passa por números. Levitan elevou a fasquia com Modern Family. Qualquer estúdio ou canal está à espera que traga um número elevado de espectadores, só porque é ele. Logo, o número do seu salário será elevado. Assim como os salários de alguns membros do elenco. A Reiser precisam de convencê-lo para tirar o cu do sofá. Como o seu personagem diz na série, é «demasiado velho e demasiado rico» para fazer certas coisas. Mas voltando às audiências, começa a ser cada vez mais difícil chegar aos «bons» números de outrora. E atenção que falamos apenas de audiências dos Estados Unidos. Continuam a ser apenas essas que interessam. Não estou a ver nenhum estúdio a querer continuar uma série só porque tem sucesso na Europa e/ou na América Latina, por exemplo. Dantes havia menos canais, menos alternativas e muito, mas muito menos séries. A atenção agora é super dividida. Não há seis séries com dez milhões de espectadores cada. Há 120 com meio milhão cada.

E mais, dantes víamos o que dava na TV. Todas as várias coisas. Hoje em dia vemos uma série inteira em exclusivo. Temporadas após temporadas, tudo de enfiada. Eu, que vejo muita (demasiada?) coisa, ainda há uns tempos pus-me a ver Americans e pouco mais vi para além disso. A forma de ver conteúdos mudou. Ou, pelo menos, está a mudar. A forma de criar conteúdos é que ainda não se adaptou. Especialmente a mentalidade desta malta, que acha que lançar uma série em serviço de streaming é o mesmo do que lançar num canal de TV. Claro que acontece haver um visionamento semanal com fenómenos pontuais. É complicado não ver todas as semanas os novos episódios de House of the Dragon ou Last of Us, dando exemplos da HBO. Ou ver tudo num fim-de-semana de Stranger Things. Porque, mais que não seja, a Internet e a malta no escritório não falam doutra coisa. Mas ninguém tem a necessidade de ver semana a semana Reboot. Isto é a série que começamos a ver quando procuramos algo para preencher os espaços da semana. Vemos dois ou três episódios numa noite e, se calhar, depois passamos o resto da semana sem ver nada. Vemos com gosto, atenção. Só não há é urgência. 

Para que séries como Reboot vivam algum tempo (ênfase no «algum» e não na eternidade que foi Modern Family, por exemplo), é preciso mudar a mentalidade. As séries têm de ser vistas como criação de catálogo. Para que um utilizador, ao procurar um serviço de streaming, seja convencido pelas várias opções disponíveis. É isto que fará um serviço de streaming ser bom, e não apenas ter a série da moda desta semana.

Wednesday, February 15, 2023

despachada: Paper Girls


A carreira de Brian K. Vaughan na televisão não faz qualquer sentido.

O homem tem três facetas, que reconheço-lhe. Duas delas na TV. A outra, onde é um consagrado e escreveu algumas das melhores histórias das últimas décadas, é a banda desenhada. Neste meio, o homem é rei e senhor. Criou personagens novos dentro de universos estabelecidos (nos tempos recentes é mais difícil do que parece) e cada novo livro que cria é imediatamente seguido por uma legião de fãs. Na televisão, por um lado também tem algum sucesso, embora não tenha muitos créditos associados ao seu nome. Desenvolveu o Under the Dome que, não tendo sido brilhante, teve ali algum mediatismo no início. Escreveu ainda alguns episódios para um pequeno fenómeno televisivo chamado Lost. Alguém conhece?

Depois há a faceta que não percebo. Acho mesmo que nunca perceberei, por muito que viva 1000 anos. A de criador que fica a ver outras pessoas destruírem completamente as suas histórias. Porquê?! Já são três exemplos de séries criadas com base nas histórias de Vaughan, que são desenvolvidas e escritas por outras pessoas, com resultados desastrosos! A primeira foi Runaways, baseada numa BD da Marvel, mas que não foi desenvolvida pela máquina MCU. Foi feito por um qualquer canal de TV, que adquiriu os direitos. É possível que  ainda estivesse a dar, não fosse a máquina MCU ter acabado com projectos paralelos. Eu comecei a ver Runaways. Eu adorei a BD. Lá está, personagens novos num universo estabelecido. Foi refrescante. Foi excitante. Runaways tem tudo o que se quer. Na BD. A série de TV é a confusão estereotipada das novelas norte-americanas. Tudo ao mesmo tempo. Tudo a mudar de episódio para episódio. Vilões e heróis a mudarem de papéis ao sabor do vento. Uma salgalhada. Desisti de ver porque tinha muito pouco a ver com o material de origem. Depois veio Y: The Last Man, que teve dificuldades por causa do timing da coisa, mas que sofreu também do mesmo problema. Alterações desnecessárias à história original. Foi cancelada. Seguiu-se pouco depois este Paper Girls, exactamente com o mesmo resultado. Foi cancelada a meio da primeira temporada.

Porquê?

Não o cancelamento, atenção. Percebo perfeitamente o cancelamento de qualquer uma destas séries. São péssimas. A minha pergunta é: porque mudam tanto a história? Ajuda em quê? O que faz, logo à cabeça, é alienar os fãs. Uma série, ao basear-se num material original conhecido e respeitado, tem logo à cabeça um grupo de fãs absolutos. Se mudas a história perdes quem estava à espera anos para ver. Os que iriam publicitar e defender a série de todos os que estivessem numa de armar brigas. Não só os perdes, como ganhas logo um grupo de haters. E estes vão afugentar quem até poderia gostar da nova história. Porque é isso que estão a criar. Uma nova história com um nome conhecido. É enganador. Para quê? Para quê criar uma nova história que muitos vão logo odiar, que não terá garantias nenhumas de que alguém novo possa vir a gostar?

Eu percebo a questão de ter de adaptar um género a outro. A sério que percebo. Há coisas que funcionam na BD e não fazem qualquer sentido em série ou filme. O oposto é igual. Tudo tem a sua forma no local certo. A sério que percebo tudo isso. E sim, como disse no post do Last Man, são personagens femininas que precisam de ser trabalhadas (entenda-se: escritas por mulheres). O mesmo passa-se aqui. As miúdas adolescentes em Paper Girls (a BD) são demasiado parecidas a qualquer outro personagem adolescente escrito por um homem branco de 40 anos. Logo, precisavam de ser melhoradas. Precisavam de ter mais profundidade. E acedo ainda que as histórias de Vaughan na BD são demasiado esquisitas para mainstream televisivo. Posto isto...

Porque é que mudaram tuuuuuuuuuuuuudo do início da história original? Porque é que andaram mais focados no sonho de nos vermos a nós próprios no futuro e vice versa, e não se preocuparam de todo com o desenrolar original da história. Isto é uma história de ficção científica misturado com nostalgia, com o bónus de que não tem os mesmos rapazes branquelas como principais! Não é uma sessão de psiquiatria para resolver os traumas de infância duma equipa de escritores de televisão!! Sim, uma delas conhecer-se no futuro e ficar desiludida é importante para a história. E todas podiam e iam passar por isso. Mas tem de ser nos primeiros episódios?! Tem de ser da mesma forma? Não se pode estender por três ou quatro temporadas?!?! F0d@-s€, mas isto é assim tão difícil de perceber?!

Meus caros, isto não é complicado. Querem fazer uma série de sucesso? Um passo que ajuda é adaptar algo bem sucedido por si só. Mais uma vez, é garantir público logo à cabeça. Passo seguinte: não f0d€r o conteúdo original! A BD é um storyboard já feito para uma série!! Alguém fez o trabalho por vocês! É só replicar o 2D em 3D. Passar do papel para a tela. É o mais fácil que pode haver. E caso achem que estou a ser simplista, basta olhar para um caso de sucesso recente.

Last of Us está ter bastante sucesso. É uma série baseada num videojogo! Nem sequer há muita história. É um shoot 'em up de zombies. O jogo é andar aos tiros. Só. Logo, foi preciso desenvolver história para a série. Até agora mal vimos zombies na série, em boa verdade. Tem sido só conversa. Só drama.

E...
MESMO ASSIM...
OS CRIADORES DA SÉRIE METERAM CENAS INTEIRAS DO JOGO NA SÉRIE! FALAS INTEIRAS! CENAS IGUAIS! FALA POR FALA, PLANO POR PLANO!!

Sim, estou muito chateado com isto. Porque é por demais absurdo. Uma série de TV, baseada num jogo, tem mais do conteúdo original do que uma série baseada numa banda desenhada. Isto faz algum sentido? A sério. Por favor, alguém que me explique como é que isto é possível. Tu, Vaughan, por favor explica-me como é que deixas isto acontecer? É só o dinheiro? Não estás para chatear-te? A sério que preferes deixar as tuas histórias nas mãos de gente idiota?

Estou maluco com isto.

Monday, February 13, 2023

despachada: Dead to Me


Esta série tem duas referências que me são próximas. Conheço Applegate não desde o início, mas com uma série que achei muita piada em miúdo: Jesse. Cardellini conheço-lhe o primeiro grande papel, no famigerado Freaks and Geeks, a eterna série que aparece em todas as boas listas de séries canceladas cedo demais. Para além da nostalgia, ambas têm talento e este é mostrado na totalidade em Dead to Me. São papéis de carreira, disso não haja dúvidas.

Sobre a série em si, acho-a boa. Não sinto que seja o que lhe pintam, mas muito porque a terceira temporada, para mim, não esteve ao nível das anteriores. A premissa é boa. O desenrolar nas duas primeiras temporadas é óptimo. A terceira surge depois de vários problemas, com COVID estando à cabeça, passando pelo péssimo critério editorial da Netflix (só não cancelou depois da segunda por acaso, parece-me), e terminando com o problema de saúde grave da Applegate. A verdade é que tudo roça demasiado o ridículo na terceira. Se seria justificável ambas as personagens terem-se safado dos seus crimes nas primeiras temporadas, na terceira é por demais evidente que teriam de ser presas. Mais que não seja porque ambas confessaram crimes à polícia.

Que não se pense que a minha opinião é maioritariamente negativa. A série é boa e recomendável, para quem gosta do género. Há muito talento aqui metido e não é por causa duma temporada que o resto deve ser posto em causa. Convenhamos que isto está longe de ser um caso tão grave como Game of Thrones ou Lost, atenção. Refiro-o mais porque foi o último que vi da série. É o que está mais presente. De qualquer modo, a conclusão final é que foi bom ter visto Dead to Me. E a verdadeira pena que tenho é que não veremos novo conteúdo com Applegate. Isso sim, é de lamentar.

Saturday, February 11, 2023

despachada: Avenue 5


Para choque de ninguém, Avenue 5 foi cancelado.

O projecto era interessante. O elenco muito bom. A premissa gira. A execução deixou a desejar, como é apanágio nestas coisas. Em especial a primeira temporada, onde demasiados momentos que deveriam ser engraçados simplesmente não eram. A segunda foi melhor, na minha opinião, mas talvez muito porque as expectativas eram baixas. De qualquer modo, sinto que as personagens estavam mais cimentadas e determinados pormenores irritantes foram eliminados. Contudo, não foi suficiente.

O nível de exigência era elevado. Houve aposta na série. O elenco não deveria ser barato, mais efeitos, cenários, etc. A primeira temporada não foi brilhante, o que levou a muitos «rumores» que provavelmente não haveria segunda, ou que seria a última. Aliás, o que li mais é que a intenção dos executivos era para que a segunda fosse efectivamente a última. Algo que os criadores decidiram ignorar, por algum motivo. Assim, temos apenas duas temporadas incompletas duma... cena, que não teve um final digno desse nome.

Mais um projecto falhado, de entre muitos. Este falhanço pareceu-me evitável, confesso. Havia mais que condições para fazer algo de jeito.

Tuesday, January 31, 2023

filme do mês: Janeiro '23

Que começo de ano tão fraquinho.

O início do mês foi bom. Do melhor que se pode querer, em boa verdade. Uma transição perfeita para um novo ano. Depois disso a coisa esmoreceu. Muito. Janeiro tende a ser um mês fraco, embora a tendência seja para melhorar. Mesmo assim. Não houve vontade. Houve outras prioridades. Não há muito para ver. Yadda yadda yadda... Chega de dizer sempre a mesma coisa! Se não tenho nada para dizer, nada devo dizer.

Destaco três filmes por motivos diferentes, mas todos são bom entretenimento (para além de Star Wars, claro): RRR (Rise Roar Revolt), Puss in Boots: The Last Wish e Shotgun Wedding. O destaque maior vai para um que, se ganhar um Oscar, desta feita até será merecido: The Banshees of Inisherin.

Saturday, January 28, 2023

despachada: Schitt's Creek


À terceira será de vez? Claro que não. É das séries preferidas da minha senhora. Eu também gosto bastante, embora não ao nível dela, de andar a ver vídeos YouTube dos melhores bocados, volta e meia, ou de usar constantemente GIFs da série. De qualquer modo, foi só mais uma vez que vimos. Tenho 100% de certeza que não será a última.

Assim, não vou «gastar o meu inglês». Até porque não há grande coisa a dizer. É uma boa série, com óptimas interpretações, cheia de coração e emoções várias. É tolo quando tem de ser. É hilariante em vários momentos. Tem um grande elenco. E as expressões faciais dos actores, em tantos momentos, é qualquer coisa só por si. A série vale pelos diálogos, mas tanto é não dito, porque basta olhar para as caras deles e perceber tudo. É um píncaro, por demais.

Não é um adeus. É até à próxima, Schitt's Creek.

Tuesday, January 17, 2023

despachada: Quantum Leap


Esta série tem várias particularidades. Comecemos pelo início. Tem um genérico gigantesco. É mesmo um absurdo. Como era sempre o caso para as séries deste período, bem sei. Se dúvidas houvesse sobre quando foi feita, o gerérico dissipa-as. Ou seja, até é uma coisa normal, dado o tempo em que foi feita. Destaco este ponto porque, tendo em conta que só têm dois actores no elenco principal, qual era a necessidade de tanta musiqueta e montagem apenas para anunciar apenas dois actores? Vamos para a acção mais rapidamente, caramba!

Depois, Sam Beckett (esse nome clássico) viaja atrás no tempo, mas só entre as décadas de 1940 e 1980. Não mais que isso. Faz parte do enredo. Supostamente é uma limitação da «ciência» descoberta pelo personagem, mas é apenas porque não há dinheiro para indumentária muito antiga em termos de produção dos episódios, como é óbvio. Há muitos mais exemplos de ficção científica em que dizem que é melhor nem viajar no tempo em que existimos, por problemas com paradoxos ou algo assim. Há uma base teórica científica (ênfase no «teórico», atenção). Eu é que não a sei.

E se até aqui eram questões de somenos, depois temos problemas de white savior e violação, mais a questão de que as pessoas cujas vidas ele ocupa não estão presentes em momentos de grandes alterações. Como será ter uma branca, adormecer solteiro, só para acordar casado, por exemplo? Explanando um pouco melhor, Sam ocupa o corpo doutras pessoas no passado. Há uma troca de mentes, por assim dizer. Sam ocupa o corpo de homens e mulheres, de idades e raças várias. Essas pessoas, por sua vez, ocupam o seu corpo no «futuro», passando o tempo numa sala de espera e recebendo pouca informação, enquanto um desconhecido resolve-lhes a vida. Por vezes são trocas curtas, mas nem sempre é assim. Sam vive as suas vidas por inteiro, durante este período. Faz os seus trabalhos, canta os seus concertos, participa nos seus jogos grandes e interage com amigos, família ou parceiros sexuais. Porque sim, Sam tem relações com algumas pessoas. Mulheres sempre, claro. As mais atraentes. Mesmo quando estava no corpo duma mulher casada, nem por isso havia beijinhos com o marido. Durante dias. Mas esqueçamos os preconceitos da década de 80, senão nunca mais daqui saímos. E, verdade seja dita, Quantum Leap tentou ser progressiva, no que lhes foi permitido. Só que a verdade é que o homem era um white savior que violava moças, fingindo ser outra pessoa. Isto chegou mesmo ao ponto dele ser pai duma rapariga, que passou a vida sem saber quem era o verdadeiro pai, para todos os efeitos. Essa parte, e outras, foram mega cringe.

Por fim, o final. Que não foi final porque a série foi cancelada sem grande pré-aviso. A equipa de produção terá ficado com azia e meteu um cartão final a lixar tudo. O personagem queria voltar a casa, ao seu tempo. Essa sempre foi a premissa base da série. Pelo meio fazia de anjo da guarda e rectificava problemas, de modo a melhorar a vida de muita gente. Esta última parte fez sempre. A principal não conseguiu. O cartão disse apenas «esqueçam, que ele nunca mais voltou a casa (porque os executivos são umas bestas e não percebem nada desta m€rd@!)». A segunda parte não estava no cartão, claro, mas subentende-se.

Posto tudo isto, Quantum Leap foi uma óptima companhia nos últimos tempos. Gostei da série quando a vi em miúdo. E não tenho problema algum em dizer que marcou o jovem moço que fui, assim como o adulto que vim a ser. Sim, aos olhos de hoje há muitos pontos problemáticos. Mas na altura procuraram quebrar algumas barreiras e abordar assuntos problemáticos. Sexismo, racismo, discriminação generalizada. Tudo resolvido de forma muito bonita, em quarenta e tal minutos, por uma pessoa, quase como se nunca tivessem existido problemas - à boa maneira americana da época. Sem dúvida. Fizeram muito e mudaram a sociedade? Fizeram algo. Fizeram o possível. E a mim abriram um pouco os olhos para alguns assuntos, na altura.

É uma série que marcou-me. A verdade é essa. E gostei de a rever. Aconselho malta nova ver? Claro que não. É super datado e não faz sentido. Já a nova versão (fizeram um reboot agora em 2022)... De certeza que não será boa, mas tenho muita curiosidade de ver como resolveram a questão moral de ocupar a vida doutras pessoas e fazer determinadas coisas. Muito curioso, mesmo.

Monday, January 9, 2023

despachada: Obi-Wan Kenobi


Depois de ver a série, pela primeira vez, vi aquele documentário que a Disney+ lança sempre agora, para os filmes e séries Marvel e Star Wars. Uma espécia de «making of» / «behind the scenes». É coisa para nerds com demasiado tempo livre. Sem dúvida. Mas neste... Bem, o McGregor estava a fazer-se ao piso para mais tudo o que fosse ele interpretar Obi-Wan. Acho que até participaria na sequela do Christmas Special, ainda que estivesse ao mesmo nível. Não sabia que ele gostava tanto de Star Wars. Quer dizer, se fosse eu seria o mesmo. Há aqueles universos que serão sempre o sonho de fan boys em fazer parte, mesmo para actores mega famosos (por terem «mergulhado» na retrete mais nojenta do universo).

Daí que até tenha ficado na dúvida se haveria algum plano para segunda temporada. Não acredito. Não acreditava e continuo a não acreditar. Não faz qualquer sentido. Fizeram um óptimo serviço de acrescentar à nonalogia com esta série. Não convém estragar. Agora, que o McGregor fez-me duvidar, com a sua paixão pelo personagem, lá isso fez.

Não há alterações ao que senti há seis meses. Continua a gostar bastante do que foi feito aqui, apesar de ter algumas coisas coladas a cuspo. Não quero saber. Aqueles confrontos entre Vader e Obi-Wan alimentam-me a alma. Fazem o Sol aparecer no dia mais encoberto. Fazem-me respirar melhor. Até quase passo a ter fé na humanidade.

Quase.

despachada: Living With Yourself


Não acabei de ver a série agora. Não houve qualquer anúncio de cancelamento. Aliás, na Internet ainda há muito sítio que diz que uma segunda temporada poderá acontecer. Só que devia estar a estudar Neerlandês, o que significa que estou a fazer coisas parvas como, por exemplo, correr a minha lista de séries e ver se há alguma que entretanto «deixou de existir».

À boa maneira da Netflix, esta série vivia no limbo. Em princípio não continuará - porque não foi um sucesso de maior, porque não há um enorme público a pedir a sua continuidade, porque continuar a pagar ao Paul Rudd será difícil, porque a agenda de toda a gente entretanto estará muito diferente -, mas convém não fechar portas. Para a Netflix será sempre bom ter mais conteúdos com alguém do nível de Rudd, mesmo que seja caro. Não quer isto dizer que farão grandes movimentações para continuar o projecto. Os tempos mudaram e os objectivos da Netflix não passam por ter este tipo de séries. Talvez se fosse a Apple ou a HBO. Muuuuuuito «talvez».

E a trampa é que este modelo não ajuda no legado que as séries deixam. Antigamente até podíamos ter uma série que não durasse muito tempo, mas seriam ali três ou quatro anos em que havia uma «presença». Uma pessoa conseguia associar o momento da sua vida com a existência duma série. «Epá, lembro-me perfeitamente. Foi grande companhia para mim, quando estava a estudar no estrangeiro / a terminar a minha relação / a chumbar Análise Matemática II pela quarta vez.» Eu não faço ideia onde estava quando vi a primeira temporada de Living With Yourself. E da série em si pouca memória tinha também. Vi umas imagens e houve coisas que voltaram. Gostei da série. Sei disso. A premissa era interessante e a dupla principal é óptima. E até há um momento que, volta e meia é referido na minha relação, o raio da menção constante da «credenza».

Vou lembrar-me de Living With Yourself mais alguma vez na vida, se não passar os olhos neste post, por acaso? Não. Claro que não. E por isso culpo a péssima gestão que a Netflix faz e dos demais serviços de streaming, que lançam (ou não) novas temporadas passado demasiado tempo.

Sunday, January 1, 2023

top dos filmes vistos em 2022

Comecemos por mudar o raio do título destes posts. Dá sempre a entender que são os melhores filmes lançados no ano (no caso, 2022) e nunca é isso. Passa a ser este título e espero não me esquecer para o ano. Outra coisa que preciso fazer é simplificar o processo. Porque esta porcaria demora mais tempo a fazer do que tenho para dar. Até ler os posts anteriores já demora demasiado tempo.

Logo, demos um passo atrás. Abaixo estão a lista dos melhores dos melhores filmes que vi este ano. Para mim. Sempre. Seja por que motivo for. Não vou incluir revisionamentos, porque se os revejo por algum motivo é. Irei um pouco além do que apenas listar os «Filmes do Mês». Porque poderá ter sido o melhor desse mês, mas não quer dizer que seja incrível. Fora isso, é uma lista e pronto.

De resto e, mais uma vez, procurando simplificar:
- Este ano a vida não deu a volta desejada e começa a ser preocupante. Aliás, foi isso que levou a ver demasiadas coisas. Basta olhar para o número de posts deste blogue, este ano, que é o maior dos últimos dez anos! Vi muita série.
- Começo a cimentar o meu envelhecimento e a rabujar demasiado com falta de qualidade a sair de Hollywood. Por todos os motivos e mais alguns deveria ver menos lixo, mas essa mudança será gradual. Ou talvez não.
- Porque 2023 trará uma grande novidade pequenita (pelo menos ao início). E essa sim, alterará os ritmos e tempos disponíveis.
- Nem tudo foi mau. Houve momentos muito em baixo, mas também algumas alegrias. E, desde que assim seja, está tudo bem. Mais que não seja, o Benfica ganhou mais vezes. 


Cá estão os ditos. Tomai-os como «recomendações», se quiserem. Estão aqui coisas bem boas.

Saturday, December 31, 2022

filme do mês: Dezembro '22

Dezembro tornou-se um mês menos particular, neste blogue, nos últimos anos. Durante maior parte do tempo foi usado para aproveitar tempo perdido, usando a pausa de Natal para aumentar números ou ver coisas em atraso. Lembro-me de bons meses, com números fortes e boas coisas vistas.

Recentemente Dezembro evoluiu para o mês que é, de filmes de Natal, de época. Para além de que é também um mês que aproveito para voltar à terrinha. São boas razões, mas é menos tempo para ver filmes e alimentar o blogue. Achei que seria um mês fraco este ano precisamente por isso. Não foi, curiosamente. Fiz um forcing final, por medo de não chegar ao número mínimo (da minha cabeça), mas depois a minha senhora ajudou a aumentar ainda mais. A recta final acabou por ser frutífera, terminando mesmo num dos pontos mais alto possíveis, com a trilogia sagrada.

Esses seriam e são sempre os «filmes do mês», ou «do ano» e, em especial, «duma vida». Mas tragamos coisas novas para aqui, por muito que a qualidade não tenha abundado. Houve muito «filme de Natal» fraquinho. Foram giros de se ver mas não são bons filmes, sejamos honestos. Destaco este mês Christmas with the Campbells, Something from Tiffany's, Spirited, Terminal Velocity, Drop Zone e Violent Night. E, como filme do mês e de época, fica com o destaque maior Your Christmas or Mine?, um verdadeiro filme de Natal, com todas as letras.

Tuesday, December 20, 2022

despachada: Blockbuster


Recebi notícia do cancelamento. Terminei a primeira temporada há algum tempo. E poderei dizer, com 100% de certezas (algumas pessoas até diriam «120%», apesar de ser matematicamente impossível), que o cancelamento foi uma surpresa para... ninguém.

Na imagem, a expressão facial da moça de trás é a expressão que faria, se alguém se lembrasse de fingir surpresa ao saber que Blockbuster tinha sido cancelado. Porque foi fraquíssimo. Sem justificação nenhuma. Tinha um elenco porreiro (tirando o melhor amigo, não percebo a piada que vêem neste gajo). Foi criada por uma tipa que escreveu para séries óptimas. Era uma cenário de local de trabalho, igual a tantas outras séries de sucesso. E toda a gente adora gozar com a Blockbuster, a empresa que prescindiu de comprar a Netflix, quando esta ainda era pequenita, e acabou sendo vítima do sucesso desta e doutros serviços de streaming, quais arautos da desgraça.

Talvez o problema tenha sido mesmo esse. Desde o início que tinha uma sombra, umas núvens a pairar sobre todo o enredo. Como na realidade, esta loja era a última em existência (não fui confirmar, mas até há pouco tempo havia ainda uma última loja Blockbuster em funcionamento nos EUA). E desde o primeiro segundo que a grande questão era manter a loja aberta. Cada episódio era passado a sobreviver ao fecho e ao desemprego dos funcionários. Terá sido um pouco negro para uma série cómica? Talvez. Porque não apostaram numa coisa saudosista? Poderiam ter metido a história nos anos 90, auge do aluguer de filmes e do cinema em si. Não viram o sucesso que foi, quando a Captain Marvel aterrou numa loja destas, nessa década?

A ajudar à festa, foi mais uma tentativa horrível da Netflix de fazer uma série cómica. Falham miseravelmente neste formato e temo pelas séries previstas para sair nos próximos tempos (estou a olhar para ti, That '90s Show). Claro que irão pelo mesmo caminho.

Adeus, Blockbuster. Como o franchise que te deu origem, infelizmente será fácil de mais esquecer que exististe.

Wednesday, December 14, 2022

despachada: Love Life


Não a terminei de ver agora. Encontrei numa lista de séries canceladas/terminadas este ano. Curiosamente vinda da página da TV Guia americana, que sigo no Facebook. Se isto não demonstra a minha elevada idade, não sei que poderá demonstrar.

Foi uma decisão recente, mesmo assim. A HBO Max, que pertence à Warner, que pertence a um grupo que foi comprado por outro grupo, anda em reestruturações. Os novos donos querem limpar o serviço de coisas a mais (o que implica tirar do catálogo filmes e séries feitos recentemente), abandonar projectos em curso (o que inclui o Batgirl, da DC, que estava pronto a lançar), mudar liderança em determinadas áreas criativas (há uma dança de cadeiras de executivos, sendo que tenho melhor conhecimento do James Gunn como chefe do (novo) projecto para o DCEU) e, claro está, cancelar séries que não estão a ter o sucesso pretendido. Algumas maiores, outras pequenitas, como este Love Life.

Love Life era um projecto interessante, atenção. Pegar num bom actor/estrela de momento e metê-lo(a) numa história simples e fácil de produzir. Uma coisa rápida, para aproveitar a falta de tempo da dita estrela. Uns poucos episódios de meia hora cada um e está feito. Imagino que o tempo de filmagem fosse pouco mais que um par de semanas. A base é a mesma: amores e desamores. Têm até alguma ligação entre temporadas, com amigos em comum, etc. Não foi mau pensado. Pareceu-me muito bem executado. Talvez fosse caro para o retorno que teve.

Percebo o cancelamento. Tenho pena que tenha acontecido. Via-se bastante bem.

Wednesday, November 30, 2022

filme do mês: Novembro '22

Estou a fazer isto do «filme do mês» há 175 meses. 176 com este. Desde o início do blogue. Parece demasiado tempo, porque são 176 meses. Mas não, é só muito tempo. O processo de fazer o post evoluiu. Tento destacar não só um filme, muito para ajudar-me a depois fazer o post de resumo do ano. No processo aproveito ainda para ter uns pontos de situação da vida. Um diário para mim, onde volto para relembrar-me do Passado, mais que qualquer outra coisa.

É verdade que Novembro teve boas visitas, que ocuparam tempo não só durante a visita em si, mas que levou a alguma preparação. Mas a verdade é que ultimamente sinto um desligar de filmes. Também poderá ter a ver com fases da vida, que não deixam aproveitar a experiência cinematográfica como deve ser. Talvez. O certo é que esta semana dei por mim a pensar que, num futuro próximo, poderei apenas ver filme da Marvel e Star Wars. Mais DC e umas coisas soltas, vá. Ou seja, o que gosto verdadeiramente, o que ainda deixa-me entusiasmado. Como fazem as pessoas normais, no fundo. Vêem o que gostam e não andam a explorar uma data de lixo, na esperança de encontrar algo especial.

Parece uma conversa deprimente, mas não é. Simplesmente é o ciclo normal das coisas. Há muito que penso nisto. Ao envelhecermos ficamos mais selectivos. Porque é difícil haver novas experiências, porque não há nada que venha a marcar como o que vimos quando éramos novos. Convenhamos que a repetição torna-se mais evidente à medida que vemos mais coisas. E depois porque, eventualmente, deixamos de ser o público-alvo. As coisas deixam de ser para nós e começam a ter métodos de narração que o nosso cérebro não consegue compreender. É a evolução natural. Não me deixa deprimido. É o que é. Num futuro próximo conto ver menos coisas, sendo mais selectivo. E se chegar a muito velho (só «velho» já sou há algum tempo) passarei a rever os filmes que adoro, muito mais do que ver coisas novas. Se calhar até em exclusivo. Quem sabe.

Bem, o texto vai longo porque estou a protelar. Tenho de estudar neerlandês, fazer a contabilidade do mês e deveria estar a fazer outras coisas bem mais importantes. Porque a verdade é que este mês o post é simples. Poucos destaques (Weird: The Al Yankovic Story, Bar Fight!, The People We Hate at the Wedding, Clara) - alguns dos quais talvez não marcariam presença num mês «forte» - e um destaque maior. Que merece, atenção. Porque há talento do mais alto nível em Raymond & Ray.

Sunday, November 13, 2022

Rutherford Falls


Começando pelo positivo, é efectivamente uma grande produção. Vê-se que a Peacock está a fazer investimento para enraízar-se. Tenho grandes expectativas para o serviço, embora pouca esperança que o venha a utilizar tão cedo. A NBC sempre criou óptimas séries cómicas, se bem que com as restrições de ser um canal «aberto». Agora com o serviço de streaming o potencial é ainda maior, como se vê nesta produção de Falls. Já a execução, pelo menos aqui, deixou algo a desejar.

De forma estranha não é bem uma comédia, pelo menos na primeira temporada, e é muito difícil gostar de Ed Helms. É a continuação das partes más do seu personagem em Office. O que é estranho. À custa dum qualquer aniversário de Office, tenho visto em muitos sítios (e já mesmo antes disso) a famosa história que os criadores tiveram de mudar o personagem principal. Para a série ter sucesso no mercado norte-americano, para que a série pudesse ter a longevidade conhecida de séries desse território, Michael Scott não podia ser o que o personagem de Gervais foi. Não podia ser o tipo incompetente e odioso. As pessoas não iamter paciência para o acompanhar durante dez anos. Logo, na segunda temporada mudaram-lhe a personagem, o cabelo, os fatos e maneirismos, assim como tornaram-no bom no trabalho. Porque é que voltaram à fórmula de tipo odioso com Helms, depois de terem aprendido a lição, custa-me a perceber.

A verdade é que Helms passa, mais ou menos, pela mesma transição da primeira para a segunda temporada. Terá sido tarde demais? E como é que a série sobrevive a primeira, que não foi boa, caindo com a segunda, que até foi bastante agradável? É daqueles mistérios. Poderá ter a ver com COVID. Ou pelo facto de que o público norte-americano terá tido menos interesse no destaque dado aos personagens nativos. Ou porque o personagem de Helms era cada vez mais supérfluo à história, em boa verdade. Não sei. Foi pena não ter sobrevivido, mas a verdade é que não se perdeu assim grande coisa. Já houve demasiados cancelamentos bem mais controversos.

Monday, October 31, 2022

filme do mês: Outubro '22

Mês com um número simpático de filmes vistos, para além de algumas séries «despachadas». Mais do que o número, foi o ritmo, constante e sem forçar. Não foi preciso acelerar em momento algum, para atingir objectivos. Foi um mês porreiro em quase tudo. Faltou ali um detalhe para ser perfeito, mas suponho que não tenha direito algum a ter tudo.

Já sobre a qualidade em si dos filmes... Confesso que tive dificuldade em fazer uma selecção a destacar. Dois deles entram por serem visualmente bonitos, e outros três estão no limite de terem sido entretidos: The ProposalThree Thousand Years of Longing, Entergalactic, The Wedding Year, Bros, Good Girls Get High e Batman and Superman: Battle of the Super Sons.

Destaque maior vai para Joyride.

Saturday, October 29, 2022

despachada: Mr. Mayor


Surpreendentemente Mr. Mayor foi cancelado. Porque foi uma surpresa, para mim? Porque é de Tina Fey. Porque tinha piada e um elenco com talento. Porque eram épocas apenas com dez episódios o que, por norma, traduz-se em maior qualidade. Porque era uma fórmula que teve imenso sucesso com 30 Rock.

Porque foi então cancelada? A minha teoria vai para o facto de que tinha demasiadas inside jokes sobre LA. Enquanto que NY e os seus detalhes são por demais conhecidos e alguns até são coisas de «cidade grande», com que muita gente consegue identificar-se, LA tem problemas que não são para todos. Fogos intensos e constantes. Secas e racionamento de água. Malta rica a queixar-se que não pode usar tanta água como quer nos seus jardins ou piscinas. Até mesmo a popularidade e mediatismo de cargos políticos. Nada disto faz grande sentido ao cidadão comum.

Foi pena ter sido cancelada. Tinha piada, muito por causa dos intérpretes/personagens. E deixou muitos cliffhangers. Mas imagino que tenha sido piada final. «Ai fomos cancelados?! Então deixa lá reescrever o episódio final só um bocadinho.»

Wednesday, October 26, 2022

despachada: Peaky Blinders


Curioso. Tenho andado a «despachar» muita série britânica ultimamente.

Chegou ao fim a épica saga da família Shelby, dos famigerados «Peaky Blinders». Não chegou nada! Estava a brincar. Consta que querem fazer filmes e continuar a coisa. Parece que fazer séries dá demasiado trabalho, ou custa muito, ou conjugar agendas está mais complicado. Uma coisa dessas. O certo é que querem tornar a coisa menos «episódica convencional». Passam a «episódios cinematográficos», suponho. Pelo menos será essa a ideia. A série acabou, isso é um dado adquirido. Agora, se vão fazer filmes, mini-séries ou spin-offs com estes ou personagens secundários ou novos, não sei. O que sei é que não acredito que queiram abdicar deste franchise. A malta gosta demasiado.

Já ao analisar em detalhe o facto de que a malta gosta duma data de criminosos que mata, rouba, trafica droga, usufrui ou lucra com prostituição e jogo, viola, tem filhos ilegítimos que ignora ou abandona, maltrata mulheres e crianças, suborna, extorque, abusa ou «simplesmente» espanca gente por dá cá aquela palha... Há um problema aqui, pois não deveríamos admirar tanto esta gente. Só que têm pinta e são muito eloquentes. Para além de que têm uma belíssima banda sonora a acompanhá-los. Torna-se difícil não achar-lhes piada, ?

Peaky Blinders foi estilo e carisma em barda. Falas que ficam para a eternidade. Foi uns quantos personagens do outro mundo, a começar e a acabar em Thomas, o patriarca da família, mas sem esquecer Arthur, Polly, Ada ou o famigerado Alfie, entre outros.

A série até pode ter acabado, mas by order of the Peaky f#ck%ng Blinders, dificilmente não veremos mais desta pandilha. É só aguardar mais um pouco.