Friday, April 24, 2020
despachada: Those Who Can't
Esta série foi cancelada há um ano. Não fazia ideia.
Com isto do Covid o certo é que vamos ter um interregno de séries. Muitas não conseguiram terminar as respectivas temporadas, pois fecharam a produção antes do final. Algumas vão sair entretanto porque já estavam feitas. Não há nada novo a ser feito, e não há previsão de quando regressará tudo ao trabalho.
Das séries que vejo regularmente, quase todas terminarão as suas temporadas nas próximas duas a três semanas. Comecei a pesquisar a ver se alguma nova temporada começaria em breve. E a questão é que não só não há muita coisa a recomeçar tão cedo, como entretanto apercebi-me que há uma datas delas que não recomeçarão de todo.
Those Who Can't é uma delas. Entre cada temporada havia sempre um interregno e falta de informação, se tinha ou não sido renovada por mais uma temporada. Logo, desde que acabou a última, não pensei muito nisso. Simplesmente esperei. Pelos vistos esperei para nada.
Não era brilhante. Longe disso. Maior parte das vezes era só parvo. Às vezes lá tinha uma piada ou outra engraçada. Acima de tudo era mais uma daquelas coisas que me faziam sonhar com empregos fáceis. Com ser possível não ser particularmente bom no que fazemos, sem que haja qualquer consequência disso. E, mesmo assim, ter tempo e dinheiro para fazermos o que nos dá gozo.
Foi mais uma bela fantasia, vá.
despachada: Will & Grace
Podia jurar que tinha visto as temporadas de Will & Grace após ter começado com estas deambulações parvas neste blogue. Tanto mais que pretendia apenas fazer uma adenda ao que tinha dito antes. Afinal tenho de fazer algo de raíz...
O curioso é que achava que iria encontrar um post a desdenhar a série. Tinha uma ideia que tinha feito um embaço que acabou por cansar, como é normal os embaços de séries fazerem. Quando é demasiado, por muito que seja duma coisa boa, acaba sempre por perder impacto e cansar. Como pude atestar com os últimos visionamentos de Parks e Office, embaços devem ser feitos a séries já conhecidas, já vistas. O resto deve ser apreciado com o tempo.
Gostei de ver estas novas temporadas de Will & Grace. Contrariamente a tudo o resto que anda por aí a ser (re)feito, acho que acrescentaram alguma coisa. Ajudaram a série a crescer um pouco mais. E agora já não tinham o peso de ser uma série com uma mensagem. Ou melhor, continuaram a passá-la, e ainda bem, mas já não era só uma série sobre isso. Deu para apreciar mais a dinâmida de grupo, a empatia e cumplicidade entre o elenco principal. E depois foi continuar a ver estrela atrás de estrela a aparecer nos episódios. Porque também era esse o sucesso de W&G: toda a gente queria participar na festa.
Estou mais velho. Tenho andado mais calmo. Fica mais fácil dizer bem das coisas. Vejo-me perfeitamente a dizer que a série não é nada de especial há uns anos. Agora consigo dar-lhe mais mérito, que é bem merecido.
Isso e já não me custa nada assumir que sempre estive loucamente apaixonado pela Karen. Se bem que não estou propriamente a «sair do armário» com esta informação. Quem me conhece bem já o sabia.
Friday, April 17, 2020
despachada: Olive Kitteridge
Luxos para quem pode: Frances McDormand gostou da história, comprou os direitos e meteu na prateleira, até chegar a altura em que tinha tempo para trabalhar na coisa. Alguns anos passaram-se e lá arranjou argumentista, realizadora e companheiro de cena. O resto terá vindo por arrasto, por certo.
Mais uma boa mini-série da HBO (duh). Mais uma incrível interpretação de McDormand e Jenkins (double duh). E uma maravilhosa surpresa em ver Bill Murray.
Não havia como não ganhar.
Wednesday, April 15, 2020
despachada: A Young Doctor's Notebook & Other Stories
A minha senhora curte o Harry Potter. É natural. Os livros e filmes são para a geração dela. Felizmente não é uma panca. Já basta perder-lhe um pouco o respeito por ter efectivamente uma panca pelo Ron. O certo é que acha que qualquer um deles é talentoso, o que não é bem verdade, convenhamos.
Tinha começado a ver esta série em tempos. Lembrou-se dela vá-se lá saber porquê. Pediu-me para vermos.
Não é má. Comecemos por aí. Vê-se bem. Mais que não seja porque também são só duas temporadas, num total de oito episódios de vinte e tal minutos cada. O que engana é o género. Apela-se que é comédia. Embora tenha uns quantos momentos de humor negro, vende-se como sendo mais cómico do que efectivamente é. Mas tem um bom gancho e dá para ignorar que Potter e Jon Hamm são a mesma pessoa, em tempos diferente. Tive de me adaptar ao registo, mas saí agradado da experiência.
E, mais importante, ganhei pontos com a patroa.
Saturday, April 11, 2020
despachada: Mrs. Fletcher
Que final «cármico».
Sei que já o disse, mas cada vez sinto mais isto: as mini-séries são o formato para mim. No cinema parece cada vez mais difícil encontrar uma história original bem contada. Atenção, continuo a adorar ir ao cinema e ver «filmes pipoca», para além de que continuarei sempre a ver filmes. Encontrarei sempre algo fixe, volta e meia. Só que parece que o formato é demasiado limitativo. Ou falta orçamento para acabar a história como deve ser, ou é uma questão de tempo. Para além de que a estrutura é cada vez mais igual, seja uma fantasia com extra-terrestre ou a história dum tipo cuja lavandaria foi à falência, sinto que estou sempre a ver a mesma coisa. E não me obriguem a falar em séries de TV. Temporadas e temporadas, sempre a contar a mesma coisa ou a tentar chegar a algum lado, só para serem desviados ao mais pequeno soluço das audiências. Ou então a nova realidade do streaming, onde tem de haver uma série nova todas as semanas, sendo que muitas não chegam a terminar as respectivas narrativas, pois o volume de «coisas novas» é que interessa.
Na mini-série temos uma história com tempo para ser contada, com tempo para dar dimensão aos personagens, mas também com tempo para o espectador digerir a acção. Pode ser a história mais simples ou a mais complexa, mas há tempo para tudo, sabendo que o que interessa é chegar bem ao objectivo, que foi traçado desde o primeiro minuto. E tudo com um bom orçamento, que permite ter gente talentosa a trabalhar para nós. Tanto à frente, como atrás das câmaras.
Vamos dar-nos muito bem, HBO. Já tínhamos um bom historial, nós os dois, mas parece-me que teremos ainda um bom caminho a percorrer.
Friday, April 10, 2020
despachada: Modern Family
O final foi tão forçado e tão pouco original como as últimas temporadas. Não quero com isto dizer que a série não foi fixe, ou que não teve momentos brilhantes, mas foi demasiado esticada. Teve três ou quatro temporadas a mais.
Tirando isso, Modern Family foi uma óptima série dentro do género, conseguindo ter na televisão a actriz mais bem paga (e se Vergara já o merecia há demasiado tempo), lançar para a ribalta um conjunto de actores e actrizes muito talentosos, e criar um dos personagens mais hilariantes dos últimos tempos: Phil Dunphy. A série valia pelo conjunto. Concordo em absoluto. Mas Dunphy é um personagem absolutamente genial. Ridículo e enternecedor, tudo ao mesmo tempo.
Há quase uma década lembro-me de ter passado a uma pessoa esta série e Community. A minha preferência e verdadeira recomendação era a segunda. Apenas passei Modern Family por dar volume ao empréstimo. Para meu espanto, as palavras de entusiasmo foram para esta família americana. Não tínhamos os gostos tão alinhados, mas S. sempre teve olho para os maiores sucessos.
Mais uma vez, a ficção imita a realidade. Como com a minha própria família, gostei de conviver com eles, mas acaba sempre por ser demasiado tempo.
Thursday, April 9, 2020
despachada: Future Man
Based on a true story.
A frase acima aparece no final da série. Para se perceber o quão ridículo a frase e a série são, procurarei dar-vos um breve resumo do enredo: Josh Futturman é um completo falhado. Vive em casa do pais, que o mimam e tratam como uma criança. Tem um emprego horrível. Namoradas nem vê-las. Só sabe fazer uma coisa, que é jogar um jogo dum futuro pós-apocalíptico, fazendo parte das forças rebeldes. Josh vive para o jogo. Nele é «Future Man» (criatividade também não é com ele), tudo aquilo que nunca conseguirá ser na realidade. Forte, corajoso, ágil, líder, etc etc etc. Ao terminar o jogo (algo que ninguém tinha conseguido até então), aparecem no quarto dele dois guerreiros do jogo. Dizem-lhe que o jogo foi criado para encontrar a pessoa que fará a diferença na revolução, que os poderá ajudar a acabar com uma guerra que dura há demasiado tempo... no futuro.
Lá está. «Baseado em factos verídicos.»
Encontrei uma notícia que a série teria apenas três temporadas. Queria começar algo que tivesse um fim. Infelizmente comecei a ver cedo demais e tive de esperar pela terceira temporada. Tive interesse em ver porque é feito pelos mesmos criadores de Boys ou Preacher, séries de que gosto muito. A primeira temporada tem alguma piada. A segunda é um caos absurdo. A terceira melhora, mas continua a ser muito parvo.
É do Rogen e amigo de adolescência. Quase tudo o que fazem é com influências de «substâncias». Às vezes criam coisas fixes. Maior parte são Pineapple Expresses e afins.
Monday, April 6, 2020
despachada: The Office (US)
Office é uma das duas séries que nos permitiu manter algum tipo de sanidade, durante este período em que estamos presos em casa. Tanto para nós os dois, como para muita gente. Office e Parks aparecem constantemente em listas de séries para «embaçar», com o benefício de alegrarem o espírito.
Porque por muito que o sentimento de constrangimento se mantenha ao longo das nove temporadas, sempre que um personagem (ou vários) fazia algo demasiado estúpido, o certo é que a base, o que fica, é um carinho tremendo que os personagens tinham entre si. É a sensação de «família» que Michael procurou toda a sua vida. É enternecedor até ao fim. Até depois do fim.
O que posso destacar deste visionamento «de enfiada» é a evolução de alguns personagens não tão «principais». Claro que ainda me lembrava da marcante relação entre Pam e Jim. E obviamente que o percurso do Michael ainda estava presente. Mas por exemplo Andy Bernard... Não me lembrava de tantos altos e baixos. Começou como sendo um gajo bastante agressivo, para depois ser um palerma mau vendedor, a ser enganado pela dupla Angela/Dwight. Eventualmente passa a ser um gajo fixe e ambicioso, chegando mesmo a patrão, só para cair em desgraça uma vez mais, salvando-se à última hora. Foi épico acompanhá-lo melhor, desta feita. A ele e a outros.
Longa vida à sucursal de Scranton, um sítio desesperante mas também muito divertido de se trabalhar. Tenciono voltar.
Tuesday, March 31, 2020
filme do mês: Março '20
Que mês estranho.
Desde o final de Fevereiro tive quatro semanas a voltar a rotinas «normais» de trabalho. Depois veio a praga, a tirar a palavra «normal» do nosso dia a dia e a destruir também esse novo trabalho. Estou longe de achar que foi ou será a coisa mais importante que destruiu/destruirá, atenção.
Quero com isto dizer que comecei o mês com pouco tempo para ver filmes e que o acabei deprimido com tudo o que via.
Olho para a lista de filmes vistos este mês e tudo parece «fora de ordem». Parecem ocorrências externas, insignificantes e distantes de tudo o resto. Mas se não nos perdemos em ficção, de vez em quando, daremos rapidamente em loucos com a realidade. Certo?
Jojo e 1917 são das melhores (pouquíssimas) coisas a sair dos Óscares deste ano. Freaks, Jumanji 2, Popstar e League foram divertidos de (re)ver.
Destaco Captive State também por ter um pouco de semelhança à nossa realidade actual.
Desde o final de Fevereiro tive quatro semanas a voltar a rotinas «normais» de trabalho. Depois veio a praga, a tirar a palavra «normal» do nosso dia a dia e a destruir também esse novo trabalho. Estou longe de achar que foi ou será a coisa mais importante que destruiu/destruirá, atenção.
Quero com isto dizer que comecei o mês com pouco tempo para ver filmes e que o acabei deprimido com tudo o que via.
Olho para a lista de filmes vistos este mês e tudo parece «fora de ordem». Parecem ocorrências externas, insignificantes e distantes de tudo o resto. Mas se não nos perdemos em ficção, de vez em quando, daremos rapidamente em loucos com a realidade. Certo?
Jojo e 1917 são das melhores (pouquíssimas) coisas a sair dos Óscares deste ano. Freaks, Jumanji 2, Popstar e League foram divertidos de (re)ver.
Destaco Captive State também por ter um pouco de semelhança à nossa realidade actual.
Thursday, March 19, 2020
despachada: Parks and Recreation
Andava há demasiado tempo a convencer «alguém» a ver isto. Tanto tempo e tanta resistência à ideia levaram a que começasse a duvidar da qualidade da série. Sobreviviria ao teste do tempo? Seria bom à mesma para alguém que tem outro registo, outro nível de atenção, outro tipo de atenção a detalhes que eu? Eventualmente lá começámos. Eu deliciado com rever estes maravilhosos personagens. A minha companhia demorou um pouco... mas também ambientou-se bem ao universo.
O que disse no primeiro post que escrevi sobre a série mantém-se. Os personagens passaram por uma fase menos boa. Entenda-se: o início. O Andy era um pouco velhaco. A Leslie mais taranta do que acabou a ser. O Ron mais sexista do que me lembrava. O Tom muito mais calão. Todos acabaram onde deveriam acabar, como o grupo maravilhoso que ainda me faz sorrir sempre que me lembro de alguma cena.
Viu-se muito bem outra vez. É uma das melhores de sempre. Para mim e para muitos. E se alguém algum dia me perguntar se me importo de a ver outra vez a minha resposta será Just give me all the bacon and eggs you have. Wait... wait. I worry what you just heard was: Give me a lot of bacon and eggs. What I said was: Give me all the bacon and eggs you have. Do you understand?
Saturday, February 29, 2020
filme do mês: Fevereiro '20
Mais uma vez - e sei que me repito - o filme do mês não é um baseado em BD. Mas deveria ser. Porque independentemente da temática, foi o que me deu mais gozo ver. Quero com isto dizer que, se não fosse pela imposição das minhas regras, Birds of Prey... seria o filme destacado neste post.
Gisaengchung (também conhecido como Parasite) foi fixe, como foi Midsommar, à sua maneira. Não houve muito mais que isto. O resto não valeu assim tanto a pena. Vi pouco filmes este mês mas, pior, vi poucos bons filmes. Posso culpar os Óscares, que continuam a piorar ano após ano. Posso culpar as boas séries que tenho andado a ver. Mas para quê continuar a navegar no negativo?
Desde que veja alguma coisa está tudo bem.
Friday, February 28, 2020
despachada: Good Omens
Good Omens ou, como eu vejo a coisa, «a junção de génios a todos os níveis», é uma óptima mini-série.
Temos uma boa história de Neil Gaiman. Nem todas são assim tão boas, atenção. O cavalheiro é daqueles génios demasiado profícuos, o que faz com que nem todas as ideias estejam ao mesmo nível. E isto não quer dizer nada. Porque o homem cospe histórias como o Benfica mete miúdos na equipa principal. São umas atrás das outras. Quando se manda assim tanto cá para fora, nem todas as histórias podem ser Joões Félixes e ganhar campeonatos. Ele não deixa de ser uma óptima escola por causa disso.
Esta comparação fugiu-me um pouco das mãos.
Omens podia não ter sido nada de especial. Podia ter passado debaixo do radar, se tivesse um elenco reles. Não foi o caso. Os personagens principais são magistralmente interpretados por dois dos melhores actores britânicos que por aí andam. Junta-se a estes uma óptima realização e produção, e temos um magnífico dia televisivo pela frente.
Saturday, February 22, 2020
despachada: Fresh Off the Boat
A série foi cancelada por falta de audiências, ou porque a actriz queria dar o salto para Hollywood?
Há ainda a possibilidade de que simplesmente se fechou o ciclo. O personagem principal estava com idade de sair de casa, o que impediria a série de poder continuar a contar boas histórias. Em boa verdade, todos os personagem teriam já pouco para contar, sendo que dois ou três só serviam para encher. (Estou a olhar para vocês, miúdos mais novos e avó!)
Fresh Off the Boat foi divertido de se ver por um tempo. Não será uma série que me tenha marcado de forma alguma especial. Mas percebo que tenha sido um marco para muito boa gente, que finalmente conseguiu ver-se ser representado na TV.
Convém ainda referir que Wu é uma óptima actriz, que carregou a série às contas em vários momentos. Esperemos que consiga continuar por aí em mais (bons) projectos.
Thursday, February 20, 2020
despachada: Life in Pieces
Se disser que é uma série sobre uma grande família, não farei grande publicidade. O que não faltam para aí são séries sobre famílias.
O género está tão gasto que tentam de tudo para encontrar famílias «diferentes». As que vão ganhando atenção são sobre minorias, algumas com bons novos ângulos.
O género está tão gasto que já nem dá para pensar numa altura em que a TV não teve uma série cómica sobre uma qualquer família. Há imensas ao longo da história televisiva, umas mais bem sucedidas que as outras.
O género está tão gasto que a série sobre uma família, a mais popular da última década (talvez até mais tempo), a série «moderna» que recuperou velhas estrelas das séries sobre famílias, criou novas e tornou uma emigrante na actriz mais bem paga da TV, essa série vai terminar no final da presente temporada. Eles dirão que é por opção (imagino que os actores começassem a ficar demasiado caros), eu acho que é mesmo por cansaço. Tanto deles como do público. Mas falarei dessa série oportunamente.
Life in Pieces não trazia nada de muito novo. Tinha o ângulo de serem histórias curtas. Três por episódio. Às vezes intercalavam-se. Maior parte das vezes não. Cada pequena história a ver com alguns dos membros da grande família. Nem sempre os mesmos emparelhamentos.
Acima de tudo tinha um grupo de actores talentosos, com alguns dos personagens a serem bastante engraçados. Foi um bom entretenimento, durante um pedaço de tempo.
Tuesday, February 11, 2020
despachada: The Ranch
Todo o fã de That 70s Show terá visto Ranch na esperança de mais do mesmo. Muitas das piadas são ao mesmo género, mas Kutcher claramente queria fazer algo mais sério. Há um tom muito soturno sempre a pairar em toda a série. Principalmente a relação com o pai, mais agressiva que engraçada.
A coisa ficou especialmente mais pesada com um factor da vida real. O compincha dos tempos antigos foi apanhado no surto de palermas que abusaram da sua posição para ter relações sexuais com mulheres. Foi uma acusação que obrigou logo a «fazer desaparecer» o personagem e substituí-lo por um familiar que não tinha sido mencionado até então.
Teve alguns momentos bons, mas como a música do genérico, irritou mais do que tudo o resto. O que vale é que tínhamos a Elisha Cuthbert para equilibrar a coisa.
Monday, February 10, 2020
despachada: Arrow
Esticaram o final.
Parece uma frase tola para começar a falar duma série que envolveu um conjunto de temporadas e espoletou todo um universo de séries de TV. O melhor para descrever a série é dizer que, durante maior parte destes últimos anos, o Arrowverse foi melhor que o DC Universe criado em filme. O que é dizer muito, pois a TV sempre foi vista como sendo inferior ao cinema. É mais uma clara mudança do paradigma entre estes dois tipos de entretenimento.
O certo é que Arrow foi um esticar da história quase desde o início. As temporadas eram sempre demasiado longas. Muitos dos episódios serviam apenas para encher essas temporadas. Com um formato mais parecido com as séries da Marvel no Netflix, a série teria sido melhor.
Eu gostei das primeiras temporadas. E gostei muito de alguns personagens e algumas histórias. Teve bons vilões, por exemplo. O que é dizer muito, só por si. Mas não fosse haver um universo, com histórias que se cruzavam entre séries (sempre muito bem feito, já agora) e se calhar teria abandonado a meio.
No futuro o que me lembrarei será a estrutura metálica (que tem um nome que me escapa, de momento) que Ollie subia, puxando-se para cima. E da Felicity, um personagem inventado para a série e que nem estava previsto ser principal no início, que era incrível. Espero que ela e outros apareçam nas outras séries com frequência.
Para já confesso que sinto algum alívio por ter terminado.
Friday, January 31, 2020
filme do mês: Janeiro '20
Foi um mês peculiar. Não foi um mau número de visionamentos, mas nem todos eles bons, embora não tenha visto muita coisa «má». Faltou-me direcção, objectivos ou estrutura, suponho. Fiquei mal habituado o ano passado, pelos vistos.
Vi grandes séries este mês, no entanto.
Com o devido respeito a The Farewell ou Where'd you go, Bernadette, mas o filme do mês é o divertido Little Monsters.
despachada: BoJack Horseman
Mais uma boa série a terminar, a abandonar-nos.
Tenho uma relação muito particular com BoJack. Em especial com o genérico. É genial, comecemos por aí. Mas, não sei porquê, houve momentos em que provocou-me total angústia. Dava-se um aperto no estômago, quando acontecia ver vários episódios de seguida. E essa sensação passava para os episódios.
Não consigo explicar muito bem porquê. O mais próximo que consigo chegar duma possível justificação é o personagem, a maneira como o via. Creio que provocava-me angústia ver alguém desperdiçar tamanho talento, desperdiçar uma boa vida, com problemas parvos. Pensava - inconscientemente, entenda-se - estas coisas mais no início. Porque para o final da série tínhamos muito mais informação sobre o personagem e os motivos porque fazia as coisas idiotas que fazia. A situação familiar... Bem, só visto.
Há muitos momentos de absoluta genialidade em BoJack, uma série que não é a típica série de animação que se possa pensar. Mas tenho que destacar o episódio do funeral. Aquele discurso... Que coisa deliciosa.
despachada: The Good Place
Os tempos modernos das séries de TV (e de serviços de streaming) trouxeram-nos uma coisa maravilhosa. Para além de histórias de qualidade, entenda-se. Hoje em dia já não há muitos cancelamentos estúpidos, que deixam histórias a meio. Por norma os canais (e serviços de streaming) agora procuram fechar projectos. Ponderam, quase sempre ajuizadamente, e avisam qual será a última temporada.
Foi o caso de Good Place. Vi o anúncio. Fiquei triste, porque gostei da série. Mas tive tempo para mentalizar-me que ia terminar. E, assim, os criadores tiveram também eles tempo para planear o encerramento desta fantasia, em que um grupo improvável de humanos decide o destino da humanidade no pós-vivência.
Muito se andou aos tropeções, ao longo das várias temporadas. Houve momentos que pouco sentido fez. Apesar da minha apreciação geral, não tenho como fechar os olhos a algumas incongruências. Independentemente disso, Good Place tinha um elenco novo, talentoso, multifacetado, que brincou com muitos chavões, mas também trouxe uma doçura que não se encontra em qualquer série. Tudo isto com o prazer acrescido de ver Ted Danson, uma vez mais.
Fechou-se o projecto de forma sentida, como tinha de ser. Foi bom de ver.
Thursday, January 30, 2020
despachada: Years and Years
Excelente mini-série da HBO. Mais uma, como se espera do canal.
Em Years and Years temos um futuro não tão distante, com uma data de coisas assustadoras, todas elas bastante presentes. O mediatismo político ridículo que temos. Que merecemos, na minha opinião. Por exemplo. Mas também as novas relações com a tecnologia e entre pessoas, que assistimos todos os dias, parece. YaY tem um pouco de tudo que nos assusta nos tempos que correm... até mudarmos de canal para ver a próxima tragédia.
E não é só isso. Há também uma parte que tenho dito muito, ultimamente. A única coisa que me leva a não acordar todas as noites com suores frios. Porque apesar de todas as tragédias que «assistimos» diaramente na vida real, o ser humano é perseverante. Arranjamos forma de adaptarmo-nos ao novo status quo. Não é uma vantagem a 100%, mas entendo ser uma grande vantagem, mesmo assim.
Última nota para os finais de cada episódio. Todos eles marcantes, chocantes, a deixar-nos à beira do assento, a roer unhas e a arrancar cabelos só de ouvir o raio da música da série. Menos o final da bicicleta. Esse foi um bocado tolo.
Sunday, January 12, 2020
despachada: Abby's
A morte do velho formato de sitcom ainda não foi anunciado, mas que o bicho está ligado à máquina, é um facto.
Abby's tinha personagens bastante engraçadas, um cenário giro e até algo original, assim como algum potencial. Não muito, mas algum. Nada disto puxa ao espectador acual, que não quer o sistema de câmaras múltiplas e público ao vivo.
Vou sentir falta. Enquanto houver estes momentos pontuais duma fórmula que muito me deu, cá estarei a marcar presença. Sei bem que não é suficiente. É a companhia que consigo dar à beira da cama do paciente, antes do beep contínuo final.
Friday, January 10, 2020
despachada: Catch-22
Intenso. Para mim foi um visionamento muito mais intenso do que a leitura do livro. A série tem mais humor do que o filme feito nos anos 70 e até capta bastante bem alguns destes momentos mais humorosos. Mas, mesmo assim, é mais intenso que o livro, onde tudo é mascarado por momentos de humor moldados por insanidade, como só uma guerra poderia propiciar.
Gostei de ver a série. Acho que foi uma adaptação justa e honesta. Pessoal, até. Nota-se que foi feito por malta apreciadora do material de origem, mas com consciência que era preciso adaptar aos métodos modernos de narrativa. Conseguiram isso. O elenco é formado por um conjunto de rapazes que aparentam ter talento. Malta nova, como tinha de ser.
Nota-se que Clooney gostaria de ter tido a oportunidade de fazer de Yossarian. Quem não gostaria? Um clássico anti-herói, inteligente e mordaz. Porque vê-se na interpretação de Clooney o quanto ele conhece os personagens. A forma intensa como se dedicou a ser o general idiota (um deles). Foi pena a falta de timing. Um jovem Clooney a fazer de Yossarian teria ganho prémios a torto e a direito. Mas imagino que, mesmo assim, lhe tenha sabido bem poder pôr em cena esta história.
Friday, January 3, 2020
despachada: Fleabag
Que rico início de ano estamos a ter. Só se vê TV de qualidade por estes lados!
Andava há algum tempo a tentar convencer a minha senhora a ver. Não que precise dela, mas se vejo sozinho começa logo a reclamar. E se não tinha ainda percebido que havia grande série em Fleabag, pouco tempo faltaria. Porque Fleabag, mais concretamente a criadora/intérprete, andou a colecionar prémios nos últimos anos. Com total mérito.
Fleabag é divertido, inteligente, mordaz, cáustico, original... tudo isto e mais um par de botas. Os diálogos são de extrema qualidade. O desenrolar de história é dramático, mas não necessariamente inverosímel. O que tem imensa piada, porque vemos facilmente alguns destes episódios a acontecerem-nos.
Quer dizer... Não a mim. Eu sou desisteressante e passo a vida no sofá. Mas a pessoas que andam por aí, na rua, a fazer cenas. A essas pessoas, com histórias para contar, acontecem destas coisas, por certo.
A coisa parece ter sido pensada. Duas temporadas bem cosidas, com tudo a acontecer com propósito, desde início até ao fim. Mais o padre. O padre é incrível. Tudo com o padre é incrível.
Aposto que já ninguém dizia algo assim desde aquele rapazito acólito muito maduro e interessado em... religião.
Wednesday, January 1, 2020
despachada: Watchmen
Fizemos uma ligeira pausa no visionamento só para levantar a cabeça e vislumbrar alguns fogos de artifício, celebrar o ano novo, yadda yadda yadda. Voltámos rapidamente para acabar.
Porque Watchmen é incrível.
Será um caso raro no mundo da ficção. Uma série fechada, sem planos de continuar, como «sequela» dum filme/livros de BD. Passo a explicar:
Watchmen é considerada a história de BD, capaz de aliciar os mais reticentes anti-fãs de BD. É preciso gostar um pouco de ficção, mas a história foi tão bem contada que «enganou» muita gente quando saiu. Passou a ser referência, mais que não seja porque veio abanar completamente o status quo da BD. Os heróis passaram a ser imperfeitos, talvez até chegando a ser um pouco «sujos». Até então era tudo muito bonitinho e não havia como fazerem mal. Passou a existir toda uma sub-cultura, que agarrou novas gerações e aumentou substancialmente o público leitor, que desistia um pouco das histórias banais do costume. Corta para: há uns anos fizeram um filme, adaptação da famosa BD. Não sendo um sucesso tão flagrante como o material de origem, deu bom dinheiro e fez com que um palerma acabasse por ficar à frente dos destinos dos filmes da DC. Um claro erro no meu entender, mas o palerma tem fãs espalhados por todo o lado. Se há quem vota deliberadamente no Trump, como não haver fãs de Snyder.
Pensava-se que tudo ficaria por aí. Até que Lindelof decide continuar a história, não havendo propriamente muito no qual se pudesse basear. Aconteceu o mesmo com a BD. Apareceram eventualmente sequelas no mesmo universo, mas creio (ênfase no «creio») que não foi nessas que Lindelof se baseou.
O resultado é algo memorável, exemplificativo de como tudo deveria ser feito. Respeito pelo material de origem mas, mais que isso, muito respeito pela narrativa. Nada de episódios para encher, ou tentações de fazer mais, só para esmifrar audiências até se fartarem. O grande golpe de génio foi Lindelof ter vendido isto à HBO, canal sobejamente conhecido por fazer boas séries, sem grande pressão.
Óptimo projecto. Muito bem feito.
top dos filmes do ano de 2019
Que ano!
Em termos pessoais...
Houve muito que queria ter feito, mas parece que mesmo não tendo as rotinas dum dia a dia «normal», continua sem haver tempo para tudo. Parece que os dias ainda mal começaram e já estão a terminar. É assustador perceber isto.
De qualquer modo: saí dum sítio; fui para outro; fechei uma data de caixas; abri outras; tentei sair da zona de conforto (vamos ver como corre); tentei ajudar a fechar uma porta importante; não fechei nenhuma porta, felizmente... Foi um ano em cheio.
Em termos de filmes...
Estranhamente não consegui entrar em números estratosféricos. É surreal. Com menos tempo - ou pensava eu que tinha sido com menos tempo - vi muito mais. Mesmo assim consegui ver uma data de coisas boas - e, nalguns casos, de forma «sequencial», algo que foi giro só por si. Cheguei a 271, igualando um dos primeiros anos deste blogue.
Para além disso: Acabou-se os Avengers em grande. Alguns bons franchises continuaram. Vi desde Óscares ao lixo que enche a Netflix. Consegui despachar uma data de coisas que por aqui andavam há demasiado tempo. Bati recordes. E, acima de tudo, vi pontes para mais e melhor em 2020 e nos anos seguintes.
Estamos numa espécie de auge. Mais para séries que para filmes, é certo. De qualquer modo acho que é uma época especial para o cinema. Tudo é grande. E é importante que o seja, para justificar os preços que se praticam nas salas. Grandes actores. Grandes cenas. Grandes explosões e afins. E os outros filmes, os que já não são blockbusters e que começavam a ser ignorados, encontram novas plataformas nos vários serviços de streaming. Muita gente não acha justo, mas no meu entender esse é o melhor espaço para crescer. Há e haverá sempre «dores de crescimento», mas acho mesmo que as coisas só têm como melhorar.
Fica abaixo a lista do costume, sem nenhuma ordem em especial. Não foi fácil de fazer. Faltam aqui alguns, que também mereciam destaque.
Split + Glass (Temos pena. Eu gostei.)
Isle of Dogs (Em representação da maratona dos Óscares.)
A Quiet Place e Us (Não são o meu género, mas são obras primas dentro deste.)
Tully
Shazam! e Joker (Será desta que a DC começa a atinar?)
The Grinch
Captain Marvel, 1.ª e 2.ª vez + Avengers: Endgame, 1.ª, 2.ª e 3.ª vez + Spider-Man: Far From Home (D'uh!)
Landline
Always be my Maybe, Someone Great, Long Shot e Plus One (A provar que ainda é possível fazer coisas boas neste género.)
The Meyerowitz Stories (New and Selected)
T2 Trainspotting
Booksmart
Hearts Beat Loud
The Hate U Give
Mid90s
Blindspotting
Searching
Eighth Grade
Yesterday
The Kid Who Would Be King
Zombieland I e II
When Harry Met Sally
Mission: Impossible - Fallout, Alien: Covenant, Creed II, Men in Black: International, John Wick: Chapter 3 - Parabellum, Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw e Star Wars: Episode IX - The Rise of Skywalker (Blockbusters/franchises que, no meu entender, devem continuar. Infelizmente não será o caso para alguns.)
Tuesday, December 31, 2019
filme do mês: Dezembro '19
Acabo o ano com números fracos. Nem é muito normal. Tirando os últimos anos, em Dezembro costumo ter bastante tempo para filmes. Mais que não seja porque as séries estão em pausa. Mas tudo muda. Hoje em dia há séries em qualquer altura. Se juntarmos a isso uma vida diferente, e um mês em que fui passar uma temporada ou duas «de férias»... a Portugal!
É normal que tenha visto pouca coisas. Mas vi dois blockbusters porreiros, de franchises que continuarão, por certo. Também vi umas coisa que tentaram ser algo... mas ficaram-se pelo caminho.
E vi o episódio IX em muito boa companhia, em lugares especiais, numa sala condigna para tamanho filme. O episódio em si é o que é, mas não deixou de ser uma óptima experiência cinematográfica. Assim sendo, Rise of Skywalker é o filme deste mês. E seria, mesmo que tivesse visto dezenas de filmes.
Monday, December 30, 2019
despachada: Mr. Robot
O início é impecável, apesar de ter o twist que começava a ser banal, já na altura em que a série começou.
As duas temporadas do meio não fizeram grande coisa por mim, apesar de terem tido uma variação engraçada desse mesmo twist, e um final de temporada supreendente. Na última temporada estive para desistir. A meio! Sabia que ia acabar, mas estava a ser uma seca e não parecia levar a lado nenhum. Não tinha grande ligação à narrativa, que parecia ter dado tudo o que tinha a dar.
Até que surgiram dois episódios... brutais!
Dois episódios maravilhosamente bem feitos, que compensaram os episódios todos de encher chouriços, só para ali chegar. É de notar que um deles tem 10, como avaliação no IMDb. Com mais de 14 mil pessoas a votar, mesmo assim tem nota perfeita. É de valor.
Fiquei agarrado outra vez, a partir daí. Até ao fim.
despachada: The Man in the High Castle
A premissa é incrível. É o que tornou esta história tão famosa e apetecível de adaptar. E funcionou. Funcionou muito, mas muito bem. A primeira temporada é óptima e agarra, apesar de confusa e inverosímel.
Para quem não sabe, em TMitHC os nazis ganharam a Segunda Grande Guerra. Têm controlo sobre a Europa, mas não só. Dividem os EUA com os Japoneses. Têm o lado Este, enquanto que os nipónicos controlam o lado Oeste. No meio está uma zona meio destruída e perdida, onde vivem os «fora-da-lei» e uma espécie de resistência possível.
Esta não é a parte inverosímel, porque por muito que não o queiramos aceitar, o certo é que era possível terem ganho a Guerra. O mundo podia ser radicalmente diferente do que é hoje em dia. Mas isso seria o «normal» desse mundo, o vivermos sob um regime fascista. A parte verdadeiramente estranha desta história é que a dita resistência tem em sua posse um filme duma realidade paralela. Uma realidade, para eles, «anormal», onde os Aliados ganharam a Guerra. É um mundo onde, para muitos, vive-se melhor. Para pessoas dos dois lados. Porque até Japoneses e para alguns nazis, essa realidade é vista como algo a almejar.
Com esta arma, muitas mais pessoas começam a acreditar num «normal» diferente. E uma pequena resistência torna-se em algo mais, algo maior... dentro do possível.
É delicioso ver as possibilidades desta realidade paralela. Como coisas simples seriam completamente diferentes. Zepelins continuam muito mais presentes, por exemplo. E, até certo ponto, a séria foi muito bem conseguida. Só que, como acontece demasiadas vezes, esticaram a coisa até à exaustão.
O final é «tirado a ferros», com uma última temporada sofrível, apresentando muito pouco que faltasse contar. O enfoque, de repente, é dado à comunidade «afro-americana». Até então não existiam. No final têm um protagonismo gigante. Atenção que não critico a existência destes personagens neste ou em qualquer contexto. São uma parte da população. Porque haveriam de desaparecer só por causa do regime nazi imposto? A inclusão foi forçada pelo contexto mundial actual. Foi o que deveria ser feito, mas muito tarde. Tarde demais.
Monday, December 16, 2019
despachada: The End of the F***ing World
Que raios! Como é que não tenho um post já feito disto. Porque quando acabou a primeira temporada, as primeiras impressões insinuavam que tinha terminado. A primeira temporada é baseada no único material de origem feito (banda desenhada, já agora). Logo, não há mais para fazer.
Pelos vistos atrasei-me (eu sei, eu sei, choque!) a escrever o post e, entretanto, surgiu a notícia que ia haver segunda temporada, pelo que cancelei os meus planos de deambular sobre a série.
Posso dizer que está muito bem feito. A dinâmica entre os dois protagonistas é perfeita. E há surpresas pelo caminho. Daquelas bem grotescas. Poder-se-ia pensar que a segunda temporada foi «esticar a corda», até pelo final da primeira, mas não. Não senti isso. Acho que foi um bom acrescento. Não necessário só por si, mas interessante qb. Culminou bem.
Para quem gosta de histórias trágicas de «amor», The End of the F***ing World poderá ser uma boa experiência.
Friday, December 13, 2019
despachada: Northern Exposure
Não se volta a onde se foi feliz.
É uma velha máxima, é certo, mas cada vez a sinto mais presente. Esqueçamos que é quase exclusivamente por causa de filmes e séries antigas. Assumamos que é por causa disso e duma data doutros motivos importantes. Não queremos que passe por um cavalheiro desinteressante e até algo fútil.
Northern Exposure (NEx) é daquelas coisas que guardava com carinho na minha memória. Lembro-me de estar na sala, a partilhar a série com o meu velho, a ver episódios soltos que íamos apanhando na TV. NEx parecia ser uma série acima das outras da altura. Algo feito com pés e cabeça, cheio de mensagens e ideias à frente daquele tempo. Infelizmente, aos olhos de hoje em dia, falha em muitos aspectos.
«Continuidade» é uma palavra cara e desconhecida, por exemplo. Entendo. Era como as coisas eram feitas então. Juntava-se a equipa de guionistas numa sala mais para distribuir episódios do que discutir os objectivos gerais. Se é que havia sequer uma reunião presencial. O mais provável era tudo ser feito à distância. Mas desde relacionamentos cuja progressão, ou sequer exististência destes, varia de episódio para episódio, ou mesmo só estações do ano que vão variando, consoante a necessidade, passando por familiares que desaparecem sem deixar rastro, vê-se um pouco de tudo. Quase todos os episódios são independentes e há erros gritantes, para quem decidir ver tudo seguido.
Assuntos «delicados». Acredito que NEx que fosse das séries mais progressistas. Hoje em dia falha em quase todos os aspectos. Mulheres são clichês e questões raciais são abordadas com o tacto dum elefante num espaço reduzido. Basta olhar para o elenco muito, mas muito caucasiano, numa terra cheia de cultura indígena. Aliás, os personagens nativos são usados a belo prazer, consoante as necessidades dos enredos principais (entenda-se, «brancos»). Tudo muito constrangedor.
As personagens e os assuntos eram tratados com bastante inteligência... aos olhos dum adolescente na década de 90. Desta feita vi uma data de gente execrável, a quem não confiaria um cacto moribundo. Tudo malta egoísta, que só vê o seu, em detrimento da comunidade. O que é irónico, porque a grande premissa era precisamente um jovem médico citadino descobrir a beleza duma comunidade mais pequena. Há um episódio em que isso é para lá de notório. Sendo certo que o personagem que dá o mote para a existência desta série (o tal médico que vem da cidade grande) é um palerma que insulta todos os que o rodeiam, tratando-os como pacóvios provincianos, nada justifica como foi tratado, a certo momento. Ele tem a obrigatoriedade de trabalhar naquela terra, de cujo estado pagou-lhe os estudos. Mas também é verdade que com esse trabalho vêm direitos, nomeadamente a ter férias. Quando estas são canceladas mais uma vez, o médico entra em greve. É recurso de notório desespero, vindo do cansaço de quem não parava há meses. Que faz a comunidade? Vira-se contra ele, chegando ao ponto dele passar a noite na rua... no Alaska! É um estado pouco conhecido pelas noites amenas, convenhamos.
Nem tudo foi mau, atenção. Continuam a haver alguns episódios com toques de genialidade, na fantasia em que são construídas as cenas. Mesmo aos olhos de hoje em dia. Isso marcou-me então e continuei a ver desta feita. Mas não consigo recomendar NEx a ninguém, infelizmente. Percebo agora porque a série não se encontra em nenhum serviço de streaming actual.
PS - Apenas como desabafo. Não acrescenta nada ao que já disse e até spoila o final. Mas ter a O'Connell a juntar os trapos com o Chris, quando nada a isso apontava e andámos nós a levar com demasiados episódios do «vai não vai» entre ela e o Fleischman... Epá, é cuspirem na cara do espectador! Entendo que não fizesse sentido ficar com o Fleischman, mas que ficasse sozinha. Qual era o necessidade de a emparelhar com alguém?
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