Wednesday, July 31, 2019

filme do mês: Julho '19



Voltei a ver pouca coisa este mês. Quase «despachei um ano» e vi coisas bem fixes. A razão dos poucos visionamentos foi de andar demasiado lá por fora. Um par de semanas basta, para atrasar aqui a coisa. Embora também me tenha dedicado a embaçar algumas séries, é certo.

Independentemente do que aconteceu, este mês é mais um daqueles casos que poderia ter visto uma data de filmes, o «melhor» seria sempre Booksmart.

Saturday, July 27, 2019

despachada: Orange is the New Black


Há pouco mais de seis anos, ainda mal sabia eu o que era um «netflix» e recebia mensagens a meio da noite, da minha amiga I., a dizer-me que eu tinha de ver esta série. A moça não me conhece mal e não estava errada. Só a cena inicial era o suficiente para eu arranjar forma de atirar Óscares a esta coisa. A partir daí... calma!

Não era só seios e lesbianices. Tinha história e uma boa forma de a contar. De as contar, em boa verdade. Cada prisioneira era uma história só por si, que íamos descobrindo ao longo dos episódios e das temporadas.

O meio estagnou, é certo. Admito que sim. Mas lembro-me duma temporada que mexeu comigo e deixou-me algo deprimido. E eu sou a pessoa que gostou da temporada em que elas tomam conta da prisão. Sei que vai contra o que vem dantes, que é uma fórmula talvez demasiado diferente. Mas, lá está, a coisa estava estagnada. Era preciso abanar o barco. Foi perfeito? Não. Mas tentaram fazer alguma coisa, em vez de simplesmente deixarem o barco ir seguindo, até perder-se de vista.

E ainda bem que terminou. Terminou OK. Terminou tendo de terminar. Arrastaram um pouco, mas não muito. Fica uma boa série, cheia de boas interpretações.

Monday, July 15, 2019

despachada: The Thin Blue Line


A certa altura está série apareceu numa daquelas listas que aprecio ver, de tempos a tempos. Um clássico da comédia britânica. «Top coisas feitas pelo Rowan Atkinson.» «Série com mais gente fardada.» Sei lá, algo do género. Surgiram flashbacks na minha cabeça. Pareceu-me que tinha visto a série, na altura. Fui ver um par de vídeos ao YouTube e sim, memórias começaram a reavivar-se. Tinha boas recordações da série.

E sim, é Atkinson e Elton a mostrarem os músculos que os tornaram a referência que são. Só que...

É datado. Há montes de piadas que caem mal, hoje em dia. Tem demasiados momentos muito repetitivos. E os personagens são algo bidimensionais, na sua maioria. Contudo, sempre tinha um elenco mais diversificado que maior parte das séries de hoje em dia. Duas mulheres e mais duas minorias étnicas representadas, em plena década de XX? Ena ena!

Friday, July 12, 2019

despachada: Jonathan Strange & Mr. Norrell


Estes dois cavalheiros estavam destinados a ser os dois mágicos no Reino Unido. Estava escrito... num sítio muito particular.

JS&MN é baseado num livro e devo confessar que a história é particularmente original. No total dos sete episódios em momento algum consegui descortinar para onde queriam ir. Fugiu aos clichês usuais e o final chegou mesmo a surpreender. Ajuda ser produção britânica. Se isto fosse americano dava para ver o final feliz a chegar, ainda sem os créditos iniciais do primeiro episódio terem terminado.

Sinto-me algo sujo porque acabei a embaçar a série, algo que tenho tentado evitar fazer. Seja qualquer série. Estou cada vez mais convencido que as séries precisam de tempo. Não ajuda à experiência simplesmente devorar tudo duma só vez.

Não quero ser mal interpretado. Acho sistemas streaming o futuro e não quero outra coisa. Mas, como tudo na vida, séries devem também ser consumidas em moderação.

Acabei por não conseguir resistir à tentação, como com maior parte das coisas, em boa verdade. Ficou este dia marcado por magia e fantasia. A ver se é a única marca que deixa.

despachada: Childhood's End


Sou grande fã de histórias completas. Sou fã de ficção científica. E adoro histórias em que algo muda completamente o status quo da sociedade como nós a conhecemos. Especialmente se aparece uma qualquer raça alienígena, seja para ajudar ou para conquistar-nos.

Childhood's End tinha tudo isto... até chegar a uma parte religiosa. Foi aí que perderam o meu fascínio.

Dou-te total mérito porque mantiveram-me interessado até ao fim. Queria saber o final, que até nem é muito mal. Mas, lá está, a componente religiosa fez com que não consiga recomendar isto a ninguém. Pena.

Thursday, July 11, 2019

despachada: Chernobyl


Ainda nem tinha seis anitos, ainda nem tinha entrado na escola ou sequer interagido com muita gente fora do meu núcleo familiar, e o raio do mundo podia ter acabado. Pelo menos como nós o conhecemos. Porque Chernobyl podia ter destruído boa parte da Europa. Podia ter acabado com uma data de vegetação, água, fauna... Isto para não falar na quantidade de pessoas que morreria ou teria de mudar para outro local. A vida desde então poderia ter sido muito diferente. A História seria completamente diferente.

Como se duma guerra se tratasse, a velha URSS atirou gente ao problema. Centenas de milhares de soviéticos foram recrutados para tratar de «limpar» a central nuclear de todos os destroços radioactivos. Era uma missão... Era mandar miúdos para a morte. Especialmente para determinadas tarefas. Perderam-se vidas, helicópteros, materiais... Tanta coisa. Tudo por causa - segundo a série - de teimosia e do orgulho soviético. Por causa de desleixo e ignorância. Chernobyl conta maravilhosamente bem uma história trágica da nossa História. Claro que usa demasiados truques dramáticos americanos...

O que me recorda do que aconteceu assim que a série terminou. A Rússia emitiu um comunicado a dizer que fariam a sua versão de Chernobyl. A «verdadeira» versão do que aconteceu em Chernobyl, que envolve interferência americana, através dum espião da CIA. Quero tanto, mas tanto, ver esta versão. Vai ser incrível. Porque não foi uma produtora ou um canal a falar do assunto. Foi o país Rússia, no alto do seu total descontentamento com a afronta que foram as acusações da série, a dizer «nós vamos contar a verdade». Incrível.

Outra coisa de que me lembrei, que levanta uma perspectiva muito peculiar. Cerca de três anos depois dos incidentes em Chernobyl, nos EUA, uns jovens criativos cómicos criam uma personagem que se tornaria canónica na cultura pop do século XX. E que profissão dão a esta personagem? Trabalhador duma central nuclear. Até aqui nada de especial. Problema é que esta personagem não é muito esperta, chegando ao ponto da sua expressão mais conhecida ser um sinal de quando se apercebe que algo correu mal, ou que ele próprio fez algo mal. O que quer dizer que acontecia muitas vezes.

D'oh indeed, gentlemen. D'oh indeed.