Friday, September 16, 2022
despachada: A.P. Bio
Outro dos embaços recentes. Este mais fácil de fazer, já que são apenas quatro temporadas curtas. Podiam ser menos. A série foi cancelada a cada duas temporadas. À terceira temporada mudaram-se da NBC para o canal de streaming Peacock. Não é grande diferença, pois ambos pertencem aos mesmos, mas o certo é que não houve terceira vez. Foi cancelada definitivamente e, na minha opinião, mal. Deviam haver mais temporadas para ver. A.P. Bio era uma série divertida.
Eu próprio estou bastante surpreendido. A verdade é que os «filhos» do It's Always Sunny in Philadelphia têm sido alegres surpresas. Este Bio tem muito pouco a ver com IASiP, na verdade. Apenas partilham o actor principal. Mick, por exemplo, foi criada por alguns escritores de IASiP, partilhando ainda a actriz principal. Eu é que meto tudo no mesmo saco. Mal, bem sei, mas o saco é meu e faço com ele o que quiser. Tenho ainda ouvido boas coisas de Mythic Quest (e esta é criada pelos mesmos de IASiP), mas às tantas mais vale começar a ver a série que lançou a carreira destes caramelos, não? Curiosamente, dos quatro principais (vamos ignorar DeVito, pois esse tem uma carreira maior que todos os outros juntos), três tentam fazer o seu trajecto por outras séries (e um deles tendo um clube britânico de futebol), enquanto o quarto já atingiu alguma notoriedade em filmes.
Mas voltando a Bio, esta série nasce sim da malta que passou, ou ainda passa, pelo SNL. É sim, mais uma série bastarda do famigerado programa, que cuspiu tantas estrelas dos seus vários elencos, como mortes por overdose ou próximos capítulos de programas de «Where are they now?». Bio tem muito de bom do que vemos em SNL (a loucura, o talento, os desenrolares estapafúrdios), mas também a completa falta de estrutura, coerência e continuidade / destino, que vemos no programa de sketches.
Talvez tenha sido isso que levou ao fim prematuro. A verdade é que era difícil perceber para onde a série ia, tendo em conta que todo o percurso foi feito aos tropeções. Tomemos como exemplo a namorada que enraízou o protagonista à cidade onde não queria estar, só para desaparecer a meio sem grande justificação. Ou talvez tenha sido vítima do primeiro cancelamento. Não interessa. Nada disto interessa. Vou é ter saudades da personagem da Paula Bell (à direita na foto). Também vou ter doutros, mas Bell fez-me rir a bom rir. Mais que os outros e bem mais que muita outra série cómica que por aí anda. Belíssima personagem, fruto da natureza tresloucada (presumo) da actriz. Ela sozinha merecia Óscares. Catadupas de Óscares.
Thursday, September 15, 2022
despachada: The Americans
Antes de entrar muito na série, que tem sido o nosso embaço regular dos últimos tempos, um disclaimer: está muito bem feita e é, efectivamente boa. Independentemente do que eu possa dizer neste post. Ganhou prémios e adulação merecida. É inteligente e bem trabalhada, com uma data de detalhes que podem parecer estranhos, mas estou certo que terão acontecido na época.
Posto isto...
A parte relacional é demasiado preponderante, face à parte da espionagem. Dando um exemplo: os dois acabam de sobreviver a uma explosão num quarto de hotel, enquanto procuravam parar/matar um assassino profissional. A primeira coisa que dizem um ao outro, ao chegar ao carro, não pode ser sobre a relação matrimonial. Ou então, se a parte familiar é assim tão importante, vamos mais longe: como é que esta gente tem tempo para tudo? Trabalho, serem pais, cozinhar, compras... E limpezas? Não os vi a limpar a casa enorme que tinham uma única vez. Limpar a sala. Uma vez que seja!
Depois, há várias formas de mostrar qual o ambiente numa cena. Iluminação, ângulo dos planos, filtros, cenários ou, como artifício principal, a música. Nesta série usaram um truque diferente. Sempre que as coisas não estavam bem, o cabelo do personagem masculino principal ficava completamente desgovernado. Vimos quase duas temporadas inteiras em que o personagem passa por uma depressão e sabemos disso porque deixou de pentear-se.
No final (que pareceu despachado, como se o canal só tivesse renovado por mais um última temporada e tiveram de resolver tudo à pressa), com seis temporadas dum agente do FBI a viver ao lado de espiões russos, o que o fez suspeitar deles foi uma descrição dum informante, da personagem feminina principal, como tendo cabelo bonito e que fumava. Eram os anos 80! Toda a gente tinha um cabelo espampanante e fumava! Admira-me que não tenha suspeitado dos Flock Of Seagulls.
Estas foram algumas coisas com que fui embirrando, ao longo do visionamento. Eram detalhes que obrigavam-me a tomar notas enquanto via os episódios. E mais houve, que não apontei. A começar com os personagens russos serem interpretados por actores péssimos, pois o importante era saberem falar russo. Do alto da minha «chico espertice», de gajo que já viu anos de filmes e séries, uma data deles de espionagem ou apenas e só deste período da Guerra Fria (Wolverines!), achei eu que sabia mais do que os tipos que escreveram e estudaram sobre este período em que espiões russos viveram nos EUA fingindo ser Americanos. «Os agentes não tinham missões todas as semanas, senão eram apanhados facilmente!», pensava eu, que sou tão inteligente. (inserir aqui smiley que bate com a palma da mão na testa) A situação é exagerada. Claro. É uma série. Há dois personagens principais que o espectador gosta. Estamos investidos na vida destes personagens e não doutros. Se estiverem a mudar sempre de actores não vamos gostar. E não é comportável em termos de orçamento. Os dois principais têm de fazer tudo, sempre. Tenho é de «comer e calar». Não foi fácil, mas aqui o problema é meu, que não sei apreciar as coisas só por si. Tenho sempre de achar que sei mais que os outros.
A conclusão final - que já vem tarde - é que gostei da série. Pode não parecer, mas isto sou só eu a ser o habitual idiota. Gostei da série. Se voltasse atrás, o que mudaria seria a minha atitude, pois veria novamente. Com gosto. Acontece que esperava outra coisa, mais de espionagem do que novela. E daí que tenha custado a desligar a parte parva do cérebro. E porque sou uma besta.
Tuesday, September 13, 2022
despachada: The Staircase
Staircase é a novela norte-americana perfeita. Pelo menos para os tempos que correm. E não é bem para a malta que gosta das típicas «telenovelas», mas mesmo estes encontrariam pormenores interessantes. Só não tem o nível de «drama» a que estão habituados.
Falamos dum tipo candidato a cargos governamentais, escritor e bem na vida, que é acusado do homicídio da esposa. Só até aqui teria interesse, mas não é muito diferente de tantos outros casos, infelizmente. A juntar temos: a descoberta que é bissexual e tinha inúmeros encontros sexuais com homens; a consequente descoberta que a esposa estaria a par, mas os vários filhos e filhas, de relações anteriores, não; o facto de que ele não tinha dinheiro e vivia à custa da mulher; e, chocando a meio do processo, a descoberta que teve uma primeira mulher que morreu nas mesmas circunstâncias que a actual. Ou seja, tudo aponta que a esposa não caiu das escadas e faleceu, por acidente, mas que ele tinha todos os motivos para matá-la.
É a conclusão inicial do tribunal, sendo o tipo metido na prisão. Só que há pessoas que ainda acreditam nele e procuram ilibá-lo. Principalmente o irmão, o vizinho reformado, e a tipa que fez a edição do documentário feito sobre o caso. Sim, esta parte é espectacular. Uma produtora francesa mostrou interesse em documentar o caso e ele, claro, aceitou. Dizia que seria para ter um veículo para contar o seu lado dos acontecimentos, mas a verdade é que o tipo era muito narcisista e adorou a atenção. A tipa que faz a edição dos vídeos da produtora apaixona-se por ele, só de o ver nas gravações. Eu sei, é surreal. O certo é que, depois do tipo ir parar à prisão ela continua a investigar e a procurar provas para a sua inocência. No final, depois de ser finalmente liberto, vê-lo a rejeitá-la é trágico só por si.
Não tenho grandes pruridos em revelar estes detalhes porque isto foi um caso real. Tudo aconteceu, de algum modo. Está detalhado em várias páginas de Internet, incluindo Wikipédia. Ter sido um documentário tornou tudo ainda mais público e conhecido. Eu não conhecia, claro, mas eu sou um gajo pouco interessado em realidade. Nunca na vida convencer-me-iam a ver o documentário. Já uma mini-série da HBO, com bons actores...
Sunday, September 4, 2022
despachada: Worst Week
Adaptação da série britânica, sim. Faz sentido. Foi bem sucedida em Inglaterra. Porque não tentar adaptar?
Ao contrário do que é costume, não fizeram uma réplica cena por cena. Começaram pelo especial de Natal. São os últimos episódios da série original. Misturaram uns quantos detalhes das outras temporadas. É bom sinal. Quer dizer que pensaram antes de fazer. Que analisaram tudo e procuraram dar-lhe uma estrutura consolidada, criando algo novo. Só é pena que o material de base não fosse grande coisa. Por outro lado, tiveram como guest appearances: Aziz Ansari, Ken Jeong, Jessica St. Clair, Nick Kroll, Olympia Dukakis, Fred Willard, Octavia Spencer, Rachael Harris, Natasha Legero, entre outros.
E a verdade é que procuraram ser mais fofinhos. O tipo principal é claramente mais agradável, o que ajudou que não custasse tanto a ver. Ele não é o único a cometer erros, por exemplo. Só isso faz uma diferença enorme e tira o tom repetitivo que, pelo menos a mim, desde o início irritou na outra.
A conclusão é que esta versão é melhor que o original. Pelo menos para mim. Mesmo assim não foi grande coisa.
Wednesday, August 31, 2022
filme do mês: Agosto '22
Mais um mês dentro da média. Aliás, parece que o 21 é o número de eleição, pelo que «vemos» nos últimos três meses. Um Verão de 21 no ano de 22, no fundo. Outra nota de destaque é que, salvo ali uma semana, mais ou menos, foram apenas filmes de 2022. Dezassete dentro dos vinte e um. Não deixa de ser curioso.
Houve algumas quebras. Não tive uma rotina de visionamento. A verdade é que não há assim tanta coisa a ver, embora haja mais. Também tenho dedicado algum tempo a séries, como é costume. E há ainda outro factor: recomeçou a bola a sério. A brincar a brincar sempre consome algumas noites.
Destaques do mês, por motivos diversos: Honor Society, Don't Make Me Go, The Binge, Jumanji 1 e 2 (ou 2 e 3, na verdade), Look Both Ways, Samaritan e I Love My Dad. Filme do mês (filmaço, mesmo) foi Prey.
Houve algumas quebras. Não tive uma rotina de visionamento. A verdade é que não há assim tanta coisa a ver, embora haja mais. Também tenho dedicado algum tempo a séries, como é costume. E há ainda outro factor: recomeçou a bola a sério. A brincar a brincar sempre consome algumas noites.
Destaques do mês, por motivos diversos: Honor Society, Don't Make Me Go, The Binge, Jumanji 1 e 2 (ou 2 e 3, na verdade), Look Both Ways, Samaritan e I Love My Dad. Filme do mês (filmaço, mesmo) foi Prey.
Monday, August 29, 2022
despachada: The Worst Week of My Life
Mais uma série que vejo por causa de Sarah Alexander. Tinha ainda a vantagem de estar bem cotada. A série, não a actriz. Embora...
Acontece que quem votou não sabe o que é uma boa série e, pior, a actriz tem um papel que não está ao seu nível. Só reclama ou fica envergonhada pelas idiotices que o noivo faz. E são bastantes. Toda a série é um chorrilho de disparates feitos ou provocados pelo mesmo caramelo. Quase todos facilmente evitáveis. Dói e custa ver demasiado de enfiada. Abusei, é certo. Vi demasiados episódios seguidos. Não tinha nada para fazer e, a partir de certa altura, só queria despachar a coisa. Mas para os últimos do embaço começava a ficar irritado sempre que, claramente, o palerma ia fazer alguma coisa mal. É o clássico das séries britânicas. O incómodo por excesso. O desconforto de estar a ver algo a acontecer. O ponto máximo terá sido o Office, mas suponho que a tradição venha de há muito.
Não foi fixe. Já vi muito melhor com ela. Já vi muuuuuuuuuita coisa melhor que esta trampa. Não ajuda que não ache piada alguma ao protagonista.
Tuesday, August 23, 2022
despachada: Mare of Easttown
Porque é que tem sempre de ser uma miúda adolescente, num pardieiro de terra em nenhures? Neste caso até foi mais que uma. As terras pequenas no Estados Unidos são assim tão perigosas para jovens adolescentes? São sítios tão enfadonhos, que a única solução é enfrascarem-se e terem relações pedófilas, que invariavelmente acabam em homicídios? Ou será apenas uma visão Hollywoodesca destes sítios?
A primeira metade desta mini-série é muito melhor que a segunda. Até terem resolvido uma das narrativas - entenda-se «um dos crimes» - estava a ser muito bom. Depois, no final, resolverem a narrativa/crime principal um bocado aos tropeções, no meu entender. Foi demasiado rápido e simples para a importância que parecia ter, com alguns detalhes que até nem faziam grande sentido. Ah, e depois de estar «resolvido» havia ainda todo um episódio duma hora para acabar a série. Que faltaria contar?
Não gostei tanto dos últimos episódios. Não acho que estejam ao nível dos primeiros. Mas não estragou. De forma alguma. Viu-se muito bem. Estes projectos são bons de consumir. Bons elencos, com muito talento, desde gerações mais velhas às mais novas. Diálogos porreiros. Cenas que parecem bastante «reais». Boas interacções e sempre com algumas narrativas parelelas interessantes. Não me interpretem mal. Venham mais destas. Estou cá para ver.
Tuesday, August 16, 2022
despachada: The Mick
A segunda temporada é bem boa. Depois de terem consolidado a premissa inicial, a história seguia a bom vapor, com episódios (isolados, sim, como costumam ser estas coisas) estruturados e com boas «aventuras». Não havia propriamente desenvolvimento, seja de história ou dos personagens, mas metiam-se em confusões divertidas. Faziam rir. Não é esse o objectivo?
Porque raio foi esta série cancelada? Tem demasiado de It's Always Sunny in Philadelphia? Isso é mau? Não sei. É uma pergunta genuína. Nunca vi Philadelphia, mas fiquei com vontade de ver, porque ela é hilariante. Assim como o companheiro de aventuras, a Alba ou os miúdos. Quase todos os miúdos. A irmã mais velha seria o elo mais fraco.
Não percebo que se passa em Hollywood TVland. Há fios trocados, por certo.
Sunday, July 31, 2022
filme do mês: Julho '22
Lembro-me que em Portugal, especialmente na cidade onde vivia, o Verão era um marasmo em termos de filmes. O cinema fechava. O video-clube não recebia nada novo. Fazia sentido. Não havia ninguém na cidade. Tinha tudo escapulido para qualquer uma das praias.
As coisas estão muito diferentes. Não só porque falo duma realidade com 30 anos, mas porque o COVID veio baralhar muito as contas. Eu lembro-me perfeitamente de querer ver filmes no Verão. Nos tempos mortos. Quando está demasiado calor para fazer o que seja. Quando estamos na cama e não dá para dormir ainda, tamanha é a excitação de estar de férias ou, novamente, o calor. Quem me dera, enquanto miúdo, ter um telemóvel com um serviço de streaming. Teria mamado filmes como se não houvesse amanhã. Claro está que, para isso, também é preciso saírem filmes nesses tais respectivos serviços de streaming. E eu sinto que não há grande coisa a sair. Porquê?
Bem, chega de choraminguices. Vi poucos filmes. O número total não é mau, mas convém ter presente que revi filmes MCU em preparação para o novo Thor, e foram ainda quatro Twilights. Só aqui estão oito filmes, num total de 21. De resto vi uns quantos pequenos, que são as únicas coisas a sair. «Independentes», suponho que lhes possamos chamar. Logo, não há grande coisa a destacar. Quer dizer, com amigos, para o gozo, os Twilight são óptimos, mas é apenas para essa situação específica.
Bem, este mês destaco Hello, Goodbye and Everything In Between, Gatlopp, e Ali & Ava. O destaque maior vai para Cha Cha Real Smooth, que apresentou-me um realizador novo, definitivamente para seguir.
As coisas estão muito diferentes. Não só porque falo duma realidade com 30 anos, mas porque o COVID veio baralhar muito as contas. Eu lembro-me perfeitamente de querer ver filmes no Verão. Nos tempos mortos. Quando está demasiado calor para fazer o que seja. Quando estamos na cama e não dá para dormir ainda, tamanha é a excitação de estar de férias ou, novamente, o calor. Quem me dera, enquanto miúdo, ter um telemóvel com um serviço de streaming. Teria mamado filmes como se não houvesse amanhã. Claro está que, para isso, também é preciso saírem filmes nesses tais respectivos serviços de streaming. E eu sinto que não há grande coisa a sair. Porquê?
Bem, chega de choraminguices. Vi poucos filmes. O número total não é mau, mas convém ter presente que revi filmes MCU em preparação para o novo Thor, e foram ainda quatro Twilights. Só aqui estão oito filmes, num total de 21. De resto vi uns quantos pequenos, que são as únicas coisas a sair. «Independentes», suponho que lhes possamos chamar. Logo, não há grande coisa a destacar. Quer dizer, com amigos, para o gozo, os Twilight são óptimos, mas é apenas para essa situação específica.
Bem, este mês destaco Hello, Goodbye and Everything In Between, Gatlopp, e Ali & Ava. O destaque maior vai para Cha Cha Real Smooth, que apresentou-me um realizador novo, definitivamente para seguir.
despachada: Friday Night Lights
- Mr. Street, do you think God loves football?
- Everybody loves football.
Isto é que foi um despachanço à séria. A série tem alguns anos. Estou para a ver desde que saiu. Mas quando comecei, foi d'enfiada. Acho que em menos duma semana. Cinco temporadas. 76 episódios de 40 minutos. 50.000 vezes que ouvi «Tim Riggins». Algumas só «Tim» e outras só «Riggins». Embora umas poucas destas fossem para o irmão. Mas quase sempre «Tim Riggins». Como se impõe, tendo em conta.
Muito há para explanar sobre FNL. Não vou falar de tudo, mas admito que foi uma série que deu-me gozo ver e embaçar. Eu que tenho andado constantemente a dizer que binging não é uma boa forma de ver uma série, com FNL binging foi a forma perfeita. Agora, se é ou não uma boa série. Eu diria que não. É uma série muito, mas muito «estado-unidense». Basta ver o diálogo acima, tido durante uma visita a uma escola, por parte da equipa de futebol do secundário(!), entre um miúdo pequeno e a estrela da equipa, o quarterback (claro!). A pergunta foi feita mesmo antes de começarem uma oração em conjunto. Depois disso há os tradicionais episódios, que resolvem em 40 minutos os problemas de: racismo; violência no seio familiar; bullying; drive by shootings; pro choice / pro life; vício de drogas; etc. Tudo na tradicional maneira de tornar a série relevante, aos olhos do espectador.
Não se fala em alcoolismo, atenção. E não vemos drogas pesadas de forma flagrante. Há uma mãe drogada, que fica bem com uma ida a um centro de reabilitação, entre episódios. E apenas um adolescente «viciado» em erva, mas que o fazia noutro estado. Para além de que nunca vemos casos sérios de violência doméstica. Ou tiroteios em lado algum, apesar de vários adolescentes terem acesso a armas. E sim, a coisa é muito mais virada para pro life do que a outra opção. Porque não vemos nada disto? Porque não são assuntos abordados na série? Porque isto é Texas! E no Texas não há nada desses problemas que os estados liberais têm. No Texas toda a gente bebe, mas ninguém é viciado ou tem problemas com o álcool. Ninguém bate na mulher quando a equipa perde. Não há acidentes de carro. Não há tiroteios nas escolas. E não há nunca miúdos a fumar ganzas. Tudo muito másculo, sério, familiar e wholesome.
Texas, y'all!
Sobre o «futebol» em si, o assunto cedo deixa de ser relevante. Na primeira temporada quase que há um jogo por episódio, com todas as preocupações e problemas que daí advêm. Mas depois disso é muito mais o drama individual e colectivo à volta do futebol. E quanto mais avançamos nas temporadas, mais «à volta» se tornam. Convenhamos que, apesar de todo o alarido que esta gente faz sobre o desporto, são apenas dez jogos por época, mais a possibilidade de três ou quatro com os playoffs. Em cerca de cinco meses, entre Agosto e Dezembro. É ridículo. E este foi o meu primeiro pensamento, que é um problema enorme nos EUA, muito discutido por lá. As escolas públicas têm dificuldades gigantes de orçamento, mas aqui temos um programa desportivo com staffs e equipas numerosas, que trabalha apenas metade do ano lectivo, para muitos poucos jogos. De onde vem o dinheiro para uma coisa destas? É absurdo pensar nisto sequer.
Não vos maço mais com esta série. Que não é para todos. E que simplemente não recomendo, a não ser que se procure um guilty pleasure. Termino falando sobre o elenco. Muita gente aqui tornou-se bem conhecido e tem óptimas carreiras, hoje em dia. Fico particulamente contente que o meu «pedido», ao ver o filme que deu origem a esta série, foi satisfeito, e a personagem da Connie Britton teve aqui o destaque e relevância que a actriz merecia. Há apenas um problema sobre o elenco, uma embirrância, que é comum a muitos outros filmes e séries que passam-se em liceus: havia algum actor que fosse efectivamente adolescente durante as filmagens desta série?
Clear eyes, full hearts...
Thursday, July 21, 2022
despachada: Boo, Bitch
Para quando um projecto em que não és uma adolescente no liceu, Lana?
Isto é injusto. A moça já fez algumas outras coisas. Não muitas, mas algumas coisitas. Claro que não se deve morder a mão que dá de comer. Começou como estudante na escola mais conhecida de todo o universo Marvel. Tornou-se famosa com um conjunto de filmes (que nunca se vai perceber como tornaram-se uma trilogia) sobre amores e desamores de secundário. Passou ainda por outro liceu de super-heróis e aqui está num com coisas paranormais. Dou-lhe crédito que procurou sempre algo mais, para além dos problemas comuns de adolescência. Confesso que tenho pena do seu primeiro papel não ter desenvolvido mais. Ela era perfeita como Jubilee. Poderão sempre fazer um filme com ela mais velha, ao estilo Logan. Ora aqui está uma ideia vencedora.
Acho piada a Lana Condor. Acho-a divertida. Mesmo quando é séria, o que não aconteceu muitas vezes, é verdade. Acho que tem talento e pode ir longe. Não sei até que ponto Boo, Bitch é um passo em qualquer direcção, numa carreira de actriz. Não foi mau de se ver. A verdade é essa. Às tantas irrita um bocadinho o quão «norte-americano adolescente» toda a história é, mas o mistério principal foi interessante. Mesmo quando achava que sabia o que se estava a passar, mesmo assim conseguiram acrescentar bem alguns detalhes a manter a confusão. Até ao fim estive agarrado, para tentar perceber como é que a moça tinha morrido, mas mesmo assim continuava a andar por aí, a urinar demasiadas vezes para um cadáver.
São oito episódios curtos duma mini-série fechada, com talento e alguma boa história. Não custa nada ver.
Wednesday, July 13, 2022
despachada: Ms. Marvel
Ms. Marvel foi tudo aquilo que estava à espera. É bom sinal. Não conheço tudo da BD. Li o início e fui um pouco mais depois disso. Não continuei porque não é escrito para mim. O público alvo é mais novo que eu. Sem problemas. Sem complexos. Não me sinto velho. Não é sinal algum de falta de qualidade. Antes pelo contrário. Ms. Marvel, a BD, tem muito mais qualidade do que as que li em miúdo, das que eram susposto ser para a minha idade. Há coisas que são feitas para públicos específicos. E também não quer dizer que não consiga disfrutar agora. Continua a ter detalhes bem divertidos, mesmo para um velhote como eu.
O mesmo para a série. Foi divertido de se ver. Especialmente a primeira metade. Foi tudo muito bem pensado e cheio de pormenores deliciosos, que até obrigam a segunda ou terceira visualização. A segunda metade não foi tão bem conseguida. O final é apressado e algo aos tropeções. Dou e deve ser dado o desconto. Tiveram bastantes problemas de produção à custa de COVID. Depois haverá ainda algumas coisas que não funcionam na máquina Marvel/Disney+, na produção das séries, mas quero acreditar que são problemas de crescimento abrupto. Reforço: ninguém estava à espera que as séries tivessem a evolução que tiveram. Foi circunstancial e porque o negócio às vezes evolui para onde menos se espera. Tudo normal e espero que rectifiquem num futuro próximo.
Voltando à série, independentemente do final, a personagem é óptima e será bom vê-la nos próximos «episódios». A acção foi porreira. Incluíram uma data de coisas culturais que foram fixes de aprender. Os Belgas a cargo da coisa estiveram muito bem, pelo que até tenho um pouco de orgulho nacional adoptado extra à mistura. A acção foi interessante, com óptimos efeitos. Tiveram um pormenor «chocante» no final final, que não sei se posso referir ou não. Já o vi em todo o lado. Aliás, soube na net antes de ver o episódio, em boa verdade. Mas vá, fica para descobrir a quem quiser aventurar-se.
Agora... A próxima cena Marvel é só... Em meados de Agosto! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO!!!
Friday, July 8, 2022
despachada: Pistol
Se me dissessem que ia ver uma série da história dos Sex Pistols, acharia mentira. Acontece que Pistol tem um par de actores interessantes e, acima de tudo, é realizado por Danny Boyle. E aqui está o factor diferenciador.
Sim, continua a ser uma fórmula batida de biografias, especialmente sobre músicos/bandas. Tem todos os problemas de drogas e violência, chavões do género. Para além da típica história de amor que não leva a lado nenhum, porque um (ou ambos) têm os seus próprios problemas e não conseguem comprometer-se a uma relação monógama. Parvoíce, bem sei. É mais uma história do Ícaro, com os artistas a serem magníficos e chegarem perto do Sol, apenas para queimarem-se e virem por aí abaixo bater com o focinho na Terra.
Mas está bem realizado.
Há pormenores de realização que dão o kick necessário à história, para manter-nos interessados. O elenco é, efectivamente, bom. E depois a história destes palermas não é desprovida de interesse. Para além de que sim, são uma das maiores - senão a maior - referência dentro do género punk. Quem nunca andou aos «moches» ao som de Anarchy in the U.K.?
Wednesday, July 6, 2022
despachada: Me and Mrs Jones
Eu avisei que ia ver mais séries com esta moça. Só que, desta feita serei polémico.
Se se percebe porque a trintona poderá ter interesse num rapaz charmoso e interessante, não há grande justificação para o rapaz apaixonar-se por ela. Para além de ser uma mulher atraente. Faça-se notar que tenho plena consciência que nunca foi preciso muito mais, para personagens de ficção apaixonarem-se. E o mesmo passa-se demasiado na vida real. Mesmo assim. Uma coisa é atracção física ou o interesse duma relação supostamente mal vista pela sociedade. O proibido é sempre mais apelativo. Contudo, para haver amor é preciso algo mais. Ela é doce e querida, genericamente. Parece ser boa pessoa. Ele também o é, tem boa ligação com as filhas dela (para além de ser o melhor amigo do filho dela), é bom falante e talentoso. Dá para ver o desiquilíbrio, certo? Para além de que não têm nada em comum, salvo a forte ligação ao filho.
Me and Mrs Jones terá sido cancelado. Apenas tem uma temporada, de seis episódios, e acaba num cliffhanger. Percebe-se. Por muito que pareça uma coisa super divertida nesta imagem acima, não era uma série muito cómica. Divertida qb, sim, mas nada de risadas. Se vi tão rapidamente é porque: 1) é curta; 2) coincidiu ter um tipo bem fixe do Umbrella Academy, série cuja última temporada acabei de ver há pouco.
Tuesday, July 5, 2022
despachada: The Flash
Não, não foi cancelada. Não, não terminou ainda. Foi renovada e não tem fim à vista. Eu é que não consigo ver mais. Esta última temporada de Flash foi um sofrimento. O último episódio saiu há quase uma semana e forcei-me a vê-lo. Como todos os outros episódios, aliás. Está mau demais. Estragaram tudo.
O Arrowverse foi um grande projecto. Teve momentos óptimos. Eu cheguei a ter anos em que guardava tudo, todas as quatro séries, todos os episódios, e via de enfiada. Mais de 90 episódios vistos num par de semanas. Algumas vezes em menos tempo. E era bom. Fazia estes embaços com gosto. Tudo fazia sentido (dentro do género) e em momentos estavam todas ligadas. Acima de tudo, era possível seguir as story arcs, fossem da temporada ou de parte desta. Hoje em dia...
Eu percebo, foi demasiado tempo. Não havia mais para contar sem destruir o status quo. Houve conflito até haver harmonia. Agora é complicado fazer mais. E foi a ganância. Foi continuar com o que funcionava, com o que dá dinheiro. Só que o resultado final foi só triste. Foi sair dum bom projecto tornando-o péssimo. Há ainda factores externos a complicar. A CW está em venda, por isso ninguém quer investir recursos numa coisa que não terá muito mais para dar. Como tal terão maus argumentistas, imagino. Ainda hoje vi na net uma tipa a dizer que foi escritora dum episódio de Flash, sobre a speed force, mas que, até hoje, não tinha ideia do que era a speed force. É exemplificativo da parvoíce que tornou-se esta série.
Começou como algo divertido, emocionante, com personagens porreiros e um feel mais de banda desenhada do que é normal nestas séries. Acabou como uma idiotice sem qualquer originalidade, a repescar os mesmos vilões ou personagens do passado, sem piada alguma, sem consequências de maior. Personagens «morriam» só para voltar no mesmo episódio. Todos os personagens passavam de bons para maus da fita, e vice versa, sem qualquer justificação para tal. Não se sabe quem são os vilões, os heróis, ou qual o objectivos de qualquer um deles. Acontecem «coisas». Que coisas? Ninguém sabe. Não tinha nada. Rigorosamente nada.
É horrível terminar assim. A relação de muitos anos com um universo que deu-me muito, mas que deixou um travo tão amargo na boca. Em certo momento o Arrowverse foi um exemplo de como fazer boas adaptações televisivas de histórias de banda desenhada. Acabou por ser um exemplo de tudo o que não deve ser feito. E tenho pena que assim seja.
Obrigado mas adeus, que já vais tarde.
Friday, July 1, 2022
despachada: Marley's Ghosts
Em miúdo tive uma pequena panca pela Sarah Alexander. Tudo por causa do Coupling. Como não ter? A moça é bonita e engraçada, sendo ligeiramente mais velha que a minha pessoa. E não sei se já referi o Coupling, uma das minhas séries britânicas preferidas. Anos mais tarde vi-a ainda em duas outras boas séries: Green Wing e Smack the Pony. A última de sketches, com alguns que, só de pensar neles, ainda fazem-me rir.
Bons velhos tempos da SIC Radical...
Bem que a moça tentou dar o salto para Hollywood, mas não conseguiu. Eu deixei de ver tanta Bricom e afins (erro crasso, que tenho procurado corrigir nos últimos tempos), pelo que perdi-lhe um pouco o rasto. Há uns tempos lembrei-me dela, já não sei porquê, e IMDbei-a. Descobri este Marley's Ghosts, que tinha ainda o tipo fixe do Quatro Casamentos e um Funeral e do Sliding Doors.
Não sendo brilhante (está longe de ser o melhor trabalho de Alexander), tem algumas coisas engraçadas. Claramente não sabiam qual a direcção da série já que a primeira temporada tem apenas três episódios - sendo o último o melhor de toda a série e está uns bons níveis acima dos restantes, já agora - e no início da segunda temporada a personagem está a mudar-se para uma casa nova (em nada diferente da anterior), para além de ter uma irmã e uma sobrinha, não antes referidas.
Valeu para matar saudades da moça. E isto não fica por aqui, pois no futuro conto investir mais um pouco de tempo noutros projectos seus.
Thursday, June 30, 2022
filme do mês: Junho '22
Junho, mês de fim da Primavera (que tende a não ser muito minha amiga) e doutras coisas. Início de... Bem, de nada! Do Verão, sim, mas este vai ser comedido. Não acredito que, no futuro, haverá grandes referências ao Verão de '22. Tirando filmes, claro!
Procuremos simplificar estas minhas referências mensais em duas categorias:
- bons revisionamentos (People Places Things, How do You Know, The Greatest, Choke);
- bons novos visionamentos, seja por que motivo for (Fire Island, Hustle, Beavis and Butt-Head Do the Universe, Good Luck to You, Leo Grande).
E como destaque maior deveria ser Rogue One, mas não quero tornar óbvia a minha presente obsessão com Star Wars, pelo que a escolha deste mês recai sobre The Unbearable Weight of Massive Talent, um filme bem fixolas.
Procuremos simplificar estas minhas referências mensais em duas categorias:
- bons revisionamentos (People Places Things, How do You Know, The Greatest, Choke);
- bons novos visionamentos, seja por que motivo for (Fire Island, Hustle, Beavis and Butt-Head Do the Universe, Good Luck to You, Leo Grande).
E como destaque maior deveria ser Rogue One, mas não quero tornar óbvia a minha presente obsessão com Star Wars, pelo que a escolha deste mês recai sobre The Unbearable Weight of Massive Talent, um filme bem fixolas.
Wednesday, June 29, 2022
despachada: Y: The Last Man
Veio tarde e a más horas.
Gostei e continuo a gostar bastante da BD, na qual esta série baseou-se. Reli há pouco tempo, precisamente em preparação para a série. Apesar de estar algo datada e ter o problema de ser uma história cheia de mulheres, escrita por um homem, continua a ter pormenores muito bons.
Yorick é o «último homem na Terra». Vaughan pegou nesta velha máxima, com que alguns homens sonham e que muitas mulheres usam para acabar com quaisquer expectativas, para criar uma história dum universo pós-apocalíptico, em que, certo dia, todos os homens morrem. Quase todos. Como lidar com uma situação tão extrema, em que metade da população deixa de existir? Quando foi escrito a realidade é que havia muitas profissões feitas maioritariamente por homens. Eu sei. É uma frase controversa de se dizer, hoje em dia. Era um facto em algumas áreas. A verdade é essa. Por exemplo pilotos de aviões. Maior parte eram homens. E uma das coisas trágicas que aconteceram, no fatídico dia, foi que muitos aviões, com demasiadas pessoas a bordo, despenharam. Fosse onde fosse. Sobre cidades ou sobre o mar. Tendo em conta o número de aviões no ar que existem hoje em dia, isto é uma noção aterradora só por si.
Os dias seguintes... Não consigo conceber. Entre ter de lidar com os milhões de cadáveres, o luto, a tristeza, o choque, e o ter de continuar com certas coisas, em esforço e sem conhecimento, como é possível continuar? De repente é preciso fazer manutenção de centrais nucleares e eléctricas, é preciso transportar materiais necessários, manter supermercados e outros estabelecimentos abertos, entre tantas outras coisas que damos como garantidas. Não é a questão de serem coisas que só homens sabem fazer. Uma mulher pode fazer tudo o que um homem faz. Que fique bem claro. Não é isso. Imaginemos qualquer local de trabalho, onde há trabalho para dez pessoas. Mesmo que seja um local com sete mulheres e três homens. De repente há trabalho de dez para sete, que tem de ser feito. E essas sete mulheres estão a lidar com a perda drástica dos respectivos maridos, filhos, netos, sobrinhos, amigos, enteados, pais, avôs...
Sobre a série, creio que teve um azar tremendo com o timing. Primeiro porque já não faz sentido uma ideia em que se, de repente, os homens desaparecerem, as mulheres entram em pânico e só fazem m€rd@. Todas são mais que capazes de manter e continuar com a sociedade.
A mim, por exemplo, fez confusão a falta de comida. Há mulheres para transportar a comida em camiões, camionetas ou carros. Há mulheres com quintas, com empresas de produção alimentar. Há bancárias e informáticas para manter a parte dos pagamentos a funcionar. Nem que seja temporariamente, em estado de emergência. E se há comida, mesmo que rés vés, para homens e mulheres, então tem de haver comida para metade da população por algum tempo. Ainda há pouco tempo vi um vídeo em que um fazendeiro explicava que tinha um silo cheio de cebolas, que davam para o ano todo. Agora, cebolas apenas não chega para alimentar alguém durante muito tempo, mas como este exemplo haverá outros.
Segundo, o COVID lixou o sucesso que a série pudesse ter. Era um assunto demasiado próximo do que estávamos a viver. Caos numa sociedade. Quando estreou foi uma história demasiado próxima da realidade e o pessoal acusou o toque. Ainda devido ao adiamento da produção, os contratos com os actores entretanto terminavam e ficou caro demais renovar, tão cedo, com uma temporada que mal tinha saído e não tinha garantias de sucesso.
Por fim, sinto que houve alterações que pouco sentido fizeram, face à BD. É uma opinião apenas, mas a verdade é que demorámos a ter personagens por quem estivessemos a torcer. Quase todos eram irritantes ou idiotas, e uma crise a escala mundial não justificou todos os comportamentos ou decisões. Mais, quiseram manter a típica narrativa norte-americana, de ter episódios de encher e só ter verdadeira emoção ou conflito, em poucos momentos. O final é interessanto, por exemplo, mas demoraram demasiado tempo a chegar ali. O primeiro episódio agarra porque tem a grande cena a acontecer, mas depois disso são demasiados episódios morosos.
Foi pena. Fiquei excitado com a potencial da série, quando foi anunciada. Talvez estivesse fadada ao insucesso. Mais que uma sociedade sem homens. Teve azar com a pandemia no mundo real. Mesmo assim a execução deixou algo a desejar.
Wednesday, June 22, 2022
despachada: Obi-Wan Kenobi
Que coisa mai rica e bela! Obi-Wan foi uma belíssima montanha-russa de emoções. Tanto antes, como durante.
Quando Rogue One foi um sucesso, planos cedo surgiram para mais filmes do género, incluindo Han Solo, Boba Fett e, claro, para um dos maiores Jedi de sempre, o nosso velho Ben Kenobi. Solo lixou tudo e os demais projectos foram cancelados. Mas... Felizmente Mandalorian provou que séries Star War na Disney+ podem ter bastante sucesso (o baby Yoda provou isso, na verdade) e Boba e Kenobi voltaram a entrar na linha de montagem da Disney, desta feita em formato «vamos torturar os espectadores com apenas um episódio por semana».
Foi uma tortura maravilhosa. Para mim. Não quero saber dos críticos. Nem dos que dizem que não acrescenta nada, nem dos que decidiram simplesmente criticar a série porque tem uma personagem principal feminina e negra. P#t@ que os pariu para os últimos. Os primeiros até posso respeitar a opinião, mas não concordo. Eu quero ver que aconteceu entre os Episódios III e IV. Até porque McGregor como Obi-Wan foi uma das coisas geniais das prequelas.
Vou abordar as prequelas? Meh, porque não?
Fenómeno estranho este, de filmes criticados pelos adultos que os viram então, e louvados pelos adultos de agora, que os viram em miúdos. Faz todo o sentido, atenção. Deu-se agora para as prequelas e para os filmes do Spider-Man de Raimi. Eu vi-os com algum desdém, admito. Mas para os miúdos de então foram filmes incríveis. Já tinha acontecido o mesmo com o Episódio VI. Os adultos que adoraram o IV e o V odiaram os Ewoks, assim que os viram. Porque eram criaturas infantis, que baixavam o nível dum filme sério de ficção científica. Eu adorei os Ewoks. Para mim, enquanto puto, eram espectaculares. Por causa dessa percepção inicial ainda os adoro, claro.
É isso que nos falta. É difícil, bem sei. Mas convém ver estas coisas com um pouco mais de olhar de criança. De forma inocente. Com alegria por estarmos a ver um pouco mais de algo que nos é especial. Adorei ver Obi-Wan Kenobi. A surpresa de ver coisas novas a acontecer. O medo que estas coisas viessem a estragar o que sabia vir a seguir. Mesmo sabendo, racionalmente, que esta malta não criaria plot holes tão grandes, sem mais nem menos. As batalhas entre Kenobi e Vader... Repetindo-me: que coisa mai rica e bela!
A m€rd@ agora é que não tenho muito mais de Star Wars para ver. Estou a ver a primeira temporada de Visions, mas será coisa curtinha e é a última que tinha para ver. Tenho de esperar por coisas novas...
Já estou com comichões e tremuras. Sinto que falta pouco para ver o bebé a andar no tecto. :\
Sunday, June 19, 2022
despachada: Landscappers
Não quero dizer mal, por respeito ao elenco principal, mas não consegui gostar muito desta mini-série. Nunca conseguiu agarrar-me, apesar de que mérito deva ser dado à forma como a história foi contada.
A «história» (ou talvez deva dizer-se «narração dos factos») foi contada de forma interessante. Muitos dos flashbacks são apresentados de forma criativa, com muita alusão à fantasia que passava pela cabeça dos dois personagens principais. Na realidade, o casal matou os pais dela e enterrou os corpos no jardim das traseiras. Daí o curioso nome da mini-série. Só foram apanhados, mais duma dezena de anos depois do crime, porque ficaram sem dinheiro e voltaram a Inglaterra. Queimaram cerca de 300 mil libras entre homicídio e captura. O que é fácil e precisa de algum esforço, ao mesmo tempo. É isto. Não é elaborado por aí além, por muito que prove, uma vez mais, que a realidade será sempre superior à ficção. Como é que os criadores tentaram tornar a coisa especial? Fazendo com que a mini-série vivesse na ilusão que o casal tinha na cabeça, na dúvida que procuraram criar. Até aos dias de hoje ambos apelam ser inocentes. Apesar de terem confessado. Mesmo assim têm convicção absoluta que não cometeram qualquer crime. Que foram obrigados, por força das circunstâncias, a matar os velhotes.
É uma bela ilusão. E muito bem foi apresentada. Não foi suficiente para mim, mas estou certo que não estarei na maioria, ou sequer com grande razão do meu lado.
Saturday, June 18, 2022
despachada: The Loudest Voice
Impressionante a atenção que foi dada ao palerma que criou a Fox News, entre outras «atrocidades» que fez. Se em Bombshell o ênfase foi dado às questões de assédio sexual no trabalho, aqui expande-se para o clima hostil que criava no trabalho (não só o assédio), mas também é-lhe dado crédito pela criação do canal «noticioso» e pela eleição de Trump. Agora, se esse crédito, dado pela série, é positivo ou negativo, ainda não consegui perceber.
Ailes era uma besta. Que não restem dúvidas. Agora, para quem foi feito o filme e esta série? Malta «de esquerda» sabe disso há tempo. Não precisa de objectos de ficção para perceber que era uma criatura vil, que muito mal fez a pessoas e à sociedade estado-unidense. Basta uma pequena pesquisa na Internet. Já a malta «de direita»... Os com olhos na cara também o sabem. Muitos não o suportavam, naturalmente. Os seguidores, os «cegos», esses não vão ver estas coisas e, mesmo que vissem, simplesmente diriam que são «fake news».
Logo, servirá o propósito de demonizar a criatura? Não era já claro? Não serve antes um outro propósito? De mostrar que, com pulso firme, o c@br@0 conseguiu criar um enorme canal de desinformação e pôr numa posição de poder um idiota, para além de mostrar como safou-se a cometer crimes contra as pessoas à volta, durante demasiado tempo. Fico na dúvida.
Tuesday, June 14, 2022
despachada: Roadkill
Sinto-me dividido.
Por um lado este tipo quer fazer mudanças. Quer ter poder para tomar decisões e, quiçá, melhorar as coisas para as pessoas. Para as que precisam. Não só os ricos. Por outro lado... É um tubarão. Sempre a nadar. Sempre a seguir em frente, com todo o lodo à volta. Não me refiro à política em geral, mas ao «lodo» que criou. Porque apesar de ter algumas boas intenções, não deixa de ser um político, a usar tudo à sua volta para atingir objectivos, para sobreviver. À custa doutros. Porque é um ser humano, com um passado repleto de erros e de abusos das pessoas mais próximas. Em especial a família, que é usada para dar-lhe um ar sério e responsável. Algo que nem sempre é a verdade.
Os fins justificam os meios? O bem de muitos é mais importante que o de alguns? É complicado. E o House faz um belo papel, para não variar, a confundir-nos.
Tuesday, June 7, 2022
despachada: M.O.D.O.K.
Percebo o que a malta do Bad Robot tentou fazer. É a mesma loucura que implementam no Robot Chicken, tendo um universo Marvel inteiro para brincar. E sim, é divertido, mas não leva a lado nenhum. Nada será canon, embora não seja isso o mais importante. Só refiro porque é algo que maior parte das pessoas comuns procura, hoje em dia. Sem estes, dificilmente conseguiria atingir níveis elevados de audiências. Mais, parece-me que chegou tarde ao Disney+. Foi produto Hulu e por demasiado tempo ficou por lá.
Tenho pena que parta, mas a verdade é que rapidadamente vou esquecer que existiu. Por muito que Oswalt tenha feito uma óptima interpretação da máquina mortífera que é M.O.D.O.K.
Sunday, June 5, 2022
despachada: Killing Eve
Cheguei a Killing Eve através de Phoebe Waller-Bridge, de quem verei tudo o que fizer, daqui até à eternidade. Saio daqui a ter de seguir mais uma pessoa. Porque Jodie Comer faz um papelão!
Não é exagero. É daquelas referências para agora e para muito tempo. Daqui a 50 anos alguém vai andar a fazer listas várias e a meter esta interpretação em todas. É uma personagem, daquelas que aparecem uma vez por década. Ou até mais tempo. Tudo tem o seu requinte de malvadez e é absolutamente delicioso. É uma vilã, atenção. Villanelle é uma psicopata atroz, sem qualquer respeito pelo ser humano. Sádica até à quinta casa e só tem prazer com o sofrimento do próximo. Não dá importância a nada que uma pessoa «normal» dá. Psicopata, sim. Já o tinha dito. Só que... Epá, é difícil não achar-lhe piada. Porque tem piada. Muita. É mordaz, inteligente, sensual, infantil, ingénua, sagaz... Tudo e mais um par de botas, ao mesmo tempo. É uma magnífica interpretação, que faz sombra a outras, dentro da mesma série. Porque Oh faz um óptimo papel, Shaw idem, e Bodnia é maravilhoso. Têm mérito só por si, mas brilham mais por estar ao pé de Comer.
Já a série é muito boa Também. Em especial para ver de seguida. Porque eu, o comum espectador que seguiu a coisa à medida que ia saindo (mais ou menos), tive dois problemas. Primeiro, sofreu da questão que aflige maior parte das séries norte-americanas: durou demasiado tempo. Não é muito, mas Killing Eve tem uma temporada a mais. Por aí. Não é nenhuma delas em concreto. É só uma questão de tempo. Algo que não foi favorecido pelo facto de que houve demasiado dele entre temporadas. Este foi um o segundo problema. Passaram-se horrores entre temporadas. Porque é preciso aprimorar os guiões, claro. Porque a produção implicava andar em vários países (algo ainda mais difícil em tempos de COVID). Porque as estrelas (em especial Comer) têm agendas tramadas. Eu sei tudo isso e não recrimino ninguém. Só que esqueci-me de metade do que aconteceu. Foi fixe. Marcou. Mas foi há anos.
Esta é a grande diferença entre ver séries como antigamente, em canal aberto, a passar numa temporada normal, entre setembro e maio; e as séries para streaming ou, neste caso, para um canal britânico. Quando temos a pausa de Verão entre maio e setembro, não é assim tanto. Dá para ter presente o que aconteceu na temporada anterior, antes de começar a nova. Agora, quando passa um ano(!) entre temporadas... Sei lá eu que aconteceu antes! Uma pessoa perde-se entre as milhentas histórias que vê entretanto.
É tramado. Ou melhor, é «tramado». Convenhamos que há milhentas coisas piores no mundo. O espectador tem de tomar uma decisão. Ou vai vendo e tendo o envolvimento da net, com os factos extra e as teorias (eu acho piada, percebo quem não ache) ou espera que a série termine, para ver tudo de enfiada. É uma decisão complicada. Porque sabe-se lá quando termina uma série. Se for feita à «americana» pode nunca mais acabar. Ou, pior, arrastar-se até um ponto que deixa de ter interesse. Sim, estou a olhar para vocês, Prison Breaks, Dexters e Losts desta vida.
Killing Eve terminou. Independentemente destas questões de somenos, gostei muito de ver. E recomendo vivamente que outros vejam também.
Thursday, June 2, 2022
despachada: Star Wars: Resistence
They can't all be winners. Resistence está longe de ser mau, mas não chega aos calcanhares de Clone Wars ou Rebels.
Resistence é o que achava que seriam todas as séries de animação de Star Wars. Coisas para miúdos. Cenas fofinhas, com demasiados momentos humorosos. Sim, com stormtroopers e outros vilões a aparecerem, mas com os personagens principais a safarem-se sempre, maior parte das vezes de forma até algo absurda. Aqui, o nosso herói, Kaz, é um taranta que tropeça em problemas e em soluções. Vá-se lá saber como cai do lado da Resistência, acabando por ajudar com coração, coragem e talento de piloto. É aquele aproximar entre fantasia e público, aludindo a que qualquer um de nós (crianças, entenda-se) pode fazer parte dos bons da fita.
Enquanto que nas outras duas séries acontecem coisas de grande impacto nos filmes e no franchise, dificilmente dará para sacar muito mais que um cameo destes personagens em aventuras live action. Reforço: é uma série de animação divertida, dentro do universo Star Wars. Só não será assim tão importante de ver, face a tudo o resto.
Tuesday, May 31, 2022
filme do mês: Maio '22
Para mim, 20 filmes vistos por mês é uma óptima média. Mas não foi fácil chegar a este número. Por óptimos motivos, dado que tive o prazer de contar com a presença dum bom amigo aqui em casa, durante uns dias. E também porque meti na cabeça que este mês só ia ver filmes recentes. Nada de revisionamentos ou repescar coisas antigas que não vi então.
Por nada! Foi daquelas parvoíces que meto na cabeça. É sempre bom ter objectivos, mas como eu não faço questão de os ter, porque sei que maior parte das vezes (ou mesmo todas) vou falhar, agarro-me a coisa simples e fáceis. Ou melhor, «fáceis». Porque eu, nos últimos anos, tenho visto muita coisa. Não há assim tantos por ver. Que sejam decentes, claro. Há sempre a possibilidade de ver os 70 filmes que Willis pôs-se a fazer, antes de ser obrigado a retirar-se. E também porque o início do ano foi um marasmo, em termos de novos lançamentos. Os estúdios claramente guardaram-se para o Verão. Historicamente é sempre assim. O Inverno pós-Natal não tem muitas novidades há anos. Os números a isso ajudam. A malta começa a ir ao cinema com melhor tempo. Se está frio ficamos em casa, em frente à TV. Logo, o Verão é quando há o bolo grande. Mas sinto que nos anos pré-pandemia, apesar de tudo, iam saindo logo coisas grandes a partir de final de Março, ou Abril. Este ano foi mais notório que os estúdios não quiseram arriscar ter mais problemas com a pandemia, e só meteram o pé no acelerador este mês passado.
E realmente saiu muita coisa. Eu comecei logo a ver o que sairam. Decidi depois continuar a tendência até final do mês. Assim, vi coisas engraçadas, por um motivo ou outro, como Crush, Ambulance, Lost City, Senior Year, Chip 'n Dale: Rescue Rangers, Jackass 4.5 ou Marvelous and the Black Hole. O destaque maior vai para o filme que muito prometia, conseguindo cumprir em grande: Everything Everywhere All at Once.
Por nada! Foi daquelas parvoíces que meto na cabeça. É sempre bom ter objectivos, mas como eu não faço questão de os ter, porque sei que maior parte das vezes (ou mesmo todas) vou falhar, agarro-me a coisa simples e fáceis. Ou melhor, «fáceis». Porque eu, nos últimos anos, tenho visto muita coisa. Não há assim tantos por ver. Que sejam decentes, claro. Há sempre a possibilidade de ver os 70 filmes que Willis pôs-se a fazer, antes de ser obrigado a retirar-se. E também porque o início do ano foi um marasmo, em termos de novos lançamentos. Os estúdios claramente guardaram-se para o Verão. Historicamente é sempre assim. O Inverno pós-Natal não tem muitas novidades há anos. Os números a isso ajudam. A malta começa a ir ao cinema com melhor tempo. Se está frio ficamos em casa, em frente à TV. Logo, o Verão é quando há o bolo grande. Mas sinto que nos anos pré-pandemia, apesar de tudo, iam saindo logo coisas grandes a partir de final de Março, ou Abril. Este ano foi mais notório que os estúdios não quiseram arriscar ter mais problemas com a pandemia, e só meteram o pé no acelerador este mês passado.
E realmente saiu muita coisa. Eu comecei logo a ver o que sairam. Decidi depois continuar a tendência até final do mês. Assim, vi coisas engraçadas, por um motivo ou outro, como Crush, Ambulance, Lost City, Senior Year, Chip 'n Dale: Rescue Rangers, Jackass 4.5 ou Marvelous and the Black Hole. O destaque maior vai para o filme que muito prometia, conseguindo cumprir em grande: Everything Everywhere All at Once.
Tuesday, May 17, 2022
despachada: Pam & Tommy
Poder-se-ia pensar que é a história da sex tape mais famosa de sempre, e como esta mudou muita coisa no mundo. Também é, mas é muito mais uma história de amor, dum par perfeito um para o outro, que poderia ter sido muito feliz, não fosse o mundo ser um sítio nojento. É isso que fica, no final. Pam e Tommy gostavam tanto um do outro que, ao final de quatro dias, estavam casados. Poder-se-á dizer que foi impulsivo, mas o casal sabia o que queria e não tiveram receio de dar o passo. Essa é a parte mais complicada para maior parte de nós
Ambos estavam numa espécie de auge. O Tommy mais em final de carreira musical, é certo, mas ainda bem conhecido e com o capital para fazer o que lhe dava na telha. Pam sim, era a mega-estrela da altura, à custa duma série absurda que só naquele tempo poderia ter sucesso. A fórmula ainda existe e funciona, bem sei, mas quero acreditar que algo como Baywatch não teria hoje em dia o sucesso que teve então. Faça-se notar que não estou acima de ninguém. Também eu vi e apreciei a série por todos os mesmos motivos que os demais. Só não serei o único a sentir-me um pouco sujo por ter gostado tanto. Pelo menos espero não ser.
Nesta mini-série há alguma alusão que a sex tape destruiu, ou impediu a carreira de Pam de progredir. Talvez. Nos Estados Unidos terá tido impacto, por certo. Do meu ponto de vista, de alguém que vem dum país pequenino, onde as coisas chegavam com atraso e diluídas, e por muito que tenha sido dos poucos a tirar algum gozo do Barbwire, até eu consigo ver que a moça não era grande actriz. Tinha os seus méritos e louvo-lhe a coragem para enfrentar um mundo extremamente machista de... peito feito, salvo seja. Só que... Não quero ser maldoso. A moça sofreu a bom sofrer à custa da tape. Ela nunca foi grande actriz. A verdade é essa. Não há como contornar. A carreira teria sido diferente sem o escândalo? Sem dúvida alguma. Teria sido assim tão melhor? Teria tido papéis muito mais sérios ou estimulantes? Talvez, mas a probabilidade não era grande coisa.
Agora, que isto é um ponto marcante na história e que veio mudar muita coisa. Sim. Mil vezes sim. A partir daí mais sex tapes surgiram. E algumas até de propósito. Porque houve quem se tenha aproveitado desta «fama» para fazer alguma coisa. E houve ainda quem tenha tentado fazer o mesmo, sem grande sucesso. A sex tape passou a ser, para alguns, mais um artifício para chamar a atenção. E para o reles mortal, passou a ser mais uma forma de invadir a privacidade dos famosos, como se nos devessem alguma coisa, só porque aparecem na nossa televisão.
É um mundo sujo, este em que vivemos. Felizmente a série não passou tanto por isso, embora o tenha mostrado. Tentou passar uma mensagem mais positiva. E ainda bem.
Wednesday, May 4, 2022
despachada: Moon Knight
Moon Knight sempre foi publicitado como uma limited series. O próprio Oscar Isaac disse que não tinha um compromisso muito grande com a Marvel/Disney. Isaac, hoje em dia, goza de bastante estatuto em Hollywood e pode escolher o que fazer. Se fez Moon Knight foi porque quis. Mas preferiu não assinar o contrato usual, que maior parte dos outros assinam, em que o compromisso é por vários anos e/ou x número de projectos. Só que a série teve sucesso, pelos vistos. Nos últimos dias surgiram alguns rumores que haveria uma segunda temporada. É sempre possível. Assim como uma espécie de segunda temporada de WandaVision, por exemplo, ou de qualquer uma das outras. Se se proporcionar, se houver uma boa história para contar, ou se fizer sentido contar algo que faça parte do resto/todo, a Marvel Studios arranjará maneira de o fazer.
Esta metodologia poderá parecer estranha ao comum fã de filmes e/ou séries, mas é prática corrente em BD. Aliás, a BD eleva ainda mais a coisa. Qualquer personagem, mesmo que morto e enterrado por décadas, pode sempre voltar. Desde que haja uma boa história para contar. A única verdadeira limitação do MCU em fazer o mesmo é que, ao contrário da BD, na vida real os actores envelhecem. Mas a base de BD no MCU está lá. Tudo ligado, sem portas fechadas, ao sabor das oportunidades e das vontades.
Se acho que haverá segunda temporada de Moon Knight? Não, mas é possível. Se acho que o personagem aparecerá num qualquer filme? Bastante provável, até porque o Isaac é meio geek e gosta de aparecer nestas coisas. Se acho que será com Isaac? À partida, sim, mas eventualmente substituirão o actor. Tudo depende verdadeiramente do que o público exigir e do que Feige quiser fazer. Depois é só ter o monstro Disney a atirar dinheiro a qualquer problema que possa surgir.
Sobre a série em si, tem qualidade média alta, em comparação com as outras. É a mais distante de tudo o resto do MCU, pelos motivos acima descritos da situação contratual do actor. Se bem que o mesmo pode ser dito do personagem. Hoje em dia tem um pouco mais de interacção com os demais personagens (Avengers e afins), mas sempre foi bastante isolado. Até porque é considerado um herói mais «street level» e não «cósmico». Isaac faz um óptimo papel, mesmo que tenham havido críticas aos sotaques e línguas empregues na série. E houve detalhes bons, que ficam e têm potencial para dar mais ao Universo.
Ou seja, a moral da história é que é mais uma coisa para quem quer ver tudo, embora não seja preciso ver para acompanhar o resto. E é uma série que se vê bastante bem. São seis episódios, o equivalente a dois filmes grandes.
Monday, May 2, 2022
despachada: DC's Legends of Tomorrow
Já este cancelamento surpreendeu um bocadinho. Não muito, mas um bocadinho. O Arrowverse não é o que era. Longe disso. Houve um momento que as quatro estavam todas bastante bem, a mostrar que era possível fazer boas séries de super-heróis, mesmo com orçamentos infinitamente menores que filmes. Aliás, provaram que era possível criar um bom universo DC, algo que os filmes continuam a não conseguir fazer. E eram séries diveridas de se ver, que interagiam muito bem umas com as outras.
Legends começou um pouco perdida neste universo DC/Arrowverse, mas lá encontrou o seu espaço. Que, ainda por cima, foi um que gostei bastante. Legends era uma data de humor e tontices, misturada com a fantasia da BD. É o que quero sempre ver numa série que tem uma data de personagens secundários e consequências praticamente inexistentes, mesmo que o enredo envolva viagens no tempo e alteração de coisas no passado. O elenco era porreiro. A acção fixe. As histórias divertidas. Era a série do Arrowverse que ainda tolerava ver.
Vi Arrow e Supergirl até ao fim, mesmo que ambas estivessem a arrastar-se por um bom bocado. Continuo a ver Flash, embora esteja a passar pelo mesmo processo de «definhamento». Desisti de Superman & Lois e de Batwoman, porque nunca conseguiram chegar a um bom nível (a segunda, entretanto, foi cancelada também). Não deverei ver Black Lightning ou Stargirl, porque não parecem ter grande qualidade (a primeira foi cancelada o ano passado, creio).
Moral da história é que Legends era a única que ainda dava gozo. Havia rumores que não teria mais nenhuma temporada, mas a última até termina com um cliffhanger. O criador entretanto disse que foi uma forma de «atirar barro à parede». Não funcionou. Pena. Sobra Flash, para mim. E vamos a ver se consigo sequer terminar a temporada que decorre. Não está fácil.
Apesar de tudo, fica a nota que Arrowverse foi bom. Está longe de ser um fracasso, só porque está a terminar mal. Durou demasiado tempo. Não souberam desistir no momento certo e toda a gente saturou. Espectadores, guionistas, elenco e demais envolvidos. Acontece. E ainda bem que aconteceu.
despachada: Space Force
Série cancelada pela Netflix, sem grande surpresa. Não só porque o serviço de streaming anda a apertar o cinto, depois de terem apresentado números de perda de subscritores (vários projectos de animação foram cancelados, mesmo antes de começar, por exemplo), mas também porque era uma ideia para lá de rebuscada.
O presidente palerma que os norte-americanos tiveram (ainda é chocante que não esteja a referir-me ao Bush Jr.) às tantas terá dito que queria militarizar o Espaço. Algo do género. Talvez não isto, mas é o conceito parvo de gerir o Espaço, que não é deles, da mesma forma como gerem o seu próprio espaço. Ridículo, sim. Houve quem tenha pegado no conteito idiota e tentado fazer uma série. Mais, não foram pessoas quaisquer, mas a ideia veio da equipa que criou, com muito sucesso, o Office norte-americano. Mais ainda, conseguiram meter a mega-estrela, hoje em dia, Steve Carell ao barulho.
A Netflix mandou-se com todas as forças para cima deste projecto, à boa maneira como gerem o seu negócio. E terá funcionado. Sei de algumas pessoas que viram a série, que não teriam visto se não estivesse na Netflix. Acredito que tenha ajudado a angariar subscritores. Depois... Bem, depois, no final, é uma série cara demais, que não está a ter o sucesso esperado. Logo, nem esperaram pela fatídica marca das três temporada para matar o bicho.
E ainda bem. Era uma série fraquinha, infelizmente.
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